Foco na inovação
Em entrevista para o portal da Revide o administrador Diego Bartolo comenta sobre os avanços do mercado digital
A internet é uma rede em constante expansão e mudanças, prova disso é o número crescente de usuários da rede. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope, o Brasil atingiu recorde de 94,2 milhões de usuários, considerando tanto os que acessam a rede em casa, no trabalho, escolas e postos públicos como lan-houses. Esses dados gerais foram consolidados no terceiro trimestre de 2012.
O número de usuários ativos em casa ou no local de trabalho cresceu 5,8% em fevereiro de 2013 em comparação ao mesmo período em 2012. Em fevereiro deste ano, o número foi de 51,5 milhões e, no ano passado, foi 48,7 milhões, revela a pesquisa NetView, do IBOPE Media.
A facilidade de acesso e avanço de usuários faz com que muitas empresas optem pelo mercado digital como uma estratégia de comunicação que oferece resultados que cabem no orçamento. Sabendo que o mercado digital tem um papel fundamental na gestão e divulgação de uma empresa. o administrador e sócio diretor da empresa RnW Diego Bartolo. comenta sobre as possibilidades que o mercado digital pode oferecer para empresários e clientes.
Quando você começou a se interessar por assuntos relacionados à internet e mercado digital?
Ainda na Universidade, meu melhor amigo e atual sócio, Luiz Felipe Campos, teve a ideia de empreendermos. Como ele era “heavy user” de internet e de computação em geral, teve a ideia de lançarmos algum site ou portal em que pudéssemos seguir estudando e projetando um retorno em médio prazo. A ideia tomou corpo, mas como o mercado de Jaboticabal era pequeno, principalmente para alguns projetos de internet, decidimos que teria um foco em Ribeirão Preto, onde tínhamos um bom networking e possibilidade de criarmos alianças e parcerias estratégicas – isso para um start up é muito importante. Dessa ideia, surgiu. em 2010, o ribeiraonaweb.com.br, um portal de comércio e entretenimento, que visava proporcionar conteúdo e vender espaços publicitários.
Você se considera um “heavy user”?
Esse termo foi popularizado, porém, ainda existe um grande preconceito em torno da internet e de utilizá-la muito. Não sou aquela pessoa ligada a jogos, que tem todos os devices do mercado etc. Porém, para uma questão de business, networking e relacionamento, principalmente no tocante as facilidades de aplicativos como o bancário, de compras, comparação de preços, me considero sim um heavy user de internet.
Fale um pouco sobre a sua experiência nessa área.
Após colocarmos o portal no ar, sustentamos o projeto por cerca de oito meses. Vimos muitos erros de planejamento e definição do target e do público-alvo. Começamos então a buscar novos conhecimentos e passamos a nos especializar em Estratégias de Marketing Digital como Desenvolvimento Web, Gestão de Mídias Sociais, SEO (Search Engines Optimization ou Otimização para Sites de Busca), Email Marketing, Links Patrocinados, E-commerce. Fiz muitos cursos em São Paulo, à distância e até mesmo aqui em Ribeirão Preto. Portanto, são mais de dois anos estudando esse mercado e estratégias. Decidimos fazer uma mudança de posicionamento e passar a oferecer estes serviços, e em maio de 2011 surgiu a RnW – Marketing Digital. E desse momento em diante venho me especializando no Marketing Digital.
Na sua opinião qual é a real função da internet?
Dificilmente eu conseguiria definir uma função para uma tecnologia que não é apenas uma mídia ou um meio de comunicação. A internet trouxe uma revolução em diversos aspectos, desde o comportamental, mudando a dinâmica das pessoas na vida profissional e social. Na educação, a internet é um meio muito mais democrático de alcance à cultura e ao conhecimento, assim como na política e nos conflitos humanos, nos proporcionando notícias de revoluções dos quatro cantos do mundo, em tempo real. Enfim, acredito que para cada um a internet possa ter uma função determinante. Na minha opinião, a internet serve como uma extensão de nós mesmos, chegamos através dela a lugares, pessoas que nunca conseguiríamos em tempo real. Dessa maneira, considero uma tecnologia que faz com que nós possamos ultrapassar nossas barreiras humanas, físicas e geográficas. Pena que esse excesso de poder e de possibilidades, ao invés de integrar tem isolado as pessoas, que tem trocado o relacionamento off pelo online, esfriando as relações humanas. Como tudo em nossa história temos o ônus e o bônus da internet e suas aplicações.
Quais os prós e contras do mercado digital?
