Estudo a qualquer hora, em qualquer lugar
Somente em Ribeirão Preto, o número de matrículas em cursos que compõem o universo do Ensino a Distância (EaD) cresceu 4% entre 2016 e 1017
Não é de hoje que a busca pela educação de qualidade é um diferencial na trajetória de quem deseja ocupar lugar de destaque na carreira profissional. No âmbito do Ensino Superior, a relevância das escolhas feitas cresce, assim como a diversidade de possibilidades. Para quem deseja conquistar um diploma, seja de graduação, de especialização ou de pós-graduação, mas já acumula diversas responsabilidades que impedem o comprometimento de tempo determinado para os estudos, tem à disposição a modalidade de Ensino a Distância, que vem crescendo substancialmente no Brasil. Além da flexibilidade e do custo mais baixo, na comparação com cursos presenciais, este formato conta com uma gama cada vez mais ampla de recursos tecnológicos que facilitam o acesso ao conhecimento de qualquer lugar, a qualquer hora.
Se até certo tempo atrás, esta modalidade estava baseada na transmissão de videoaulas por satélite, atualmente, a internet amplia os horizontes e expande a possibilidade de interatividade entre alunos e professores. Foi este diferencial que levou o professor Herbert Leandro Nogueira, de 33 anos, a optar pelo curso de Gestão em Tecnologia da Informação da UniDomBosco, em Ribeirão Preto.

Formado em Licenciatura da Computação, a chegada da primeira filha e a rotina de trabalho dividida entre dar aulas e o desenvolver conteúdos on-line dificultou o compromisso com um curso tradicional de ensino. Justamente por essa razão, o EaD foi a melhor opção para o aperfeiçoamento profissional. “Com as plataformas on-line e as videoaulas oferecidas pela instituição, posso me dedicar aos estudos aos finais de semana, por exemplo. Essa facilidade não existe em um curso presencial”, salienta Herbert.
Para o professor e aluno, embora o EaD permita total flexibilidade, não torna os estudos mais fáceis. Isso porque exige máximo comprometimento, uma vez que oferece uma metodologia voltada para o desenvolvimento e a autonomia dos alunos. “A oportunidade de gerir o próprio tempo, de acordo com a rotina de cada um, vem acompanhada pela demanda de muita disciplina. A modalidade está alinhada às características da nova geração, 100% conectada à tecnologia e também da geração que já está bem colocada no mercado de trabalho, mas deseja seguir estudando, enquanto gerencia uma agenda já cheia de compromissos com o trabalho e a família”, acrescenta. O aluno encontrou horários alternativos para assistir às aulas, ler e fazer as atividades propostas, inclusive aos finais de semana, em que divide seu tempo com a filha e o lazer em família.
Herbert está entre os mais de 1,5 milhão de brasileiros escolheram o EaD para buscar aprimoramento profissional. A modalidade vem ganhando força a cada ano com base em inúmeros fatores. Vale reforçar, entre eles, os custos mais acessíveis, na comparação com o investimento necessário em cusros presenciais. A diferença entre as mensalidades de um e de outro pode chegar a 65%. De acordo com um levantamento da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), o valor médio caiu de R$ 348,00, em 2012, para R$ 279,00, em 2017. O acesso à Educação Superior oferecido não se deve, apenas, ao custo inferior da modalidade. Por meio da tecnologia, o EaD chega a todos os lugares, inclusive a regiões distantes dos grandes centros, onde, muitas vezes, o ensino presencial não está disponível. Para chegar aos alunos, esses cursos dependem apenas de uma plataforma on-line e de professores baseados em qualquer lugar do mundo.
Em Ribeirão Preto, o número de matrículas em cursos EaD cresceu 4%, entre 2016 e 2017, segundo o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp). O índice faz parte de uma pesquisa inédita, realizada em parceria com a Folks Netnografica, que considerou o comportamento de indivíduos na internet, analisou comentários, conversas e publicações sobre o tema em sites, blogs, fanpages, vídeos, entre outros. Foram analisados conteúdos produzidos desde 2014. No acumulado, o número de matrículas cresceu 9,9% entre 2016 e 2017 no mundo inteiro; no Brasil, foi registrado um crescimento de 8,4%.
O Programa de Formação de Líderes é aposta mais recente do Centro Universitário UniDomBosco para fortalecer o cenário educacional digital brasileiro. A iniciativa foi desenvolvida para preparar profissionais para assumirem cargos de liderança e enfrentar os desafios do mundo corporativo. Além das competências básicas dos cursos, os líderes precisam desenvolver habilidades socioemocionais para resolver problemas complexos, tomar decisões e se comunicar de forma eficaz. O Programa inclui cursos de graduação, MBA Executivo, curso de inglês e aconselhamento profissional. “Formamos líderes capazes de administrar os desafios do mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que dominam os conhecimentos técnicos específicos da área a que se dedicam. Ao concluírem os cursos do Programa, os alunos adquiriram a capacidade de pensar criticamente e de gerar um impacto significativo no desenvolvimento estratégico das organizações”, destaca Maurício Pedroso, diretor de EaD da UniDomBosco.

Mudança de carreira
Oportunidade é a palavra que melhor define a modalidade EaD, na opinião da jornalista Keila Florentino. “Para mim, vem sendo um caminho na busca do meu sonho, que é me tornar professora universitária”, explica a estudante, que está na reta final do curso de Artes Visuais. A primeira graduação, em Jornalismo, foi conquistada em um curso presencial. Já inserida no mercado de trabalho, decidiu que era hora de adquirir novos conhecimentos e, para isso, buscou alternativas. Depois de muita pesquisa, encontrou no EaD a praticidade e a autonomia que precisava para retomar os estudos.
Segundo Keila, os recursos tecnológicos à disposição dos alunos encurtam qualquer distância física entre estudantes e professores de EaD, já que facilitam a comunicação e o acesso a todos os conteúdos da programação. “Vale reforçar, porém, que a modalidade exige disciplina e dedicação e, por isso, bastante maturidade. Hoje, posso dizer que me sinto preparada, pronta para seguir adiante e atuar na minha nova profissão. Afinal, ser professor também exige muita dedicação e preparo”, salienta.

Para a professora e coordenadora geral de estágio curricular e obrigatório do EaD da Universidade Paulista (Unip), Lucy Almeida, continuar estudando, mesmo depois de já ter uma carreira estabelecida, garante aprendizado contínuo e, consequentemente, mais chances de seguir inserido no mercado de trabalho, independentemente da área profissional. Para a coordenadora, o EaD é uma forma de viabilizar a formação continuada e ampliar as possibilidades profissionais. O formato amplia, também, a oferta de trabalho no próprio segmento educacional, uma vez que o funcionamento dos cursos a distância dependem de ampla estrutura e tecnológica e assistência especializada. “Nesta modalidade, professores e equipe técnica atuam de maneira integrada para que o aluno possa ter a melhor experiência possível”, detalha Lucy.

Para o coordenador do Centro Universitário Claretiano, Evandro Tuka Ribeiro, a tecnologia permitiu uma verdadeira revolução nos cursos EaD, ampliando as ferramentas de apoio ao processo de ensino e de aprendizagem. “A busca pelo conhecimento nos livros, vídeos e textos disponibilizados desperta nos alunos o hábito da investigação e da leitura constante, o que também acontece no ensino presencial, mas em menor intensidade, uma vez que, dentro da sala de aula, o estudante assume o papel de expectador. Já à distância, é preciso criar o próprio ambiente de estudo, definir dias e horários mais apropriados e decidir o que e como estudar em cada momento. Todas essas escolhas também fazem parte do processo de aprendizagem”, argumenta o professor. Para Evandro, o EaD é também uma alternativa importante para a expansão do acesso ao Ensino Superior no país, principalmente, de alunos que moram em regiões com acesso limitado ao ensino. “O Plano Nacional da Educação impôs ao país ambiciosas metas e, nesse contexto, o EaD cumpre um importante papel social”, reitera o coordenador.

