Experiências divididas
Max Gehringer esteve na cidade dividindo suas experiências corporativas na palestra “Conhecimento de especialista para especialistas”
Quem vê Max Gehringer aos domingos no Fantástico como “O conciliador” talvez não imagine que seu conhecimento vá muito além das soluções para brigas de vizinhos. Com carteira assinada desde os 15 anos, Max acumula experiências relevantes no mundo corporativo. Em sua trajetória profissional, constam empresas como a Cica, seu primeiro empregador, a Pepsi, a Elma Chips e, por fim, a Pullman.
Em 1999, Max Gehringer foi apontado por uma pesquisa do jornal Gazeta Mercantil como um dos 30 Executivos Mais Cobiçados do Mercado. Porém, o administrador de empresas decidiu deixar o posto de alto executivo para dedicar-se a escrever livros e proferir palestras. Entre suas obras, estão: “Comédia Corporativa”, “Big Max: Vocabulário Corporativo” e “Emprego de A a Z” . No total, são sete livros publicados.
Viajando pelo país com suas palestras, Max leva ao público as experiências e os aprendizados adquiridos em sua trajetória e que possibilitaram que se tornasse um especialista em relações interpessoais do mundo corporativo. No dia 26 de outubro, esteve em Ribeirão Preto, no Araucária, a convite da Ultragaz para ministrar a palestra “Conhecimento de especialista para especialistas”.
Max começou a palestra dando três dicas simples: entender quem manda, entender gente e entender as mudanças. Para discorrer sobre isso, citou cases pessoais e do mercado. O especialista se ateve bastante na questão das mudanças, principalmente tecnológicas. Para ilustrar, citou o caso dos inseticidas. Após 43 anos de liderança, a Flit abriu mão da oferta de uma válvula e acabou perdendo o mercado. A Rhodia, apostou na válvula, desbancou a Flit e virou líder no segmento. Porém, recusou aderir à bomba de aerosol e perdeu seu espaço para a SBP. “Com essa história, podemos perceber que as situações mudam. O líder deixou a brecha e quem não era líder procurou essa brecha”, ensinou.
Seguindo pelo assunto das mudanças, Max salientou que elas estão cada vez mais caras. Para isso, usou o exemplo das lâminas de barbear. Citou os investimentos gigantescos da Gilette no desenvolvimento de produtos modernos, com cada vez mais lâminas móveis. O especialista apontou também o caso da Fiat Lux, que também realiza grandes investimentos, mesmo produzindo palitos de fósforo, um produto que parece não sofrer grandes transformações. Max Gehringer tira uma grande lição desse caso: se uma empresa que aparentemente não precisa investir muito em mudanças faz isso, os demais devem ficar ainda mais atentos. “É fácil entender as mudanças depois que elas ocorrem. Difícil é perceber o momento em que elas começam a acontecer e saber lidar com isso. Assim, o importante é perceber as mudanças enquanto elas ocorrem”, sintetiza.
Ainda em relação às mudanças tecnológicas, o claro choque entre as gerações é uma situação que exige atenção. “Os jovens têm a vida naturalmente acelerada. Eles nasceram nesse mundo, em que tudo é muito rápido. Por conta disso, acreditam que as mudanças também acontecem rapidamente nas empresas e a situação não é bem essa. A geração de seus pais, que ainda é quem manda na empresa, precisa de um pouco mais de tempo”, esclarece. Essa rapidez comum aos jovens criou a alta rotatividade de empregos, já que eles buscam mudanças e resultados urgentes. Ou seja, os reflexos das mudanças interferem diretamente no mercado de trabalho. É preciso ficar atento a elas e saber lidar com as novas situações, de preferência antecipando-se a elas.