O mercado digital tem um grande ponto a seu favor: a mudança de hábito dos consumidores, que hoje passam cada vez mais tempo na internet, conectados em casa ou em seus escritórios, nos desktops em seus diferentes devices mobile. Dessa maneira, não podemos mais pensar uma empresa que não esteja na internet seja com um site, blog ou nas redes sociais, porque seus clientes estão. Eles reclamam, elogiam, pedem por novos produtos e serviços como informações dos mesmos, em fóruns e redes sociais.
Podemos somar a essa mudança de hábitos, a possibilidade de nos relacionarmos com nossos clientes em tempo real, por exemplo, nas redes sociais ou com aplicativos mobile - o que um outdoor, por exemplo, não faz. Mas, assim como existem diversos aspectos positivos, esse excesso de liberdade e poder dado aos clientes é uma grande ameaça, principalmente para empresas que não monitoram sua presença no mundo digital. Estar na internet não é simplesmente ter uma página no Facebook. É necessário haver um planejamento e monitoramento para que a empresa possa ter um bom desempenho no digital e não esteja tão vulnerável a problemas que possam surgir.
A internet ainda é novidade para algumas pessoas, quando o assunto é usá-la como ferramenta no mercado de trabalho fica ainda mais difícil. Como o empreendedor saberá o momento certo de investir nesse meio?
Acredito que hoje essa pergunta tem que ser feita no plano de negócios inicial da empresa. Um exemplo que sempre escutamos: “qual é seu site? Não consigo encontrar seu site no Google? Vocês tem página no Facebook?”. Estas são perguntas que praticamente 99% dos empresários já escutaram. Por isso, existe um bom motivo para começar a investir no digital. Esse é o meio em que o investimento nas mídias mais cresce, assim como os usuários, a abrangência e os produtos que estão vinculados a internet. Acredito que hoje, no mais tardar amanhã, os empreendedores devam se informar e procurar um posicionamento no mercado digital, mesmo porque o investimento é muito mais barato que em mídias tradicionais e você tem diversos mecanismos diferentes para utilizar, gratuitos ou pagos.
E como começar a investir no mercado digital?
O principal é ter facilidade em lidar com a internet, assim como ter curiosidade e não ter preguiça em aprender, porque na internet se encontra tudo: tutoriais, vídeos, vídeo aulas, blogs (institucionais e colaborativos), cursos presenciais e online, ferramentas (gratuitas e pagas). Caso contrário, procure por um profissional que possa lhe oferecer uma consultoria ou prestar serviços de marketing digital, pois o mercado ainda necessita de mais player’s e solidificar-se para termos, assim, mais agências especializadas e de qualidade. Mas, estamos caminhando bem para isso e hoje as empresas encontram diferentes profissionais, prestando serviços com uma variedade de valores. Como tudo que é novo devemos ter cuidado, com o contrato que assinamos e com o profissional, com quem estamos nos comprometendo. Uma dica é procurar saber quais serviços a empresa já realizou, quais empresas já atendeu é por aí vai. São perguntas importantes na hora de prospectarmos esses fornecedores.
Na sua opinião, a capacitação dos profissionais é importante para um bom relacionamento entre rede e usuário?
O melhor ditado em nossa área é: gaste 10% com a ferramenta e 90% com as pessoas que irão manuseá-la. Hoje a capacitação se tornou imprescindível, devido a velocidade de mudanças no mercado, como das ferramentas. Portanto, se nos concentrarmos em apenas uma ferramenta, ao invés de treinarmos nossos funcionários, ficamos a mercê de uma tecnologia que pode estar ultrapassada. Por isso, nós investimos bastante em nossa equipe interna, com cursos online e presenciais fora de Ribeirão Preto, para trazer conhecimentos diversos, assim como novas experiências. E também ministramos cursos de treinamento para funcionários, além de palestras como o Fora da Caixa, um evento mensal da RnW para divulgar os serviços e o mercado digital em Ribeirão Preto e região.
Quais os cuidados que devem ser tomados para minimizar os riscos virtuais?
O principal é o monitoramento da sua marca na internet. Hoje temos diversas ferramentas no mercado, gratuitas e pagas, nacionais e internacionais. Elas suprem essa necessidade e trazem todo o tipo de relatório de menções da sua marca, como comentários positivos e negativos, que página o cliente mais visita no site ou na rede social, todo o caminho feito até a compra, que mídia o trouxe aquela conversão ou compra, entre muitas outras informações estratégicas. Não existe uma campanha de sucesso na internet sem monitoramento. Outro cuidado importante é com as plataformas que serão utilizadas, principalmente para pagamentos online, evitando fraudes com cartões de crédito, entre outras. Portanto, quando for fazer sua Loja Virtual, E-commerce e/ou Facebook Store (Loja no Facebook), tome cuidado com os meios de pagamento e sua integração com sua loja.
Existe alguma característica que represente o empresário com experiência no mercado digital?
