Estudo com Canabidiol tem resultados positivos

Estudo com Canabidiol tem resultados positivos

Resultados foram publicados no jornal da Associação Britânica de Psicofarmacologia

Resultados favoráveis à utilização do canabidiol (CBD), composto presente na Cannabis sativa – polêmica folha de maconha –, em pacientes diagnosticados com Doença de Parkison, foram publicados pelo Journal of Psychopharmacology, da Associação Britânica de Psicofarmacologia, na edição do dia 18 de setembro.

O estudo medicou 21 pacientes diagnosticados com a doença e contou com a participação dos pesquisadores José Alexandre Crippa, Antonio Waldo Zuardi, Vitor Tumas, Antonio Carlos dos Santos, Jaime Hallak, Marcos Hortes Chagas, Márcio Alexandre Pena-Pereira, Emmanuelle Sobreira, Mateus Bergamaschi, todos da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), e Antonio Lucio Teixeira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Os pacientes que participaram do estudo não apresentavam demência ou problemas psiquiátricos. 

Eles foram divididos em três grupos e, como o estudo foi realizado de forma duplo-cego, nem os pacientes e nem os profissionais que os acompanhavam, sabiam se estavam recebendo placebo – pílulas contendo somente óleo de milho –, CDB a 75mg/dia, dissolvido ao óleo de milho ou o CDB a 300mg/dia, também dissolvido ao óleo de milho – todas a soluções foram ministradas em formas de cápsulas.

“O estudo do CBD para o tratamento do Parkinson vinha sendo realizado há cinco anos. Os testes com os pacientes duraram seis semanas e foi encerrado no final do ano passado”, explica José Alexandre Crippa da FMRP da USP, um dos coordenadores da pesquisa.

Para o acompanhamento dos pacientes, foi realizada uma série de entrevistas, exames laboratoriais, ressonâncias magnéticas e uma bateria de testes neuropsicológicos. 

Diminuição de sintomas

Dentre os sintomas motores e não motores da doença, os pesquisadores citaram tremores, apatia e depressão como sintomas comuns em quem tem Parkinson.

Após as seis semanas de uso do CDB e nova avaliação, foram relatadas percepção de melhora da qualidade de vida e do bem-estar dos pacientes. “Esse relato foi feito pelo paciente e pelos seus familiares, tanto para os sintomas motores, como os não motores”, explica Crippa. 

Segundo o pesquisador, a melhora foi significante para os que receberam CDB a 75mg/dia e, ainda maior, para os que receberam o CDB a 300mg/dia. 

Durante o tratamento não foram registrados efeitos colaterais nos pacientes. Os pesquisadores acreditam que há várias hipóteses para a ausência de efeitos provocados pelos tratamentos convencionais da doença, como alucinações, náuseas, delírios e discinesia tardia. A mais aceita atualmente, conta Crippa, “é o efeito neuroprotetor do CBD”.

O estudo só não conseguiu provar se há melhora nos mecanismos cognitivos, como memória e atenção. “Não identificamos melhora, pois, a pesquisa foi realizada a curto prazo. O ideal seria um estudo de três meses”, afirma Crippa.

Resultados animadores

Outro aspecto positivo apontado pelo pesquisador José Alexandre Crippa foi a ausência de flutuação nos sintomas psiquiátricos, ou seja, a variação de humor comum em quem utiliza medicamentos para controle dos sintomas não-motores da doença, como depressão e ansiedade, por exemplo, que se dão entre os intervalos de uso dos medicamentos.

Burocracia

O canabidiol foi fornecido em forma de pó, com 99,9% de pureza (e sem qualquer traço de THC, a substancia responsável pelos efeitos psicoativos da maconha), por uma empresa alemã. Embora seja um processo extremamente burocrático, o pesquisadores não encontraram dificuldades para importação do produto. 

Próximos estudos

José Alexandre Crippa revela que o próximo passa do grupo será realizar novos estudos para o tratamento da Doença de Parkinson em longo prazo. “Estudaremos ainda a aplicação do CBD em pacientes com transtorno de stress pós traumático, depressão, distúrbio do sono e epilepsia”, conclui.

Revide on-line
Bruno Silva
Foto: Arquivo Revide

* Publicado em 13/10/2014

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