Festas adiadas

Festas adiadas

Setor de eventos em Ribeirão Preto, um dos mais afetados pela pandemia do novo coronavírus, ensaia volta com novos protocolos sanitários e desafios, com aposta em forte retomada para 2021

Um dos principais segmentos econômicos em Ribeirão Preto, o mercado de eventos ensaia o retorno das atividades com novas regras e protocolos sanitários. Desafios para uma área que sentiu um dos maiores impactos durante a quarentena, com a proibição de festas na cidade a partir de março. Desde 14 de setembro, com o decreto municipal que autorizou a volta das celebrações, os empresários locais se adaptam para tentar reduzir os prejuízos e retomar o ritmo dos negócios com responsabilidade. Contudo, com uma retomada contida, a expectativa de recuperação total ficou para 2021.

A produção de eventos é responsável por 4,32% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem movimentação anual de R$ 1 trilhão. No entanto, de acordo com a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), com cerca de 300 mil eventos cancelados durante a fase mais rígida da quarentena, a estimativa é de que, até o mês de outubro, 840 mil trabalhadores do setor estejam desempregados. Ao todo, 51,9% dos eventos previstos para ocorrerem este ano foram cancelados, adiados ou estão em situação incerta, segundo a associação. Em Ribeirão Preto, a estimativa é que pelo menos 10 mil profissionais tenham ficado parados durante a quarentena.

ALTERNATIVAS NA CRISE

Um levantamento feito pelo Sebrae mostra que a pandemia do coronavírus afetou 98% do setor de eventos. Buscando soluções para sobreviver a esse momento e objetivando a preparação para a retomada dos negócios, 30,1% dos empresários disseram estão aprimorando a gestão. Uma preocupação também é o relacionamento com o mercado: 25,2% dos entrevistados estão fortalecendo essa relação por meio de ações nas redes sociais.

Para driblar os obstáculos e não continuarem parados, empresários se reinventaram no período de isolamento. “Tivemos um primeiro momento de choque, com tudo parado, mas tivemos de encontrar alternativas, novas ideias e soluções para seguir. Com as grandes festas desmarcadas, o trabalho nas redes sociais se intensificou, lançamos novos produtos, novas formas de levá-los ao cliente, por meio de novos serviços de entrega. São projetos que vieram em um momento de crise e que também vão ficar”, conta a empresária Sofia Angerami, sócia da Le Sofiah, doceria que tem eventos e festas, principalmente de casamento, como carro-chefe dos negócios. Durante a pandemia, a empresa expandiu ainda mais os caminhos, com a criação de kits festa para os clientes comemorarem em casa, cestas e presentes personalizados. “Nas datas como Páscoa, conseguimos manter o ritmo, com muita demanda e trabalho. Foi tudo muito corrido, por conta das decisões nesse período serem tomadas na última hora, mas continuamos o trabalho, acertamos e erramos, e aprendemos muito. Tudo é experiência e também foi possível tirar coisas boas deste momento difícil”, destaca a empresária, que segue com os serviços de delivery e encomendas para os clientes.

Segundo o Sebrae, as medidas adotadas durante a quarentena para evitar a falência abrangem novas ideias e a capacitação de funcionários: 17,2% dos empresários investem em qualificação da equipe para esse novo momento, e 15,5% adotam o uso de novas tecnologias.

Com uma experiência de 15 anos no segmento de festas, os sócios Ed Mendes e Flávio Moreno, da Ed Mendes Eventos, tiveram 70 eventos adiados durante o período de isolamento social e fizeram mudanças na rotina de trabalho, mas mantendo o ritmo em inovações e projetos. “Não precisamos dispensar nenhum colaborador. Nós adotamos o home office quando foi necessário, reduzimos carga horária e fizemos tudo que estava ao nosso alcance para manter toda nossa equipe, sempre priorizando a segurança de todos. Nós nos reinventamos. Com a preocupação crescente com higienização, criamos o Associação Brasileira dos Promotores de Evento afirma que 51,9% dos eventos previstos para ocorrer este ano foram cancelados, adiados ou estão em situação incerta tapete sanitizante e vendemos milhares de unidades para residências, empresas, consultórios, indústrias. Nos meses de junho e julho, criamos a caixa de delícias juninas. Além disso, intensificamos nossa presença nas redes sociais e nos meios digitais. Criamos também a ‘Terça do bem’, um espaço onde apoiamos as empresas locais que se reinventaram divulgando seus serviços e produtos para a nossa audiência nas redes sociais. Paralelamente, continuamos trabalhando na organização dos eventos de 2021 que ganharam mais tempo na elaboração, com reuniões virtuais”, explicam os assessores de eventos.