Normalmente é uma pessoa que já trabalhou em alguma agência que atende digital, mas é bem difícil, porque hoje temos muitas pessoas especializadas em Social Media, SEO, Links Patrocinados, entre outros serviços. Dificilmente temos um profissional completo nessa área, porque são muitos detalhes e especificidades que mudam a todo tempo. Mas, o ideal é fazer uma análise no currículo tradicional e enfatizar as campanhas e clientes que ele já atendeu.
Cite alguns motivos que mostram que o mercado digital é ideal para as micro e pequenas empresas.
Acredito que o jargão muito utilizado por pessoas que fazem Gestão de Redes Sociais está defasado: “entre nesse mercado porque é barato ou porque vai proporcionar um resultado rápido”. Em primeiro lugar acredito que a maioria das empresas e empresários, dentro de suas possibilidades, deveriam ter alguma ação ou operação dentro da internet. Mas, a internet não é o país das maravilhas, suas ações tem um custo que pode não ser tão barato, vide as compras coletivas que já quebraram muitos comerciantes e eram tidas como solução para o marketing do pequeno varejo. Acho que, realmente, o barato do digital é você poder com pouco investimento, ou dependendo do conhecimento, com zero investimento financeiro, ter um site, blog, um canal de vídeos, uma página na Facebook ou Linkedin que te traga leads e ótimas oportunidades de negócio. Mas, mesmo que não seja gasto dinheiro efetivo, será gasto tempo e tempo é dinheiro. Para ter sucesso tem que ser bem feito e isso demanda esforço. Portanto, devemos analisar o que fazer, quando fazer, por quê fazer e, o mais importante nesse mercado, com quem fazer.
O que faz um empresário não ter sucesso no mercado digital?
Demandar pouco tempo e esforço para as ações, como para o planejamento, execução e controle. Como qualquer operação, para termos resultados relevantes precisamos nos dedicar, financeiramente ou com nosso tempo, melhor que seja com os dois. No tocante interno, não dando possibilidades reais para a equipe interna se desenvolver ou tendo pouca proximidade com o fornecedor do serviço. Outro fator para o fracasso é a escolha equivocada da equipe interna ou do profissional que irá desenvolver seu projeto.
E qual seria a chave para alcançar o sucesso no mercado digital?
Além de todos os pré-requisitos de um negócio ou projeto tradicional o melhor é utilizar o que o mercado digital traz de mais avançado e diferenciado, que dificilmente encontramos em outros mercados: o monitoramento e os indicadores de resultados são reais e não estimativas, uma boa ferramenta de web analytics e um profissional bem treinado. Com isso, conseguimos caracterizar todos os leads, os problemas de navegação, os produtos e caminhos que dão maior retorno, qual mídia que mais converte em nosso negócio, qual melhor horário para converter em nosso negócio, entre outros indicadores. A partir desses indicadores, podemos retirar insights para melhorar nossa plataforma, através de ferramentas de sensor de calor que mostram onde os olhos do nosso cliente estão voltados e muito mais. Uma segunda característica para o sucesso é integrar o On e o Off. O que muitos vêm chamando de Transmedia, fazer ações com diversos canais de mídia de maneira integrada. Pesquisas mostram que esse mecanismo aumenta muito as conversões.
Liste alguns aplicativos que podem ser usados no mercado de trabalho.
Como estamos falando muito de conversões, eu indicaria o Google Analytics, para analisarmos desde os acessos do nosso site (tecnologia utilizada, cidade, idioma, horário), Páginas mais acessadas, Conversões (Compra, Orçamentos, Email Enviados, Qual mídia me traz maior retorno, Campanhas) entre diversos outros relatórios que esta ferramenta gratuita nos proporciona. Falando de redes Sociais, indicaria o Livebuzz, ferramenta brasileira, proveniente de Bauru, que foi comprada pela Dinamyze e tem abrangência nacional. É mais completa que muitas outras estrangeiras. Nesse ponto estamos muito bem amparados com ferramentas e serviços digitais no Brasil, podem confiar. Existe uma infinidade de outras ferramentas como eye-tracking (sentimento de calor no site), rank tracker (posicionamento do seu site no google). Uma dica: o melhor é digitar no google o que você necessita e terá uma infinidade de ferramentas. Normalmente elas te dão 15 a 30 dias de trial grátis. Faça um login e teste normalmente. Todas têm vídeos explicativos e tutoriais bem fáceis. Comece por ferramentas da Web Analytics e de Monitoramento e depois vá ampliando o leque, senão serão muitas tecnologias novas e muitos dados e relatórios que não farão sentido.
Revide On-line
Texto: Pâmela Silva
Fotos: Divulgação