Eventos de destaque

Eventos de destaque

Organizadores de eventos como o Carnabeirão, o João Rock e o Entorta Bixo, se reuniram para falar dos benefícios e dos desafios da realização de eventos em RP

O portal da Revide apresenta, em texto e vídeo, mais um bate-papo realizado na sede da revista sobre um tema relevante para a cidade, desta vez, foram convidados os organizadores de grandes eventos como o Carnabeirão, o João Rock e o Entorta Bixo, para falar dos benefícios e dos desafios da realização destes eventos em Ribeirão Preto.

Juntos, os responsáveis Luit Marques, organizador do João Rock e do Ribeirão Rodeo Music, Renato Chaebub Rodrigues, o Tim, organizador do Carbaneirão e Alexandre Sabino, organizador do Entorta Bixo, Lado a Lado e Playground, comentaram as questões legais referentes a entrada de público jovem nestes eventos e a atual situação do Parque Permanente de Exposições, que em sua opinião requer investimentos urgentes.  

Segmento em ascensão
Em pouco tempo, cerca de 15 anos, o segmento de eventos em Ribeirão Preto cresceu e se consolidou ganhando proporções nacionais. O investimento em segurança e infra-estrutura é apontado pelo organizador do João Rock e do Ribeirão Rodeo Music, Luit Marques, como um dos responsáveis por essa projeção. De outro lado, a relação direta com os anseios e expectativas da juventude.

“Acho que a área de eventos possui um potencial de diálogo muito grande com a juventude, nós temos muita facilidade em conversar com o público adolescente”, afirma Luit. Para o organizador, esse é um potencial educacional ainda inexplorado.

Para Alexandre Sabino, responsável por eventos como o Entorta Bixo, Lado a Lado e Playground, Ribeirão Preto tem crescido muito na qualidade dos eventos que promove e esse potencial se deve ao elevado número de jovens estudantes que a cidade possui ou atrai.

Em seu segmento – festas universitárias –, Alexandre consegue identificar bem essa realidade. “ No Entorta Bixo são quase 20 mil pessoas, entre elas, seis a sete mil universitários que não são de Ribeirão, que ficam e consomem na cidade. Isso mostra o quanto os eventos são importantes para um município que se propõe ser turístico”, avalia.
O organizador ressalta que as atrações mantêm aquecida a economia municipal e aumentam o turismo na cidade.

De acordo com Tim, organizador do Carbaneirão, Ribeirão é uma cidade de porte grande, jovem e que necessita de eventos. “Nós, empresários de eventos, divulgamos a cidade, buscamos os turistas e fazemos com que Ribeirão pulse, pois o turismo é a mola propulsora de desenvolvimento mundial”, afirma.

Apesar da constatada importância do segmento para a economia local, na opinião dos organizadores de eventos, há muitos entraves na cidade para a realização dessa atividade profissional.
Segundo os especialistas da área, o Ministério Público, o Juizado da Infância e Juventude e também os órgãos públicos sustentam um duro e burocrático diálogo em relação às normas e diretrizes para se realizar um evento de grande porte na cidade.
“Hoje vivemos um problema sério com relação ao Ministério Público e ao Juizado da Infância e Juventude, mas também temos que conversar mais com os órgãos públicos para ver o que pode ser feito para se melhorar isso”, afirma Luit.

A falta de diálogo é apontada pelos organizadores como um dos maiores problemas. Tim explica que, por princípio, o Ministério Público deve fiscalizar, emitir e acatar opiniões, mas também dialogar com a sociedade.

“As pessoas, onde quer que seja,  devem ter o seu direito de ir e vir respeitado. Concordamos que os eventos, sejam pequenos ou não, devam ter regras, mas também precisamos da abertura de diálogo, para que os organizadores possam trabalhar. Uma reunião entre órgãos públicos poderia ajudar os profissionais da área de eventos a trazer mais atrações para a cidade e movimentar ainda mais a economia de Ribeirão Preto, infelizmente isso não acontece”, afirma

Para os especialistas, o que se vê são expedições de alvarás, liminares e mandatos, que dificultam ainda mais o trabalho dos profissionais da área, sem que haja nenhuma oportunidade de diálogo.
“Com relação a presença de menores de 18 anos nos eventos, as restrições do Ministério e do Juizado são muitas e os trâmites para conseguir liberações são impossíveis. A música é uma expressão artística como qualquer outra e o Ministério Público, de certa forma, tem proibido o acesso de menores à esse tipo de cultura”, afirma Alexandre.

O organizador conta que o Ministério Público dificulta a presença de menores em eventos, mesmo com carta de recomendação de outras cidades, e que, particularmente, já desistiu de pedir alvará para não ter problemas com o órgão.
“O Ministério Público fica de legislador e juiz sobre esse setor. Aqui em Ribeirão Preto, ele é muito mais rigoroso do que em outras cidades que já tive notícia”, comenta.

Parque Permanente de Exposições
A situação do Parque Permanente de Exposições também foi discussão entre os convidados. Questões de infraestrutura foram o ponto alto do bate-papo.
Para Tim, o Parque Permanente de Exposições deveria ser transformado num parque multiuso, com padrão de qualidade e, se possível, que servisse de palco para duas atrações simultâneas. “É ter padrão de qualidade, dar conforto, segurança e infraestrutura durante os eventos para fazer com que a público volte no dia seguinte”, afirma o organizador.

Para Alexandre, outro grande problema do Parque Permanente são os estacionamentos em torno do local. “Eles [estacionamentos] funcionam como parasitas, não investem em nada e exploram o público que os eventos atraem. Vejo em outras cidades que esses tipos de estacionamentos são proibidos”, comenta.

Na avaliação dos promotores de grandes eventos na cidade, o potencial do Parque Permanente de Exposições é enorme, falta, mais uma vez, diálogo para se entender as necessidades de ajustes que o tornem um moderno e adequado local para a realização de todo tipo de eventos.
“O Parque Permanente foi feito para a FEAPAM, mas hoje temos uma realidade de grandes eventos realizados no parque. Com algumas mudanças não teríamos mais custos desnecessários e a cidade também ganha com isso”, conclui Luit.

Assista o vídeo do bate-papo AQUI

Especial para Revide Online
colaborador: Fernando Belezine
Fotos: Julio Sian

*Publicada em 18.07.2011

 

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