Fiéis abraçam a Catedral

Fiéis abraçam a Catedral

Ato foi um protesto contra construção de terminais de ônibus na Rua Florêncio de Abreu; padre disse que organizará abaixo-assinado

Dezenas de fiéis abraçaram, na manhã desta terça-feira, a Catedral Metropolitana de Ribeirão Preto, em protesto contra a intenção da Transerp e Prefeitura de construírem em frente ao templo duas estações de embarque e desembarque o transporte coletivo urbano.

O ato aconteceu logo após a celebração da missa das 9h e o número de fiéis de mãos dadas circundou toda a igreja. As pessoas iniciaram o abraço por dois lados da porta de entrada. No encontro, o padre Francisco Moussa comemorou porque “sobraram” pessoas no abraço, formando uma segunda corrente de pessoas.

Durante a missa, o padre fez críticas à proposta de construção de terminais, que deve ampliar o número de ônibus em circulação pela Rua Florêncio de Abreu, em frente à igreja. Como o templo já possui rachaduras nas paredes e pisos, considera-se que há risco de o problema se ampliar.

Um laudo da empresa de engenharia Falcão Bauer, apontou que os problemas de estrutura do prédio foi provocado pela vibração provocada pelo tráfego de veículos pesados. No final do abraço, o padre disse que não será esta manifestação apenas. “Vamos fazer um abaixo assinado. Isso não vai parar por aqui não”, afirmou.

Para a professora de história Nainora Maria Barbosa de Freitas, que leciona no Centro Universitário Barão de Mauá e no Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto (Cearp), o ideal seria que o quarteirão fosse fecchado para o trânsito e se construísse no local um calçadão.

“Falo como professora de história e cidadã. Como alguém que trabalha pela preservação do patrimônio cultural de Ribeirão. É importante o fechamnto aqui, uma vez que é preciso pensar o patrimônio cultural de uma forma mais ampla, como o mundo inteiro tem feito, com o seu bem patrimonial”, afirmou.

Ela comentou ainda que a sociedade precisa entender o que significa este patrimônio histórico para a cidade. E lembrou de toda a movimentação feita pela restauração do Theatro Pedro II, depois qie sofreu incêndio, para afirmar que a catedral também tem este valor histórico.

Para o Frei Mauro, da Pastoral de Comunicação da Arquidiocese, que participou da celebração da missa, o abraço à catedral é simbólico e representa o abraço a uma causa defendida. “Quando vemos esta manifestação cheia de ternura, passa-se a refletir que não basta professar a fé, mas que é preciso abraçar a causa”, afirmou.

Ele também cobrou amor pela cidade, pela preservação de outros prédios históricos. “Hoje nós abraçamos a catedral como ponto experssivo de um grande patrimônio. Nossa cidade tem muito patrimônio que precisa de um abraço. É preciso amor pela cidade”, disse.

Também tem trabalhado contra a construção das estações no local o Fórum das Entidades de Ribeirão Preto (Ferp), que reúne 24 entidades representantes de empresários e profissionais liberais. Uma Comissão Especial de Estudos (CEE) da Câmara, presidida pelo vereador Rodrigo Simões (PP), também concluiu que o local não é adequado à construção.

O Ministério Público que propôs um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) pelo cumprimento do contrato de concessão do transporte coletivo, também acompanha a discussão do assunto.

Novo laudo

A prefeitura ainda não decidiu definitivamente se construirá as estações de embarque no local. Apesar de planejadas, elas dependem de um laudo técnico. A construção já teria sido aprovada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), mas condicionou a obra na Rua Florêncio de Abreu “à apresentação de um laudo técnico que comprove que o tráfego de veículos pesados (ônibus) não é foco de vibração excessiva e danosa à estrutura da Catedral de São Sebastião, ou, do contrário, que se implante, no leito viário, todas as medidas cabíveis para a preservação da integridade estrutural da basílica”, informou a Prefeitura em nota, afirmando ainda que já busca a análise para obtenção do laudo.

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Guto Silveira
Fotos: Julio Sian e Divulgação

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