Experiência de aprendiz
Adolescentes iniciam formação profissional através de atividades acompanhadas e adquirem conhecimento em diversas áreas
A curiosidade em conhecer a área de turismo levou Bruna Barbieri, 15 anos, a procurar uma vaga de profissionalização. Ao saber da oportunidade, a estudante ficou interessada, pesquisou e realizou a entrevista no Hotel Sleep Inn. Contratada há dois meses, Bruna concilia de forma responsável o meio período de trabalho e o horário dos estudos.
Bruna foi contratada através do Projeto Aprendiz, da Associação Educacional da Juventude de Ribeirão Preto (AJURP), uma entidade sem fins lucrativos criada em 1966 que oferece aos adolescentes da cidade cursos de formação profissional e incentivo à educação. A entidade também visa a adequar o funcionamento aos dispositivos da Constituição Federal sobre o trabalho juvenil e às normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Bruna conta que consegue dividir bem o seu dia. “Sempre fui muito curiosa e independente. Quis ganhar meu próprio dinheiro, mas sem prejudicar meus estudos”, declara Bruna, que tem o rendimento escolar acompanhado pela mãe. Em pouco tempo de profissão, ela já sentiu muitas diferenças: maturidade, responsabilidade e melhora na comunicação.
Em parceria com a AJURP, a gerente geral do Hotel Sleep Inn de Ribeirão Preto, Alessandra Esteves, tem hoje dois aprendizes na empresa. “Respeitando as normas de horas trabalhadas, presença nos cursos da AJURP e todas as leis, os jovens têm a oportunidade de entrar em contato com várias áreas profissionais antes de escolherem o que pretendem cursar. Além disso, por serem curiosos, são muito prestativos e esforçados”, declara a profissional. Ainda de acordo com Alessandra, esta é uma oportunidade para os jovens aprenderem um ofício e, principalmente, adquirir responsabilidade, sociabilidade, entre outras características. O mais interessante é que muitos dos jovens, depois de terminar o prazo de dois anos de estágio, voltam ao Hotel. Alguns deles, quando estão com 18 anos ou mais, são contratados pela rede.
De acordo com Paulo de Tarso Carvalho, presidente da AJURP, o projeto de aprendiz é uma oportunidade diferenciada dos jovens se inserirem no mercado de trabalho. “Dentro dos limites permitidos pela legislação, eles têm todos os benefícios que um emprego normal oferece: registro, encargos trabalhistas, fundo de garantia, férias remuneradas e, principalmente, o acompanhamento da entidade sobre a evolução na atividade exercida e na escola. Ou seja, se o aprendiz está com notas baixas, ele é automaticamente retirado do programa, pois não queremos prejudicar a educação. Pelo contrário, queremos incentivá-los ainda mais”, explica.
Na mesma situação que Bruna, José Eduardo Brasileiro, de 15 anos, declara que quis, desde novo, ter contato com o universo profissional. “O Aprendiz me ajudou a definir qual carreira quero seguir. Sempre pensei em fazer Turismo e agora tenho certeza de que é realmente isso que eu quero”, afirma o estudante, complementando que a sensação de receber o primeiro salário é indescritível.
Saiba mais sobre a Lei do Aprendiz
Altera dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1º de maio de 1943.
— Art. 403: É proibido qualquer trabalho a menores de 16 anos de idade, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos. O trabalho do menor não poderá ser realizado em locais prejudiciais à sua formação, ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social e em horários e locais que não permitam a frequência à escola.
— O contrato de aprendizagem não pode ser estipulado
por mais de dois anos.
— A duração do trabalho do aprendiz não excede seis horas diárias. O limite pode ser de até oito horas diárias, para os aprendizes que já completaram o ensino fundamental, se nelas forem computadas as horas destinadas à aprendizagem teórica.
Texto: Mariana Secaf
Fotos: Ibraim Leão e Júlio Sian