Na instituição, o aluno a distância é vinculado a um ambiente virtual específico, com muitos canais de comunicação com professores e tutores. Além das plataformas digitais, a telefonia e outras ferramentas de comunicação, como Skype e Hangout, têm sido muito utilizadas para promover maior integração entre alunos e professores. “O estudante é o protagonista do processo de ensino e de aprendizagem; já o professor ou tutor faz a mediação deste processo, produzindo e selecionando conteúdos, direcionando e aferindo o aprendizado”, acrescenta Evandro.
A escriturária Maria Helena de Almeida Pizorruso optou pelo EaD para conciliar o trabalho e as horas livres com a rotina de atividades educacionais. O custo-benefício e a diversificada oferta de cursos também somaram pontos a favor da modalidade. Na avaliação da estudante de Biblioteconomia do Centro Universitário Claretiano, não faltam oportunidades de interação dos alunos com professores e colegas de turma. Isso acontece ao mesmo tempo ou separadamente por meio de videoaulas, cadernos de estudos, fóruns, debates, correio eletrônico, bate-papos, palestras, trabalhos individuais e em grupos, formações extracurriculares, entre outras atividades. “Graças aos recursos tecnológicos inclusivos, o EaD garante uma formação de qualidade, também, para pessoas com deficiência, como surdez, cegueira, baixa visão, entre outras. Com uma interface amigável, a sala de aula virtual me oferece conforto para superar a baixa visão sem nenhuma dificuldade. Cursar Biblioteconomia é um sonho antigo que ficou engavetado por muitos anos. Perdi a visão ainda jovem e tive que interromper os estudos, pois não havia recursos como aqueles que existem hoje”, completa.

Ensino responsável
A professora e mestre Alessandra Fracaroli Perez, coordenadora acadêmica e administrativa de EaD e do curso de Pedagogia EaD da Unaerp, reforça a função social desempenhada pela modalidade. “É recompensador saber que o Ensino a Distância permite que pessoas que nutrem o desejo de estudar, mas estão longe de grandes centros educacionais, possam colocar esse projeto em prática por meio das ferramentas hoje disponíveis. Atualmente, os limites geográficos já não impedem aquelas pessoas mais interessadas de se manterem atualizadas e de trocarem experiências”, afirma Alessandra.
O acesso ao conhecimento à distância acontece de maneira interativa, inclusive por meio de redes de aprendizagem. “Consequentemente, essa interação fortalece a rede de colaboração entre os próprios alunos, o que contribui, significativamente, para a melhoria da aprendizagem durante o curso, já que, nessa modalidade, o estudante é o ponto central do processo ensino-aprendizagem”, avalia a coordenadora. Para Alessandra, o estudante precisa entender que é parte fundamental do processo de construção do conhecimento e explorar ao máximo os recursos tecnológicos à disposição, contando, claro, com a colaboração dos professores. “Fazer um curso a distância de qualidade exige muito do estudante. Sendo assim, alguns pré-requisitos são importantes para garantir o bom desempenho do estudante. Sugiro, então, que, antes de ingressar em um curso nesse formato, o estudante considere que terá maior liberdade, flexibilidade e autonomia para os estudos, mas precisará, também, de máxima organização e disciplina para administrar seu tempo e aproveitar o curso”, completa a coordenadora.
Graduada em Pedagogia no ensino a distância pela Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP), Carolina Croisfelt Parreira descobriu a modalidade depois de ter se formado em Publicidade e Propaganda em um curso tradicional. A pedagoga já nutria o desejo de investir em uma nova carreira, entretanto, a rotina profissional e de mãe — Carolina tem um filho de três anos — impossibilitava as idas à faculdade diariamente. “A comodidade de organizar as tarefas de acordo com a minha disponibilidade foi, com certeza, o ponto mais positivo do processo”, conta Carolina. Segundo ela, a distância é superada com um simples clique, que conecta todos os alunos a uma rede de ferramentas que facilitam a interação. “Além da bagagem teórica e técnica, o curso agregou muito para minha organização pessoal. Vale reforçar que a flexibilidade de horários é muito positiva, mas requer responsabilidade, planejamento pessoal e acompanhamento de datas e deadlines. É preciso encontrar um equilíbrio entre as tarefas e traçar metas para finalizar cada uma delas. Esse comprometimento com a minha jornada como estudante no EaD me preparou, também, para diversas atividades do meu dia a dia”, frisa. Ao fim de mais uma etapa — agora, como estudante de pós-graduação em Aprendizagem Ativa —, a estudante ainda pretende alçar novos voos na área de alfabetização bilíngue.
Futuro sem limites
O Ensino a Distância, para a gerente acadêmica e professora no Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, Ornella Pacífico, representa um grande avanço na educação. Para a coordenadora, a familiaridade com a tecnologia e a conexão constante com a internet viabilizam a interação rápida e fácil com professores e colegas de curso. “O EaD estimula a integração digital por meio das ferramentas de ensino e de conteúdos interativos. A cada semestre, desenvolvemos novos recursos na sala de aula virtual para estimular o aprendizado, inclusive, por meio de games, fóruns e outras ferramentas”, explica Ornella.
Depois de 15 anos fora do país, o microempresário e professor de línguas, Erich do Amaral Muniz, precisou encontrar novos caminhos para retornar ao mercado de trabalho brasileiro. Nessa busca, encontrou o EaD, com conteúdos disponíveis todos os dias da semana, 24h por dia, o que permite a flexibilização dos horários de estudo, evitando perder conteúdos importantes, economia de tempo e de dinheiro com despesas de viagem, trânsito e estacionamento. O custo-benefício e a capacidade de desenvolver a autodisciplina também contaram pontos em favor do formato. “A facilidade para estudar me permitiu encontrar um estágio e, na primeira oportunidade, recebi uma oferta de trabalho em um colégio privado. Acredito que a feliz decisão de investir na minha formação à distância colaborou para que eu pudesse colher resultados tão rapidamente”, conta Erich.
Graduado no início de 2018 em Letras, com habilitação em Inglês, Erich concluirá a segunda graduação, em Espanhol, em 2019. “Graças ao novo curso, descobri um grande interesse pela literatura e acredito que minha curiosidade surgiu em função das excelentes aulas e dos professores a que tive acesso. Desde que iniciei o EAD, consegui ler mais de 230 obras literárias, o que me possibilitou forte aproximação com uma fonte rica de conhecimento”, complementa.
Aproveite ao máximo
Apesar de romper barreiras, o EaD não é tão fácil quanto parece. Ser aluno a distância requer comprometimento, organização e disciplina em todas as etapas do curso.
1. Rede de contatos
A interação com alunos de todos os cantos do país é um diferencial do EaD, portanto, utilize algumas ferramentas para otimizar essa troca.
2. Organize o tempo
Uma das vantagens do curso é a flexibilidade, mas é preciso estipular e seguir um cronograma de estudos e atividades para vencer todas as etapas do curso.
3. Fique por dentro
Mesmo que não seja dia de aula, dedique um tempinho para participar de fóruns e chats oferecidos.
4. Tenha uma agenda
Anote as atividades diárias para priorizar os principais objetivos de cada etapa.
5. Conheça um pouco sobre tecnologia
Procure pesquisar todas as ferramentas do curso e estude as funcionalidades de cada uma delas.
Faça uma boa escolha
Com o crescimento exponencial do EaD, é preciso estar atento ao que cada curso oferece.
1. Tutorial
Confirme com a instituição como funciona este trabalho no curso desejado e todas as possibilidades de acesso aos professores que desempenham essa função.
2. Qualidade do ensino
Observe a nota da instituição, que reflete a qualidade das aulas e dos vídeos disponibilizados durante o curso. Preste atenção, também, às qualificações dos professores.
3. Aparato tecnológico
Verifique quais são as ferramentas que o curso oferece para os estudos. Geralmente, os cursos de EaD disponibilizam chats e fóruns de discussão sobre determinada aula ou conteúdo.
Texto: Cristiane Araujo
Fotos: Ibraim Leão