Excesso de imóveis vazios pode ser reflexo do desemprego
Crise no trabalho faz com que empresas fechem suas portas e reduzam vagas de trabalho, mas crescimento na cidade também abre oportunidades
Um reflexo da retração econômica que o Brasil atravessa, o número de locações comerciais tem aumentado significativamente em Ribeirão Preto. Algumas das avenidas centrais de Ribeirão Preto apresentam uma grande quantidade de placas de “aluga-se”. O número de vagas de trabalho ofertadas se reduziu consideravelmente nos primeiros quatro meses deste ano, em comparação com anos anteriores (veja informação abaixo).
O crescimento da cidade pode ser uma das explicações para o maior número de imóveis disponíveis para locação, segundo o diretor comercial da empresa Fortes Guimarães, João Paulo Fortes Guimarães. “O crescimento na construção civil fez com que Ribeirão Preto se desenvolvesse. As pessoas tendem a migrar e com o aumento territorial, vão abrindo oportunidades para os lojistas procurarem novos locais para o trabalho”, explica o executivo.
Ele afirma ainda que esta expansão permite aos cidadãos novas oportunidades de encontrar algo que se adeque ao seu orçamento e suas pretensões. “O problema é que muito dos imóveis estão velhos e precisam de reparos. A vasta opção de imóveis faz com que o empresário procure por algo mais moderno”, comenta.
João Paulo diz que justamente em função da maior disponibilização de imóveis, o mercado e as empresas que atuam no setor ainda não enfrentam grandes problemas.
Contaminação
De acordo com o professor de economia Antônio Vicente Golfeto, diretor do Instituto de Economia Maurílio Biagi, da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), o mercado de locação sempre foi a vitrine da crise.
“Ela (a crise) se expõe claramente através das placas de aluga-se. Claro que o crescimento de oferta de imóveis para locação cresce com a cidade. Entretanto quando empresas começam a encerrar suas atividades, pessoas são desempregadas. E começam entregar os imóveis que locam. A crise na locação não residencial contamina a locação residencial”, argumenta.
O professor aponta que há empresas que se adaptaram à crise e sobreviveram. As mais fracas por sua vez diminuirão de proporção ou encerrarão as atividades, como já estamos vendo. “Mas isto é realidade de todo País e não apenas de Ribeirão Preto”.
“Ribeirão tem apresentado um forte dinamismo de mercado, tornando-se uma cidade comercialmente policêntrica. O motivo para o fechamento de imóveis comerciais seria a crise em torno das empresas que acabam falindo com o tempo”, afirma Golfeto.
Desemprego
No período de janeiro a abril de 2015, Ribeirão Preto registrou o pior saldo de vagas no mercado de trabalho dos últimos seis anos. Os dados são do Caged, do Ministério do Trabalho. O saldo - diferença entre admissões e demissões - foi de apenas 18 as vagas.
Em anos anteriores, também de janeiro a abril, o saldo de vagas foi bem maior. Em 2010, por exemplo, foi de 5.058 vagas, subindo para 5.144 no ano seguinte e crfesc endo para 5.848 em 2012. A redução do saldo começou em 2013, para 4.073, cresceu em 2014 para 4.284, para chegar a 18 neste ano. Foram 38.645 admissões para 38.627 demissões.
Apesar de sempre puxar as contratações, o comércio foi um dos que registrou pior desempenho no período. O setor perdeu 1.054 vagas em quatro meses. As demissões atingiram 12.001 pessoas, enquanto 10.947 foram admitidas..
Revide On-line
Pedro Gomes (Colaborador)
Fotos: Ibraim Leão e Arquivo Revide