Estudantes empreendedores

Estudantes empreendedores

Escolas estão investindo na formação integral dos alunos e incentivando projetos de empreendedorismo

Ter espírito empreendedor e inovador é praticamente uma obrigação nos dias atuais para se destacar no mercado de trabalho. Por isso, muitas escolas estão investindo na formação integral dos alunos e incentivando projetos de empreendedorismo desde cedo. Em parceria com a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de Ribeirão Preto (SUPERA), alguns estudantes participam da proposta que faz uso do empreendedorismo como uma resposta eficaz ao conceito de empregabilidade. Dessa forma, os adolescentes são estimulados a desenvolverem atitudes e habilidades empreendedoras para a estruturação de uma visão do mercado, com foco na abertura e no gerenciamento de negócios.

De acordo com a coordenadora psicopedagógica do Colégio Marista, Lúcia Inês de Oliveira Montagnani, é na escola que os estudantes devem ter oportunidades de desenvolver, além das habilidades acadêmicas necessárias e, por meio da criatividade e da inovação, capacidades de agir e de interagir em diversos contextos, com competências pessoais e sociais, a fim de fazer escolhas, posicionar-se assertivamente, traçar metas e alcançar resultados. “A visão empreendedora proporcionada aos estudantes do Colégio vai muito além do que criaram: uma empresa e um plano de negócios com um produto final significativo para a sociedade, pois concluíram que o conceito é também fundamental na reorganização do seu tempo, nas metodologias de estudo, enfim, na administração de sua própria vida”, explica a profissional.

A jovem Alana Mara Magalhães está participando da iniciativa e já aprovou a ideia. Para ela, o projeto é superinteressante e aborda um tema essencial para o mercado de trabalho. “Fiquei atraída por ver as coisas com uma visão inovadora e por me dedicar às atividades de organização e administração, conhecimentos que serão usados em muitos momentos no futuro ou até mesmo agora, como organizar funções escolares ou cuidar de uma casa e de uma família ou, até mesmo, na empresa, podendo me destacar entre os demais companheiros”, considera.

Conforme explica Fernando Henrique Botega, estagiário do SUPERA, qualquer aluno pode participar da iniciativa. “O projeto foi realizado com alunos do 9º ano do Ensino Fundamental e 1º ano do Ensino Médio do Marista. Entretanto, a proposta tem adaptações para o Ensino Fundamental II, Médio e Superior”, conta Fernando, ressaltando que os encontros do projeto não acontecem em sala de aula para estimular o aluno a sair do seu estado de conforto. De acordo com ele, em todas as reuniões os participantes se sentam no chão, junto com o condutor responsável, no intuito de desenvolver a segurança, promover a educação participativa de todos, melhorar a concentração, reduzir os conflitos em sala de aula, desenvolver a exposição de ideias e o respeito pelos outros.

Nos encontros, são abordados temas como: conceitos de empreendedorismo, quebra de paradigmas, perfil empreendedor, análise econômica e quebra do modelo maniqueísta, marketing, entre outros. Com as atividades, Eduardo Mamed Abdala Filho percebeu que o mercado precisa de ideias inovadoras. Por isso, qualquer pessoa criativa tem chance de ter uma empresa ou um produto de sucesso. Segundo ele, é muito importante a pesquisa, o desenvolvimento do projeto e a sua elaboração no papel para se tornar um Plano de Negócios. A jovem Camila Mizumukai concorda com o colega e diz que achou muito interessante o Colégio passar para eles a tarefa de criar um produto próprio para comercializar. “O empreender nos dá uma noção do mundo dos negócios e ajuda no dia a dia da escola”, complementa.

Satisfeito com a iniciativa do Colégio e do projeto, Marcelo Augusto Rodrigues reconhece que esta é uma oportunidade única. “Estou lisonjeado de participar da iniciativa. É disso que precisamos atualmente: grupos e escolas dispostos a investir pesado nos jovens para que, amanhã, os adolescentes construam um grande futuro”, declara o aluno e participante. O empreendedorismo funciona como uma preparação do aluno para situações adversas da vida, preparando para avaliar e decidir o quê, como e quando agir, de forma a evitar ou amenizar os prejuízos. “A proposta não é apenas apresentar um método para abertura de negócios, mas para entender a vida como sendo seu próprio e fundamental negócio”, conclui Fernando Henrique.

O SUPERA EDUCA é um plano de ensino desenvolvido pela Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (SUPERA), projeto da Fundação Instituto Polo Avançado de Saúde (FIPASE), hoje com três unidades e uma delas dentro do campus da USP de Ribeirão Preto. O plano tem a sua base fundada em cima do conceito de que a aprendizagem é um processo social em que os alunos, heuristicamente, constroem significados através da experiência e vivência de casos, evoluindo paulatinamente ao longo do projeto; busca estimular os alunos a identificar e avaliar os paradigmas vigentes na sociedade, tornando-os capazes de fazer escolhas próprias, valorizando, assim, sua própria identidade pessoal junto aos conceitos de iniciativa, criatividade e responsabilidade.

Mais do que empreendedorismo, o projeto procura ampliar a visão dos alunos, quebrando o modelo maniqueísta encontrado atualmente na sociedade que prioriza o emprego, buscando, desta forma, abdicar desses conceitos e, com critério, ressaltar a importância da aceitação das diferenças, a compreensão sobre os valores humanos, criando discussões para que o aluno possa refletir e estipular seu próprio ponto de vista baseado no modelo de iniciativa, criatividade e responsabilidade.

As atividades desta parceria tiveram início no dia 20 de abril deste ano, tornando o Colégio Marista, mais uma vez, pioneiro na quebra de paradigmas educacionais, desenvolvendo um projeto de ensino voltado à capacitação empreendedora de alunos no ensino fundamental e ensino médio.

Texto: Mariana Secaf
Fotos: Carolina Alves

Compartilhar: