Explorando os sentidos
Com permanência até 30 de julho, o projeto “Experimentando Diferenças” proporciona aos participantes as sensações dos esportes paraolímpicos
Em uma arena cenográfica de 130 m² montada até o dia 30 de julho na 8ª expansão do RibeirãoShopping, moradores de Ribeirão Preto e região podem vivenciar experiências, muitas vezes, jamais sentidas. Mais do que isso, elas conhecem de perto a rotina de um atleta paraolímpico. No espaço do projeto “Experimentando Diferenças”, os monitores ensinam os interessados a jogarem basquete em cadeira de rodas, futebol com olhos vendados, bocha, handbike e games com simulação virtual. “Quando o participante chega aqui, ele vivencia o que as pessoas com deficiência passam no dia a dia e que, mesmo com dificuldades, continuam vivendo suas vidas com alegria. Além disso, elas conhecem um pouco do esporte paraolímpico”, explica o gerente do projeto, Cássio Fernando Cunha.
Criado em 2013, em Salvador (BA), o projeto já esteve em 14 cidades e contou com a participação de aproximadamente 115 mil pessoas. Atualmente, em sua 25ª edição, o “Experimentando Diferenças” conta com a chancela do Comitê Paraolímpico Brasileiro e com o patrocínio da Caixa Loterias. Segundo Cássio, o “Experimentando Diferenças” é importante para a sociedade, pois apresenta as vitórias conquistadas por todas as pessoas com deficiência, seja em driblar barreiras cotidianas ou conquistar medalhas. “Nós conseguimos ver que todas as pessoas que participam do projeto saem com outra visão. Ao experimentar, por um momento que seja, um desses esportes os participantes conseguem valorizar mais a pessoa com deficiência”, afirma.
Segundo Felix Diez, superintendente do RibeirãoShopping, o empreendimento sempre teve a preocupação de ser democrático, um espaço que possa receber todos os públicos. “Vimos a oportunidade de receber o ‘Experimentado Diferenças’ como uma forma de reforçar este nosso posicionamento, ajudando a sensibilizar a população não apenas com relação às demandas das pessoas portadoras de necessidades especiais, mas, principalmente, quanto a seus desafios e conquistas”, comenta o superintendente.
Segundo o Censo Demográfico realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 45,6 milhões de pessoas com deficiência. Dos cerca de 190 milhões de brasileiros, aqueles com pelo menos uma deficiência, seja visual, auditiva, motora ou mental, somam 23,9%. A prática desportiva por portadores de algum tipo de deficiência pode proporcionar todos os benefícios da prática regular de atividade física que são conhecidos, a oportunidade de testar seus limites e potencialidades, prevenir as enfermidades secundárias à deficiência e promover a integração social. “Vale ressaltar que o atleta paraolímpico traz inúmeras medalhas para o país. Se analisarmos os dados, há 14 anos, o Brasil ocupava a 35ª posição do ranking das paraolimpíadas; hoje, ocupamos o 7º lugar. Para os jogos Paraolímpicos Rio 2016, a meta do Brasil é terminar a competição entre os cinco primeiros do quadro de medalhas”, destaca Cássio.
O paradesportista Fernando Fernandes sempre foi amante do esporte. Após um acidente que aconteceu há 6 anos e o deixou paraplégico, a influência das atividades foi extremamente importante para sua evolução física e psicológica. “Vi que a ferramenta que eu tinha em mãos era continuar praticando esporte de uma forma diferente. Então, busquei novas maneiras de me reabilitar e de me encontrar no mundo. O esporte foi a minha ferramenta de comunicação com o mundo”, pontua.
Tetracampeão mundial de paracanoagem e campeão brasileiro de canoagem velocidade ao lado de três canoístas sem qualquer deficiência, Fernando revela que, além de praticar canoagem profissionalmente, faz outras atividades e ainda complementa com fisioterapia. Para ele, o incentivo ao esporte existe, mas falta olhar atentamente a cultura esportiva. “Muitas vezes, as pessoas não sabem qual o poder do esporte, seu intuito, o movito de conquistar uma medalha e o que esse resultado trará para a sociedade. Precisamos ver com clareza que o esporte influencia na economia, no turismo, no aspecto social do país. Acho que estamos perdendo uma grande oportunidade com as Olímpiadas, Paraolimpíadas e com o Mundial de abrir esses olhos”, expressa.
O paradesportista acrescenta que eventos como o “Experimentando Diferenças” é fundamental, pois os participantes estão em um lugar que não é um ambiente esportivo. “As pessoas chegam aqui, olham e ficam intrigadas. Essa arena chama a atenção de uma forma diferente e, assim, os participantes aprendem sobre a rotina de um atleta paraolímpico”, ressalta. Fernando teve conquistas diversas, tanto no esporte quanto na vida, e revela que sua mente se fortaleceu diante da nova realidade. “Hoje, sei que meu papel como ser humano é mostrar para as pessoas que tem outra forma de viver. Não é só com as duas pernas funcionando que você pode ser feliz. Você pode ser feliz de outra maneira, entretanto, vai ter que buscar um caminho novo e diferente que talvez, até então, ninguém tenha trilhado”, finaliza Fernando.