Frota sustentável
Os caminhões são os responsáveis pelo transporte de boa parte da riqueza nacional
A preocupação com a sustentabilidade é uma realidade nos mais diversos segmentos da sociedade contemporânea. Economia de água, otimização da energia e preservação do verde, assuntos largamente debatidos, tiveram sua importância comprovada nos últimos anos. Para acompanhar os anseios do consumidor moderno, todos os setores econômicos tiveram que se preparar. O segmento automotivo foi um deles. Boa parte dos carros já está deixando as fábricas com motores “flex”, o que permite a utilização de combustíveis que poluem menos. A mecânica dos veículos também evoluiu para que os prejuízos ao meio ambiente fossem cada vez menores.
Essa modernização atingiu, ainda, os fabricantes de caminhões, responsáveis por grande parte do transporte de riquezas nacionais. Pelas estradas e rodovias brasileiras passam cerca de 56% das cargas movimentadas no país. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN), a frota de caminhões no Brasil já ultrapassa 2 milhões de unidades, sendo que mais de 1 milhão está concentrada na região Sudeste.
Em Ribeirão Preto, o DENATRAN registra 1.575 caminhões emplacados e a renovação da frota também já faz parte dos planos de diversas empresas. A Leão Engenharia, por exemplo, renova anualmente os caminhões com que trabalha, na proporção média de 10%. “Além disso, estamos sempre muito atentos à manutenção dos equipamentos para obtermos uma média acima de 90% de disponibilidade”, acrescenta Antônio Carlos Frederico, diretor administrativo da empresa. A frota da Leão Engenharia é formada por caminhões Mercedes-Benz. Segundo o diretor, a escolha é feita com base na qualidade dos veículos e do atendimento, assim como no valor de revenda.
De acordo com Ronaldo Cesquim, gerente comercial da Ribeirão Diesel, concessionária autorizada de ônibus e caminhões Mercedes-Benz em Ribeirão Preto, a marca investe bastante em tecnologia. “A Blue Tec 5, por exemplo, contribui para o controle das emissões de poluentes, do consumo de combustíveis e de lubrificantes”, explica o especialista, com 22 anos de experiência. Outro grande avanço é a tecnologia Selective Catalityc Reduction (SCR) que, através de uma solução de ureia, provoca uma reação catalítica e desmembra moléculas poluentes, liberando no ar vapor de água e Nitrogênio. Assim, os níveis de Óxido de Nitrogênio (NO2) jogados no ar são reduzidos em 60%. Conforto e segurança também são preocupações constantes da fabricante, que recomenda a manutenção periódica para garantir o desempenho máximo do veículo.
O Actros 2646 é um dos modelos que já saem da fábrica preparados para poluir menos, equipados com motor Blue Tec, que atendem às normas do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), conhecido como P-7. O Programa determina que todos os caminhões que chegarem ao mercado, a partir de abril deste ano, estejam preparados para emitir menos poluentes. No entanto, o custo das novas máquinas cresce consideravelmente e pode representar um investimento de 10% a 15% superior.
Condução consciente
Desde 2011, a Companhia de Bebidas Ipiranga, fabricante Coca-Cola para o Noroeste do Estado de São Paulo e Sul de Minas Gerais, implantou o projeto de “Ecocondução” no dia a dia dos colaboradores. Além de incentivar e transmitir os conceitos de comportamento seguro no trânsito e respeito ao meio ambiente, o projeto objetiva reduzir a emissão de gás carbônico na natureza, com a economia de combustível da frota. Os motoristas são avaliados diariamente em diversos quesitos, como controle de velocidade, direção defensiva, danos mecânicos e também metas individuais de consumo de combustível. Os condutores mais “ecossustentáveis” nos períodos determinados recebem prêmios e aqueles que não atingem as metas passam por treinamentos, reciclagem de ecocondução e direção defensiva. Em 2011, o projeto ajudou a economizar 4,7% de combustível, ou seja, 92.268 litros de diesel, cerca de 250 toneladas de CO2 a menos na atmosfera. Este ano, de janeiro a setembro, quase 75 mil litros de diesel já foram economizados, deixando de emitir mais de 200 toneladas de CO2.
Texto: Luiza Meirelles
Fotos: Ibraim Leão