Frutos de esperança

Frutos de esperança

Primeiros resultados do Projeto S, estudo de vacinação em massa em Serrana, devem aparecer ao longo de abril e maio

A pós um período de longa apreensão, a população de Serrana começará a colher os resultados do Projeto S –o estudo pioneiro do Butantan de vacinação em massa da população. Os primeiros resultados obtidos são esperados para o período entre os dias 11 de abril e 15 de maio. A informação foi divulgada no domingo, 12, durante cerimônia simbólica que marcou fim da vacinação no município. A data foi escolhida por coincidir com o aniversário de 72 anos do município, comemorado no sábado, 10. Apesar disso, o Projeto S está longe de terminar na prática. Os pesquisadores do Instituto Butantan irão monitorar a população serranense até fevereiro de 2022, quando se completará um ano da aplicação da primeira dose.  Até o momento, 97,2% da população alvo recebeu as duas doses da CoronaVac. Após a aplicação das 54 mil doses administradas, foram constatados apenas 46 eventos adversos graves, sendo que nenhum deles teve ligação comprovada com a vacina. Uma pessoa morreu após a aplicação da segunda dose, porém foi descoberto que ela já estava contaminada no momento da aplicação.

Seguindo uma tendência nacional, os novos casos e mortes subiram durante o mês de março em Serrana. Foram confirmados 19 óbitos e 692 casos. Antes, o pico havia sido em agosto de 2020, quando o município contabilizou 16 mortes e 305 casos confirmados. Todavia, essa elevação no número de casos não tem ligação com a aplicação do imunizante. Muito menos, aponta para uma possível “ineficácia” da vacina. Para que o paciente seja considerado imunizado, –ou seja, com anticorpos suficientes para reagir à infecção caso ele tenha contato com o vírus e reduzir ou eliminar os efeitos mais agudos– são estimadas duas semanas após a aplicação da segunda dose.

Durante a aplicação da vacina, os serranenses foram divididos em quatro grupos com nomes de cores. O Grupo Verde foi o primeiro a receber o medicamento, as últimas doses foram aplicadas no dia 21 de março nessas pessoas. Ou seja, elas estariam imunizadas apenas no final daquele mês. “Não esperamos que a vacinação irá produzir um efeito imediato, ela precisa agir no organismo de cada uma das pessoas para que se produzam os anticorpos que serão capazes de controlar a infecção. E esse período está apenas começando para o Grupo Verde. [...] Todos estamos ansiosos por resultados, mas pedimos um pouco de paciência”, declarou Ricardo Palácios, diretor de estudos clínicos do Butantan.

O prefeito Léo Capiteli (MDB) agradeceu aos profissionais do Butantan e às equipes de saúde do município. “Na maior crise sanitária do século, foi na pequena Serrana que desenvolvemos um projeto que é referência no mundo. Não falo enquanto prefeito, mas como brasileiro: é muito bom e nos enche de orgulho saber que temos uma instituição com o know-how como o Butantan”, ressaltou.  A vice-prefeita e secretária de Saúde de Serrana, Leila Gusmão (DEM), ressaltou a importância do projeto para o retorno das atividades e a esperança na cidade. “Estou muito emocionada. Esperamos tanto por esse momento e ele terminou hoje. E terminou com um sentimento de gratidão e de esperança para que daqui a pouco tempo nós possamos retomar a economia, a parte social, a educação e que nós possamos ter uma cidade trabalhando com mais tranquilidade”, disse Leila.

PROJETO S

“O que descobriríamos ao fazer um estudo do impacto da vacina em uma população inteira?” Essa é uma das perguntas que motivou a criação do Projeto S. Pioneiro no mundo, esse estudo teve como objetivo avaliar os efeitos vacinação em massa sobre o curso da pandemia. O estudo escalonado por conglomerados avaliou a eficiência da vacinação no que se refere à transmissão do vírus, redução de carga do sistema de saúde, bem como outros efeitos indiretos da vacinação na economia, na circulação de pessoas e na aceitação da vacinação, por exemplo.

A cidade para o programa foi escolhida com base em três critérios: precisaria ser um município pequeno; possuir taxa de infecção elevada para que o efeito de vacinação fosse avaliado mais rapidamente; e estar próximo ou conter um centro de pesquisa. Serrana foi escolhida por reunir os três fatores e ter números elevados de Covid-19 comparados a todos os municípios do entorno. Foi realizado um mapeamento para obter um entendimento não só geográfico, como também social das áreas de Serrana e analisar o nível de aceitação da vacina. Com a ativação do sistema de vigilância, todos os moradores foram submetidos a um censo e a um processo de georreferenciamento por meio do qual foi possível acompanhar o número de casos, exames positivos, internações e consultas médicas – o que permitiu comparar o resultado de cada região. Foram vacinadas apenas pessoas com 18 anos ou mais, com exceção de gestantes, ou mulheres em amamentação, pessoas com doenças graves e quem teve febre 72 horas antes da vacinação.

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