Expectativa da economia
Indicador da expectativa dos empresários ribeirãopretanos manteve-se em 77,5 pontos
Embora as taxas cobradas pelos bancos tornassem praticamente inviáveis novos projetos empresariais, até as recentes revisões das taxas bancárias no país, a pesquisa do Índice de Expectativas dos Empresários de Ribeirão Preto (Iee), realizada pela Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) e pela Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (Fundace), aponta um crescimento de novas empresas na cidade.
O índice de novos negócios aumentou 17% com relação ao trimestre de dezembro de 2010 a fevereiro de 2011, período em que o número de novas empresas era de 1.711. No trimestre equivalente a dezembro de 2011 até fevereiro desse ano, o número de novos negócios saltou para 1.996.
“É necessário que os bancos reduzam essas taxas para que a roda da economia continue girando, pois mesmo com juros altos, ainda temos a criação de negócios consistentes em Ribeirão Preto”, aponta o economista da Acirp Fred Guimarães.
Segundo o economista, a partir de agosto do ano passado a taxa de Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) tem apresentado uma trajetória de queda, mas as outras taxas não têm caído com a mesma magnitude. “A taxa Selic é um referencial para as outras taxas de juros bancárias. Hoje ela está em 9% e estima-se que possa atingir 8,5% em breve, mas é importante que as outras taxas também baixem com a mesma proporção”, aponta.
Na visão do economista, uma solução para esse problema seria difundir as regras do Cadastro Positivo, que entrou em vigor no ano passado. Através das novas regras, podem ser criados bancos de dados com informações dos consumidores e, através dele, os bancos poderiam realizar pesquisas mais específicas e apuradas, podendo gerar juros mais baixos para os bons pagadores.
Pesquisa
A pesquisa do IEE começou a ser realizada em janeiro de 2009 em intervalos trimestrais, e tem como intuito acompanhar as percepções dos empresários com relação às condições atuais e futuras da economia.
O número de empresas que participaram da pesquisa apresentou uma queda. Em 2011 foram ouvidas 352 empresas, enquanto a pesquisa referente a 2012, ouviu 218. “Muitas empresas não devolveram os questionários respondidos, mas reformularemos o questionário para que as empresas participem. Ainda assim a pesquisa não perdeu o seu caráter comparativo”, explica o economista Fred Guimarães.
Ainda segundo o economista, a pesquisa referente ao primeiro trimestre de 2012 apontou otimismo moderado por parte dos empresários. “Dentre as variáveis que influenciaram no nível de otimismo dos empresários, destacamos as taxas de juros de pessoa jurídica, a evolução da abertura de novos negócios na economia, a criação de novas vagas de emprego e o curso dos salários médios de admissão”, aponta Guimarães.
A criação de novas vagas de emprego, citada por Fred Guimarães, aumentou em 39%, e esse resultado corresponde aos meses de dezembro de 2011 a fevereiro de 2012.
O salário médio de admissão, num contexto geral, também teve uma melhora, passando de R$900,29 em março de 2011, para R$989,36 em março desse ano, apresentando uma alta de 9,89%. O otimismo empresarial é visto nos novos negócios gerados e nas vagas de emprego criadas, mesmo num ambiente adverso de juros elevados, salários médios de admissão superiores à inflação, e continuidade de tributos elevados.
“A possibilidade de queda das taxas de juros contribuirá para um ambiente mais saudável, com novas perspectivas para os empresários. O principal benefício será o da viabilidade de vários projetos para investimento, que poderão ser contemplados por um panorama de queda no custo de financiamento das atividades das firmas”, finaliza.
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Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação