Fiscalização intensificada
Prefeita assegura que a fiscalização de bares e casas noturnas de Ribeirão Preto será intensificada após tragédia no RS
Três bares foram interditados e três casas noturnas multadas pela Vigilância Sanitária na noite da última sexta-feira (25) em Ribeirão Preto (SP), apenas um dia antes do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), que matou 231 pessoas. A falta de alvará de funcionamento foi um dos principais problemas constatados durante a operação, que contou com a participação da Polícia Militar e do Ministério Público.
O objetivo da operação realizada na noite anterior à tragédia no Rio Grande do Sul foi verificar as documentações e condições de higiene dos estabelecimentos, além da venda irregular de bebida alcoólica para menores de idade. Dois adolescentes foram levados para o Plantão Policial porque estavam em uma boate sem documento de identidade e consumido bebidas alcoólicas, e depois liberados.
Em nota na rede social Facebook, a prefeita de Ribeirão Preto Dárcy Vera (PSD), afirmou hoje que a fiscalização será intensificada nos bares e casas noturnas da cidade. “Nosso trabalho será intenso para verificar as condições dos espaços e garantir segurança aos frequentadores e funcionários”, garantiu.
Ademir Gonçalves de Albuquerque, engenheiro civil de segurança do trabalho com 30 anos de experiência, recorda apenas de um episódio semelhante, registrado em 1995 na cidade, onde um incêndio em uma casa noturna fez uma vítima e alerta para o respeito às normas de segurança.
“A preocupação maior é com o excesso do número de pessoas, além disso, com as mudanças internas feitas após a expedição do alvará, principalmente de decoração, e com uso de materiais inadequados, que acabam por comprometer o acesso aos equipamentos de proteção e combate”, explica o profissional.
Para Albuquerque, a legislação existente já permite um excelente controle. O problema, na sua opinião, é falta de fiscalização, principalmente porque o alvará tem duração de três anos, mas após um ano os equipamentos de segurança já podem apresentar danos, necessitando serem substituídos.
“ O alvará é expedido seguindo a norma brasileira de segurança (NBR), e se o proprietário o possui significa que ele recebeu orientação com relação aos equipamentos de segurança que precisa ter no local, esses equipamentos foram avaliados e nesse alvará há o numero de pessoas que o estabelecimento comporta, calculado segundo normas específicas e que determina no máximo duas pessoas por metro quadrado. Acontece que nessas ‘baladas’ que ‘bombam’, como dizem os adolescentes, a gente sabe que esse limite é ultrapassado”, avalia.
Outros dois pontos levantados pelo engenheiro são a falta de treinamento do pessoal de segurança para lidar com situações de emergência “o pessoal está mais preocupado com separar brigas do que fazer qualquer pronto atendimento o despreparo é generalizado” e a falta de visão do empreendedor com relação ao investimento em equipamentos de segurança “o ‘chuveiro’, por exemplo, é acionado automaticamente com o aumento da temperatura, mas sua indicação está relacionada ao tamanho do local e como as casas noturnas geralmente não são grandes, e trata-se de um investimento alto, ele é desprezado. No entanto, qualquer sistema de combate imediato é de grande valor, o empreendedor precisa ter isso em mente”, conclui.
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