Foco na reforma administrativa

Foco na reforma administrativa

"Essa missão terá pela frente o desafio de criar, extinguir, fundir e cindir departamentos e até mesmo órgãos inteiros", escreve Fabiano Guimarães

É chegada a hora de uma radical reforma administrativa na máquina pública de Ribeirão Preto e de aplicar conceitos de gestão coerentes com nosso tempo. A população nunca clamou tanto por medidas drásticas que realmente surtam efeito na forma como elas percebem que o valor recolhido em impostos esteja valendo a pena. Se isso não for feito, a cidade deixará de atrair talentos, como fez ao longo de sua história, e perderá cada vez mais eficiência no serviço público, reduzindo a qualidade de vida de todos, assim como o potencial de crescimento.

Pessoas precisam ser realocadas e capacitadas, processos precisam ser redesenhados e a tecnologia precisa ser incorporada, integrando a máquina pública voltada para transparência e a qualidade. Para que essas ações possam ser colocadas em prática, é preciso o mais importante de tudo: liderança. O prefeito, como “gerente da máquina pública”, é quem deve engajar os servidores junto com a sociedade civil organizada, entidades, sindicatos, universidades e empresas e, juntamente com a Câmara Municipal, suar muito a camisa perseguindo obstinadamente uma reviravolta na organização da Prefeitura. 

Inclusive, o prefeito deveria permitir que um secretário de administração com competência especializada para tocar essa área, que requer conhecimento e experiência em Gestão de Recursos Humanos e de Organizações, tenha tempo para direcionar suas ações e não acumular outras funções ou outras secretarias.

A execução deste trabalho de proporções épicas terá o desafio nada trivial de promover, motivar e controlar o funcionalismo de forma a fazer com que cada servidor tenha compromisso não somente com sua função, mas com sua divisão, seção e departamento, fazendo com que a secretaria inteira tenha como foco a satisfação do cidadão e os servidores tenham visão sistêmica e sejam alinhados com o mundo digital.

Essa missão terá pela frente o desafio de criar, extinguir, fundir e cindir departamentos e até mesmo órgãos inteiros. Há uma enormidade de duplicação de tarefas e custos nas secretarias da administração direta e órgãos da administração indireta que poderiam ser concentrados e otimizados, assim como as empresas fazem com seus “back offices” e estruturas de serviços compartilhados, liberando servidores capacitados para outras funções carentes de suporte administrativo, principalmente nas unidades escolares de Centros de Educação Infantil e Creches Conveniadas (CEIs), Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs) e Escolas Municipais de Educação Fundamental (EMEFs). 

Privatização e concessão de serviços para exploração da iniciativa privada também precisa estar na pauta desta reforma, como o Parque Permanente de Exposições, que já deveria ter sido privatizado ou concedido há anos; bem como parar com essa ideia antiga de distritos empresariais estatais, substituindo-os por condomínios industriais de gestão privada. Não é preciso contratar mais servidores administrativos neste momento. É preciso realocá-los nas áreas onde serão melhor aproveitados e produtivos. A implantação e a integração de sistemas de informação já iniciadas pela Secretaria de Planejamento, aliadas a esta reforma geral do organograma, dotará novamente a Prefeitura de “capacidade de entrega”. 

Pela relevância, desafios e urgência da necessidade de uma Reforma Administrativa profunda, o prefeito precisa acelerar o passo, empoderar seus responsáveis técnicos e mostrar claramente para toda a máquina pública que esta reforma não tem volta e será levada a cabo. A máquina pública precisa voltar a ter comando firme. Por fim, sabemos que qualquer Reforma Administrativa para valer dá muito trabalho, é sensível politicamente, tira muita gente da zona de conforto e cria atritos políticos, mas não tem como deixar de fazê-la e nunca houve momento mais propício para executá-la. Mãos à obra!

Fabiano Guimarães
Vereador (DEM) e economista.

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