Exploração irracional
Problemas como vazamentos na rede de distribuição, alto consumo e contaminação ameaçam o Aquífero Guarani
A água potável é essencial para a manutenção da vida. Porém, por causa do desperdício e da poluição, esse recurso natural está cada vez mais escasso. Uma das principais esperanças da população para garantir o abastecimento são as águas subterrâneas. No país, aproximadamente 80% das cidades do Centro-Sul já contam com água retirada das profundezas.
Nesse cenário, o Aquífero Guarani merece destaque. O reservatório de água doce é o maior da América do Sul abrangendo oito estados brasileiros – Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – além de outros três países – Argentina, Paraguai e Uruguai. A exploração do recurso através de poços artesianos tem sido comum nos últimos anos. Inclusive, há pontos de exploração ilegal e vazamentos na rede de distribuição. O ritmo acelerado pode colocar essa fonte em risco.
Segundo Manoel Tavares, presidente da Associação Ecológica Pau Brasil, Ribeirão Preto depende quase totalmente do aquífero e o alto índice de consumo tem causado um desequilíbrio entre a quantidade de água absorvida para estocagem através das chuvas e a quantidade retirada. “O Guarani nos oferece água limpa, pura e leve, com uma qualidade acima dos padrões e baixo custo. Entretanto, parece que não damos a devida importância ao recurso a ponto de garantir sua preservação. Extraímos a uma velocidade maior do que a natureza consegue recompor”, explica Manoel.
O ativista ambiental lembra que há tempos não era preciso perfurar muito para encontrar água. Agora, os poços estão cada vez mais profundos, revelando a diminuição da reserva. “Esse é um claro sinal de que o problema já é uma realidade. Quando fundamos a Associação, há 24 anos, já alertávamos que isso poderia acontecer. Agora, o cenário não é nada animador”, enfatiza. Para alguns especialistas, se a má gestão dos recursos hídricos continuar, a população ficará sem a água do Guarani nos próximos 20 anos.
Entre os principais itens que colaboram com a situação está o desperdício, tanto por parte da população, que não utiliza esse recurso de forma racional, quanto por parte do governo municipal, A água potável é essencial para a manutenção da vida. Porém, por causa do desperdício e da poluição, esse recurso natural está cada vez mais escasso. Uma das principais esperanças da população para garantir o abastecimento são as águas subterrâneas. No país, aproximadamente 80% das cidades do Centro-Sul já contam com água retirada das profundezas.
Nesse cenário, o Aquífero Guarani merece destaque. O reservatório de água doce é o maior da América do Sul abrangendo oito estados brasileiros – Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – além de outros três países – Argentina, Paraguai e Uruguai. A exploração do recurso através de poços artesianos tem sido comum nos últimos anos. Inclusive, há pontos de exploração ilegal e vazamentos na rede de distribuição. O ritmo acelerado pode colocar essa fonte em risco.
Segundo Manoel Tavares, presidente da Associação Ecológica Pau Brasil, Ribeirão Preto depende quase totalmente do aquífero e o alto índice de consumo tem causado um desequilíbrio entre a quantidade de água absorvida para estocagem através das chuvas e a quantidade retirada. “O Guarani nos oferece água limpa, pura e leve, com uma qualidade acima dos padrões e baixo custo. Entretanto, parece que não damos a devida importância ao recurso a ponto de garantir sua preservação. Extraímos a uma velocidade maior do que a natureza consegue recompor”, explica Manoel.
O ativista ambiental lembra que há tempos não era preciso perfurar muito para encontrar água. Agora, os poços estão cada vez mais profundos, revelando a diminuição da reserva. “Esse é um claro sinal de que o problema já é uma realidade. Quando fundamos a Associação, há 24 anos, já alertávamos que isso poderia acontecer. Agora, o cenário não é nada animador”, enfatiza. Para alguns especialistas, se a má gestão dos recursos hídricos continuar, a população ficará sem a água do Guarani nos próximos 20 anos.
Entre os principais itens que colaboram com a situação está o desperdício, tanto por parte da população, que não utiliza esse recurso de forma racional, quanto por parte do governo municipal, que ainda conta com uma rede de distribuição antiga onde podem ser encontrados diversos pontos de vazamento. Outro elemento que merece atenção é a contaminação das águas subterrâneas. Isso é agravado pela expansão urbana na Zona Leste da cidade. A área corresponde ao local de recarga do aquífero, inclusive com afloramento da água, ou seja, um ponto extremamente frágil. Assim, com a ocupação da região, é mais provável que a poluição atinja diretamente o Guarani, podendo comprometer o líquido armazenado.
As obras também impermeabilizam o solo, dificultando a infiltração da água. “A situação é realmente preocupante. O local deveria ser permanentemente preservado para garantir o abastecimento do aquífero. Com a grande quantidade de cimento e de asfalto cobrindo o solo, a população vivendo e trabalhando naquela região e a ausência de vegetação para filtrar os resíduos, o Guarani sofre. Não acredito que as pessoas façam isso propositalmente. Falta informação, conhecimento e consciência, mas ainda há esperança”, enfatiza o geólogo e professor universitário Osmar Sinelli. O especialista ainda lembra que existem sete aquíferos no Estado de São Paulo e Ribeirão Preto se beneficia de alguns deles, como o Serra Geral, também muito utilizado. Mas nenhum dos demais possui as dimensões do Guarani.
Para saber exatamente o que está acontecendo, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) de Ribeirão Preto fará, com verba proveniente do Fundo Estadual de Recursos Hídricos, aprovado pelo Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Pardo, o monitoramento eletrônico do Guarani. O objetivo é renovar as informações para obter dados confiáveis sobre o nível de rebaixamento e a qualidade da água. “Com a pesquisa, conseguiremos estabelecer o comportamento do aquífero atualmente. Isso é fundamental para traçarmos um plano de gestão adequado”, adianta Carlos Eduardo Nascimento Alencastre, diretor regional do DAEE. O trabalho deve começar no próximo mês e terá duração de dois anos.
Os equipamentos serão instalados em poços desativados do Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (DAERP). A maioria deles fica ao lado de poços em funcionamento. Seis deles serão fixos e outros seis, escolhidos aleatoriamente para servir de contraprova. Os pontos foram definidos de forma estratégica para obter uma amostragem completa da cidade. “Esta é apenas uma pequena contribuição, o primeiro passo. Esperamos que, depois dos resultados, alguma entidade se candidate a continuar o projeto. Precisamos cuidar, na prática, do nosso patrimônio natural”, finaliza o diretor.
Com o compromisso de:
