Frota aumenta 100,3%

Frota aumenta 100,3%

Segundo especialista, transporte público tem de ser priorizado

Em dez anos, entre 2001 e 2011, o número de veículos em circulação em Ribeirão Preto dobrou, saltando de 212.455 para 425.690, um crescimento que ultrapassou a marca de 100,3%. Enquanto isso, a população cresceu apenas 19,4%, segundo o Instituto Brasileiro de Geográfia e Estatística (IBGE).

Eduardo Junqueira, engenheiro especialista em trânsito, afirma que o aumento da frota de veículos em Ribeirão Preto é uma ameaça sob vários aspectos, mas não com relação à segurança no trânsito. “Historicamente, quando o número da frota aumenta, o de acidentes tende a diminuir, quando levamos em conta a gravidade dos acidentes”, analisa.

Para o engenheiro, com o aumento no número de veículos houve uma diminuição na taxa de mobilidade e fluidez das ruas da cidade e, com isso, os acidentes deixaram de ser o principal problema. “Com trânsito parado, quase não há acidentes graves”, explica. “O problema passa a ser o incômodo que a falta de infraestrura trás à popoulação”, conclui.

Problemática
Trânsito congestionado, falta de vaga para estacionar, motoristas estressados e atraso para chegar a lugares, antes de fácil acesso, são alguns dos problemas provindos do crescimento desenfreado no número da frota de veículos na cidade. “O trânsito está horrível, principalmente das 17h30min às 18h30min. É impossível andar pela Independência por exemplo, e a Presidente Vargas piorou, as pessoas não respeitam, não sinalizam com a ceta, cortam a nossa frente nas curvas e rotatórias e acabo chegando em casa todos os dias atrasada e estressada”, conta a publicitária Karoline Pelincer Cadelca. 

A falta de estacionamento é outro problema apontado pela publicitária, que recentemente foi multada em uma área azul. “Semana passada eu fui ao centro e estacionei o carro na área azul. Comprei o cartão e coloquei no painel do carro. Veio um daqueles amarelinhos, enquanto eu estava no médico, e me deu uma multa por estacionar em local inapropriado, pois era local de carga e descarga. Mesmo eu estando com o cartão acabei sendo multada. E o pior, fui olhar a placa que dizia que era proibido estacionar e a sinalização era péssima. Sinto muita dificuldade principalmente em estacionar em Ribeirão”, reclama.

Transporte público
Outro publicitário, Erick Ferreti, afirma que usa o carro por falta de um transporte público adequado. “O transporte público tem vários defeitos: falta de comprometimento com horários de chegada, partida e espera; poucos ônibus para muitas pessoas, falta total de conforto (não tem ar, há cadeiras quebradas, assentos rasgados, etc). Além das linhas que, muitas vezes, dão a volta na cidade inteira para chegar em um determinado ponto”, diz.

Para o engenheiro Eduardo Junqueira, a cidade não se preparou ou planejou sua infraestrutura de trânsito. “Todos têm direito a comprar o seu automóvel, mas numa cidade onde o transporte público funciona corretamente, a população vai pensar bem antes de sair de casa com o seu automóvel. Em Ribeirão Preto, por exemplo, não há faixa exclusiva para que os ônibus transitem. É preciso dar preferência aos ônibus. Um carro tem em média 8 metros e, na maioria das vezes, leva no máximo duas pessoas. Já um ônibus tem três vezes o tamanho de um carro, mas leva dezenas”, aponta.

A mudança é possível, na opinião do engenheiro, e o exemplo está no trabalho de Jaime Lerner, arquiteto que já foi duas vezes prefeito de Curitiba — referência mundial em planejamento urbano —, e duas vezes governador do Paraná, e mostrou como pode ser simples transformar o transporte público de uma cidade.

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Texto: Bruno Silva
Fotos: Júlio Sian e Arquivo

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