Exercício democrático

Exercício democrático

O sapateado surgiu no início da Revolução Industrial, onde os operários costumavam usar tamancos de madeira para isolar a intensa umidade que subia do solo

O sapateado é uma das atividades físicas mais democráticas, não faz distinção de peso, sexo ou idade e ainda ajuda a emagrecer. Uma hora de sapateado, em nível intermediário, queima cerca de 500 calorias. Em termos de consumo de energia, é o mesmo que praticar um esporte como a corrida ou a natação.

“Além de uma ótima atividade física, trabalha bastante toda a parte posterior do corpo, como pernas, panturrilha e glúteo aliado ao bem estar e a um espaço coletivo onde surgem novas amizades, novas turmas e muita diversão”, explica a sapateadora Juliana Garcia.

Além disso, o sapateado aumenta a capacidade cardiovascular, protege as articulações e trabalha os músculos inferiores, uma vez que a dança exige mais das pernas e dos pés do que de qualquer outra parte do corpo. Para quem é adepto do esporte o resultado é positivo, a postura melhora, desenvolve-se força, resistência, agilidade, coordenação motora, equilíbrio e velocidade, aguçando assim a consciência corporal. Além dos benefícios físicos, como toda dança, o sapateado deixa a pessoa mais desinibida e faz bem para a autoestima.

Para a empresária Tatiana Rosochansky, que faz aulas de sapateado desde o inicio do ano, o exercício deve ser incluído no roteiro de atividades físicas. “Vou às aulas de sapateado duas vezes na semana e já consigo ver os resultados físicos, principalmente nos membros inferiores. Mas o que me chama mais atenção é a forma que o sapateado trabalha a parte emocional, concentração e relaxamento, é um exercício que indico sempre”, comenta. “Os resultados podem ser vistos através de uma melhora na coordenação motora, lateralidade, independência de movimentos e até uma melhora na memória. As apresentações em grupo são sempre o melhor e maior presente para quem dança”, conta Juliana.

Seus movimentos produzem não só coreografia, mas também som e musicalidade, para quem faz sapateado há algum tempo, reconhecer alguns sons fica mais fácil, pois o barulho das chapas no solo produz uma melodia complementar da música escolhida para embalar os passos, e o aluno consegue aprender um pouco de teoria musical. Segundo Juliana para incluir o sapateado no programa de atividades físicas basta ter vontade de aprender, pois é uma atividade que pode ser praticada por qualquer pessoa. “O sapateado é a vida que escolhi e depois disso tive apenas bons aprendizados para que eu construísse meu caminho com muito com nos pés”, conclui a sapateadora.

Confira algumas dicas para quem pretende iniciar essa atividade física: 
- Quem possui problemas ortopédicos deve consultar um médico antes de optar pelo sapateado. 
- Na hora de procurar a escola, certifique-se de que ela oferece condições apropriadas. A sala deve ter o piso em madeira, de preferência isolado do chão. Essa medida diminui o impacto do corpo com o solo, protegendo o bailarino de possíveis lesões. Também observe se há barras, aparelhagem de som e acústica. 
- Faça uma aula experimental antes de comprar os sapatos.
- Roupas de malha permitem um maior conforto e flexibilidade na hora dos exercícios. 
- Mas, o conselho principal é: esqueça tudo no momento da aula e divirta-se! 

História do sapateado
O sapateado surgiu na Irlanda, no início da Revolução Industrial, onde os operários costumavam usar tamancos de madeira (“clogs”) para isolar a intensa umidade que subia do solo. Nas poucas horas de folga, tanto homens como mulheres reuniam-se nas ruas dos pequenos centros urbanos para uma animada competição, cujo objetivo era ver quem conseguia produzir os sons e ritmos mais originais com o bater das solas no chão de pedra. Por volta de 1800, os tamancos foram substituídos por calçados de couro (jigs), mais flexíveis, e moedas foram adaptadas ao salto e à biqueira para que o som do “sapato musical” soasse mais puro.

Com o tempo, as moedas foram trocadas por plaquinhas de metal, os “taps”. Daí, o nome em inglês do sapateado: “tap dancing”. Por volta de 1920, surgiu o sapateado americano, cuja história começou com os negros. O auge veio com as grandes produções do cinema entre 1930 e 1950, quando surgiram grandes nomes como Gene Kelly, Fred Astaire, Ginger Rogers e Eleonor Parker. Vale ressaltar que nos musicais o estilo adotado é mais dançado com o corpo, utilizando técnicas de ballet. No sapateado do negro americano, as batidas são mais rápidas e o corpo fica mais à vontade. Fred Astaire dançava os dois estilos de uma maneira surpreendente e perfeita, altamente clássico e com a velocidade dos negros. 

Assista o vídeo sobre o antigo sapateado de Fred Astaire:


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Texto: Pâmela Silva
Fotos: Carolina Alves

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