Fórum discute crise da cana
Debates foram realizados em Fórum Brasileiro de Economia e Finanças no Agronegócio realizado em Ribeirão Preto
Profissionais de diversas áreas ligadas ao agronegócio participaram de um debate acerca das ameaças ao mercado sucroenergético durante o I Fórum Brasileiro de Economia e Finanças no Agronegócio, nesta quarta-feira, dia 13, Realizado no Centro de Convenções de Ribeirão Preto.
O evento, que terminou na tarde desta quinta-feira, 14, teve como convidados: André Rocha, presidente-executivo dos Sindicatos da Indústria de Fabricação de Açúcar e de Etanol do Estado de Goiás (SIFAEG); Adézio José Marques, diretor-titular do Centro de Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) de Sertãozinho; Antônio de Pádua Rodrigues, da União da Indústria de Cana de Açúcar (UNICA); Maurilio Biagi Filho do Grupo Maubisa; Tarcisio Mascarim, secretário de Desenvolvimento Econômico de Piracicaba; e o jornalista Luís Nassif.
Na abertura do fórum, o jornalista falou ao público sobre os principais pontos da crise do setor e as possíveis soluções. Na opinião de Luís Nassif, o país precisa de figuras de referência para que sirvam como lideranças, segundo ele, não só no agronegócio.
Ele chamou a atenção para o sentimento de que nada acontece no Brasil. Na opinião do jornalista, não é o que acontece de fato. Pois, ele aborda, “o Brasil passa por uma revolução silenciosa”.
“O país se expandiu, a regionalização se tornou um fenômeno, houve a revitalização da economia no nordeste, a explosão econômica do centro-oeste, todos estes fatores criaram um Brasil extremamente complexo. Aquele modelo convencional de entender o Brasil, que era captado e transmitido pela mídia, tornou-se muito pequeno e está ultrapassado”, explica Nassif.
O empresário Maurílio Biagi Filho, CEO da Maubisa Consultoria, que também participou da abertura do evento, concorda com a opinião do jornalista – fato que eles chamaram de uma “crise de lideranças”. “Existe uma disputa de liderança dentro das entidades e associações de classe. Boa parte das nossas entidades tem presidentes que são candidatos – ao senado, governo do estado – e estas entidades ficam submetidas à política e não têm defendido claramente nem exercido o papel que uma entidade de classe deve exercer. Digo de uma maneira geral, não é um problema só do setor sucroalcoleiro”, completa o Maurílio.
A falta de um líder para o setor, segundo Maurílio Biagi Filho e Luís Nassif, foi sentida durante uma sabatina com os três principais candidatos à presidência, realizada na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), no dia 6 de agosto. Durante o debate com os presidenciáveis não foi levantada a questão da cana-de-açúcar. Fato que, como ressaltou Maurílio Biagi, mostra a indiferença em relação ao assunto, considerado por muitos, “o maior problema da agricultura brasileira neste momento”.
“Acho que o Luís nos deu uma aula. Colocou de maneira muito clara a pulverização das nossas entidades”, comentou Maurílio Biagi, sobre a quantidade de entidades que representam o setor. Com este fenômeno, a representatividade ficaria bastante diluída.
Maurílio Biagi acredita ainda que as maiores entidades do setor deveriam agir todas juntas. Pois, na opinião do empresário, não há no Brasil uma entidade nacional de peso.
Sobre as dificuldades do setor, Maurílio revela. “Hoje estamos nos batendo com a questão do preço da gasolina. É fundamental, mas, não podemos ficar só neste assunto. Ainda nem apresentamos uma proposta alternativa”, conclui.
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Bruno Silva
Fotos: Carolina Alves
* Publicado em 14/08/2014