A presença nas redes e a proximidade com os clientes também foi o foco da empresa Bartenders-RP, que criou o serviço Let’s Drinks, que fornece o mix de produtos artesanais, equipamentos de bar, taças, copos e canecas de bar da marca para que as pessoas aproveitem os serviços oferecidos em casa. “Foi uma alternativa para tentar minimizar os prejuízos. Apesar do impacto, a crise também trouxe coisas boas, como a união de um setor forte na cidade, e que ainda não tinha uma organização em grupo. Para trocar informações e experiências, tivemos mais contato, criamos grupos de WhatsApp entre empresários, nos aproximamos da Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta). Tudo isso nos mostrou um novo caminho a seguir, que se mostra essencial mesmo depois da pandemia”, explica Daniel Lima, um dos sócios da empresa.

Flávio Moreno e Ed Mendes também avaliam de forma positiva a união do setor durante esse momento. “Percebemos que o setor tem se movimentado e se unido mais. Observamos que tem grupos do segmento de eventos se formando na cidade com a finalidade de trazer mais informações, facilitar a comunicação e a rede de apoio e oferecer benefícios para as empresas do setor. A sensação é de que a pandemia trouxe inovação, conectou mais as empresas e fortaleceu o setor nesse aspecto”, pontuam.

A empatia do cliente nesse momento de crise também é considerada um ponto positivo, segundo Daniel Lima. “Recebemos uma resposta positiva, pois praticamente todos os eventos foram remarcados, alguns até mais de uma vez. Os clientes se mostraram muito compreensivos com a situação, o que evitou problemas maiores”, conta o empresário da Bartenders-RP.

Segundo a Abrafesta pelo menos 1,1 milhão de casamentos são realizados por ano no país, sendo cerca de 300 mil em São Paulo. Neste ano, segundo a associação, a maioria desses eventos foi cancelada.

RETOMADA

A retomada dos eventos já está autorizada deste o dia 14 de setembro pela Prefeitura de Ribeirão Preto. Segundo o cronograma, para a realização de festas, além de todas as precauções sanitárias, os estabelecimentos devem respeitar o cálculo que leva em conta o menor número de pessoas. A ocupação está a limitada a 40% da capacidade ou a 50 participantes por evento. A partir de segunda-feira, 28 de setembro, a ocupação continua nos 40%, mas o limite de pessoas sobe para 100. Já em 19 de outubro, a capacidade permitida chega a 60% ou a 150 convidados.

No entanto, ainda segundo o decreto, para que o atendimento chegue a esse patamar, é necessário que a região siga na fase amarela ou avance para a fase verde do Plano São Paulo, que terá nova avaliação no dia 9 de outubro. “Apesar do decreto, ainda temos muitas dúvidas e incertezas. Sentimos que os clientes estão bem cautelosos, também. Percebemos que, depois da liberação, houve aumento de clientes interessados em marcar festas para o ano que vem. Por isso, acredito em uma retomada lenta, com uma expectativa muito positiva para 2021. Temos muita demanda de clientes a partir de janeiro. Isso de novas festas, sem contar as que já estão remarcadas”, diz Sofia Angerami, sócia da Le Sofiah. “Nossa expectativa para 2021 é a melhor possível. Acreditamos que, após a pandemia, as pessoas estarão comemorando muito mais, porque somos um país que ama festejar, está na nossa cultura e na nossa alma, ainda mais depois de um período tão longo de isolamento. Todas as nossas datas de 2021 já estão fechadas, então estamos preparados para retomar com muito trabalho e muitos sonhos realizados em 2021 e 2022”, contam Flávio e Ed.

Daniel Lima, do Bartenders-RP, também confirma a expectativa positiva para 2021 e afirma que o setor está preparado. “Estamos vivendo uma volta gradativa neste ano, com responsabilidade e dentro de todos os protocolos. Aqui na empresa, onde já adotávamos um padrão de medidas sanitárias, a preocupação é ainda maior com a segurança dos clientes. O setor está preparado e tem a experiência para atender com segurança. Acreditamos que 2021 será um ano de retomada, com o setor de eventos ainda mais forte”, conclui.

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