Fernando Braga

Fernando Braga

Assim Começou a Revide

No início de 1986, fui convidado por Isabel de Farias e Mônica Marques para diagramar a Revide. Estavam na equipe as editoras Elivanete Zupolini Barbi e Adriana Canova, os repórteres Delcy Mac Cruz, Guto Silveira, Luiz Henrique Trovo (falecido), Lia de Souza e Rita de Sousa. A arte final seria executada por Sueli Falleiros. Fernando Calzzani e Newton Barbosa ficaram responsáveis pelas fotografias. As ilustrações eram de Paulo Monteiro.

Uma foto do portão da mansão Junqueira Lobato entreaberto, localizada da esquina das ruas Visconde de Inhaúma com Américo Brasiliense, foi a capa da primeira edição da Revide com a manchete “Frestas do passado”. Reportagem de Mônica Marques procurava desvendar o mistério — a mansão que ficou fechada, enigmaticamente, por trinta anos, teria sido vendida? Na sequência, o estado dos diversos casarões que ainda resistiam apontavam que “Ribeirão perdeu o trem da história”.

O editorial afirmava que era “difícil trabalhar com jornalismo em Ribeirão, também porque a cidade oferece tantos entraves para a iniciativa e o desenvolvimento de um trabalho jornalístico”. E concluía que “a Revide tenta encarar este desafio. E utiliza como arma a visão e o potencial de uma geração de jornalistas. Um time jovem, com preparo físico e intelectual suficientes para revidar tal desafio”.

A primeira edição focou o jogo dos cargos do secretariado municipal; revelou, lado a lado, as duas faces do agronegócio regional com os números fantásticos da produção de açúcar, o “ouro branco”, e a dura vida dos boias-frias; mostrou o mercado de imóveis em alta e a Bovespa vendendo ações da bolsa de valores aqui em Ribeirão; abordou o problema da contaminação da área de recarga do Aquífero Guarani pelo lixão então existente na Zona Leste, chegando ao roubo de água, em que empresas perfuravam poços artesianos sem autorização, até um possível esgotamento do lençol freático sob a cidade, comprometendo o abastecimento num futuro não muito remoto.

O miolo da primeira edição, com 48 páginas e 6 mil exemplares, rodou em papel branco com impressão em preto, na gráfica do jornal O Diário. A capa, em papel couchê, foi impressa em sépia, na Gráfica Rochedo.

Na edição número dois da Revide, a demolição da mansão Junqueira Lobato foi estampada na capa, sangrando, sob a manchete: “Queda em dois tempos”. Em detalhe, uma foto do time do Comercial. A revista continuou com as mesmas características da primeira edição, mudando apenas a cor da capa, que passou a ser impressa em preto e a quantidade de páginas, que foi reduzida para 36.

Tempos depois, a revista já estava no formato 21x28, toda impressa em papel couchê. A Mônica saiu da sociedade e acabei saindo em seguida. O início foi sofrido para quem participou do projeto, com as dificuldades enfrentadas pela empresa. Hoje, mais de 30 anos depois, há quase quinze anos dono do Jornal da Vila, vejo a grandiosidade que virou a Revide, a revista de Ribeirão Preto. De uma simples fresta olhando para o passado, a Revista agora tem um vasto horizonte aberto para o futuro. 

Compartilhar: