Flores têm muito a dizer

Flores têm muito a dizer

Com a chegada da Primavera, a estação mais alegre do ano, renovam-se os ânimos para o cultivo em casa e o presentear com flores, as eternas amigas do ser humano quando o assunto é beleza e bem-estar

Não se pode negar a beleza que as diferentes cores, tonalidades e formatos das flores imprimem a um ambiente. Ainda que sua razão de existir na natureza esteja muito além da missão de enfeitar o mundo — constituindo os órgãos sexuais das plantas —, as flores tornam salas, escritórios e halls, festas e eventos, jardins e outros ambientes mais agradáveis. São também transformadoras do comportamento, segundo uma pesquisa realizada pela Texas A&M University, que comprovou a melhoria do humor, da memorização e o aumento da produtividade, da criatividade e da capacidade de resolver problemas nas pessoas que recebem flores e plantas como demonstração de gratidão.

Outra importante função está no tratamento humano. Data de antes de Cristo a utilização de plantas e flores contra malefícios do corpo e da mente. Há registros de que, no século XVI, Paracelsus já utilizava as essências florais para tratar de desequilíbrios emocionais. Nos anos 30, o médico Edward Bach desenvolveu a terapia por meio de essências florais que leva seu nome. Passados 85 anos, o tratamento, que objetiva equilibrar as emoções do paciente, é cada vez mais utilizado nos consultórios de terapeutas, psicólogos e médicos.

As flores estão com tudo, ainda mais agora, com o início da Primavera. A estação mais colorida do ano começou no dia 21 de setembro e estende seu charme, encanto e beleza até 21 de dezembro.

Mensagem das flores 

Cada flor também pode corresponder a uma mensagem e, nesse sentido, cor, tamanho, desenho geométrico e perfume contam. Os significados variam, tanto podendo identificar diferentes personalidades quanto servir para se energizar um ambiente ou presentear com um propósito definido.

Para escritora e filósofa argentina, Isabel Furini, autora de “Mensagem das Flores”, as violetas são preferidas pelos tímidos; as rosas, por quem acredita que a vida sem amor não vale a pena; as orquídeas, pelos que buscam a perfeição; o cravo, por pessoas dinâmicas; o jasmim, pelas que valorizam a inteligência; a margarida, por quem é leal; a coroa-de-cristo, por pessoas espiritualizadas; a flor-de-cacto, por quem é cheio de energia; a flor-de-ipê, pelas espontâneas, e a verbena, pelas otimistas.

Em relação às cores, o amor é expresso pelo vermelho, o desejo pelo laranja, a gentileza por rosa, a pureza pelo branco e a alegria por amarelo, que também pode servir como advertência. Combinadas, as cores podem ter sentidos diferentes, como as amarelas com vermelhas, que remetem para sentimentos joviais e de felicidade, e as vermelhas com brancas, que tanto podem significar unidade quanto traduzir respeito e coragem.


Os formatos e espécies também têm muito a dizer. Uma coroa de rosas, por exemplo, significa recompensa ou virtude, enquanto um ramo de rosas desabrochadas quer dizer gratidão. A afelandra e a gloxínia significam amor à primeira vista — a segunda traduz também a intenção de namoro ou casamento. Para se declarar a um amor antigo, nada como um vaso de azaleias vermelhas e para confirmar que ainda se é perdidamente apaixonado pelo outro, basta a delicada flor-de-cetim. Se o amor acabou, mande um buquê de crisântemos amarelos.

Também na decoração, as flores e as plantas naturais remetem a intenções. No Feng Shui, são considerados seres vivos que geram energias boas e absorvem as negativas sendo, por isso, indicados para tornar os ambientes mais alegres, perfumados, bonitos e prósperos. Nesse caso, o branco traz paz, pureza e inocência; o vermelho paixão, amor e desejo; o rosa beleza, saúde e romance. O lilás indica espiritualidade e intuição. O ideal é manter as flores próximas à entrada, num jardim, no hall do elevador ou em um simples vaso.

Rosas são eternas 

Elas são unânimes em todas as estações e estilos. A mais antiga flor de que se tem conhecimento (a primeira parece ter crescido nos jardins asiáticos há 5000 anos), a rosa se tornou um ícone de amor, tanto que Shakespeare, no clássico “Romeu e Julieta”, escreveu que “aquilo que chamamos rosa, com outro nome, seria igualmente doce”.

Associadas a um agradecimento, um pedido de desculpas ou uma demonstração de amor, elas têm um significado. “Rosas serão sempre um belo presente. Acabamos de preparar um buquê de 40 rosas vermelhas para um marido dar de presente para a esposa pelos seus 40 anos, um lindo gesto”, conta a empresária Isabel Ramazza Marques. Com esta e outras histórias, há cerca de 150 dúzias por semana virando presente. “Rosas são tradicionais e tem opções para todas as ocasiões: aniversário, namoro, casamento. Em formatura, por exemplo, a amarela é muito utilizada porque significa sorte, bonança”, completa Isabel.

Para a rosa durar mais:

colocar imediatamente na água com 20 cm de altura
retirar as folhas abaixo do nível da água
cortar 2 cm da ponta de cada haste, em sentido diagonal, a cada dois dias
adicionar água fresca sempre que o nível estiver 1/3 do volume inicial
evitar ambientes com insolação, correntes de ar, calor, frutas amadurecendo ou fumaça

Curiosidades

Em situações em que o romance já não está tão bem assim, há exemplos muito interessantes. Um buquê de alfazema serve bem quando se instala a desconfiança entre o casal. Já um arranjo de cravos amarelos quer dizer que você não está nem aí para a pessoa. Nesta cor, a flor significa “desdém”. As plantas servem também para dar recados embaraçosos, sem que se necessite dizer uma palavra, o que é muito confortável, em especial, para os mais tímidos.

A tendência das orquídeas

Muito valorizada pela beleza, que tem fascinado os homens por mais de 2.500 anos, a orquídea já foi utilizada em poções curativas e tem longa história de apreciação pelos chineses, desde século X antes de Cristo. Encontradas em enorme variedade todas as regiões do planeta, essas belezas naturais são tão apreciadas hoje em dia que chegam a ser colecionadas, principalmente por homens, e viraram símbolos de elegância na decoração de diferentes ambientes. “Eu não imaginava como era grande a procura do público masculino. Muitos colocam em árvores outros criam um espaço em casa. Questionei um cliente que vem praticamente toda semana em busca de novidades e ele disse que começou achando a flor bonita e acabou se tornando um colecionador. São perfis diferentes, as mulheres gostam para enfeitar a casa e os homens, pela variedade para a coleção”, comenta a gerente Bárbara Prates Goulart (Babi).As catleyas são as mais comuns e a phalaenopsis, muito indicada para ambientes internos, apartamentos e consultórios. A “queridinha” da decoração atualmente, segundo Babi, é a Vanda, de origem asiática. 

O cuidado com a orquídea:

Luminosidade: não tomar sol direto, principalmente, após as 12h
Umidade: se o substrato estiver úmido, não regue
Temperatura: o ideal para a floração é alta durante o dia, diminuindo acentuadamente à noite
Ventilação: nunca em lugar abafado, sempre em uma corrente de ar, que ameniza o calor e reduz o excesso de umidade evitar ar condicionado
Não usar terra, apenas substrato, fibra de coco ou casca de macadâmia regar pouco, três vezes por semana — no cultivo da orquídea, melhor pecar pela falta do que pelo excesso.

Nada como um belo jardim

Originada da junção do hebreu “gan” (proteger) e “éden” (prazer), a palavra jardim expressa a criação de um pequeno mundo ideal. Constituído de um terreno onde se cultivam plantas ornamentais para momentos de lazer e contato com a natureza, os jardins estão presentes na história da humanidade desde a antiguidade e, hoje, podem ser classificados basicamente em cinco tipos: clássico, contemporâneo, neoclássico, tropical e japonês. No século XX, o paisagismo e a jardinagem foram introduzidos na planificação urbanística das cidades.

O jardim clássico tem linhas geométricas e simetria com círculos, retângulos, triângulos e semicírculos, combinados de forma desenhada. “Utiliza muita poda, fontes, espelhos d’água e frutíferas”, explica o paisagista Marcelo Faria. O contemporâneo apresenta poucas plantas, pouca variedade de espécies, amplitude de gramado e diferentes tonalidades de verde. O neoclássico mescla os anteriores e, segundo Marcelo, exige habilidade para ser criado. No tropical, a ideia é recriar um ambiente de muito verde e flores. Já o estilo oriental é cheio de simbolismo, busca o culto à natureza e usa pedras, água, lamparinas, peixes e pontes.

Se falta espaço, mas não vontade de ter um jardim, Marcelo dá a dica: vasos e paredes verdes são fáceis de manter, mesmo em apartamentos. Jabuticabeira, pata-de-elefante e árvores da felicidade são algumas espécies indicadas por ele.

Como manter um belo jardim

Observar o solo
Avaliar a temperatura, a umidade, o nível de insolação e as condições de clima
Escolher a espécie que melhor se adapta aos fatores avaliados
Adubar e podar com regularidade
Regar o necessário para a espécie escolhida
Observar se as folhas não estão amareladas, o que pode indicar doença por bactéria, fungo, vírus ou falta de nutrientes no solo

Valorizar as nativas

Milton Groppo, biólogo e professor do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP), destaca a importância de se valorizar espécies nativas. As áreas verdes de Ribeirão Preto, por exemplo, além de escassas, têm uma quantidade muito grande de espécies exóticas, como o Ligustro (asiática) e o Flamboyant (de Madagascar), em vez das naturais da região, como o Jequitibá, a Peroba Rosa e o Pau Marfim. “Faço uma crítica à falta de conhecimento sobre as plantas. Ninguém preserva aquilo que não conhece. A consciência ambiental também está em um vaso ou em um jardim”, ressalta Groppo.

Estudar novas possibilidades para compor um jardim, por menor que seja, constitui uma maneira de preservar o meio ambiente. “Cultivando plantas nativas e valorizando a regionalidade em projetos paisagísticos, pode-se contribuir para a manutenção dos ecossistemas naturais”, explica o biólogo. Um exemplo de espécie própria da região é a paineira da família Malvacea, indicada para grandes áreas, e o Ipê-Amarelo (da família Bignoniaceae), para ruas e calçadas. “Como elas, outras podem ser utilizadas para enfeitar, presentear, energizar e melhorar o ambiente, a cidade e o mundo. Basta querer”, pontua Groppo.

Flores o ano inteiro

Para manter o ambiente sempre florido e diferenciado, seja qual for a época do ano, vale conhecer algumas flores mais indicadas para cada estação

No verão (dezembro a março), prefira flor-de-lis, gérbera, amarílis, bromélia, antúrio, cravina, lisiantus, margarida, crisântemo, girassol e lírio branco.
No outono (março a junho), as ideais são hortênsia, flor-de-maio, azaleia, rabo-de-gato, gipsufila, strelitzia, cravo, cymbidium, gladíolo, tango e tulipa.
No inverno (junho a setembro), escolha lupino, lírio-da-paz, flor-de-sino, begônia, prímula, angélica, cymbidium, strelitzia, goivo, copo-de-leite, oncidium.
Na primavera (setembro a dezembro), as opções são muitas, como gérbera, violeta, narciso, petúnia, lírios, lisiantus, boca-de-leão, crisântemo, copo-de-leite, estátice, frésia, agapanto, áster, dália, gladíolo.

Plantas de interior: (suportam luz indireta, áreas quentes e não exigem muita água)
Normalmente são de folhagem muito bonita, como palmeira, maranta, lírio da paz, antúrio, violeta.

Plantas de exterior: (suportam pleno sol) Geralmente, são bastante rústicas, necessitando de poucos cuidados, como lantana, gerânio, isora, lírio amarelo.

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Yara Racy
Fotos: Julio Sian e Ibraim Leão

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