Geração cooperativista

Geração cooperativista

Com 6.810 cooperativas atuantes em 13 ramos de atividades econômicas, o cooperativismo no Brasil gera quase 400 mil empregos diretos

Presentes no dia a dia da população com a prestação de serviços em diversas áreas, o sistema cooperativo reúne mais de 1 bilhão de pessoas em mais de 100 países, respondendo pela geração de mais de 100 milhões de empregos diretos nos cinco continentes. Segundo dados da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), organismo mundial de representação do movimento, uma a cada sete pessoas no mundo é associada a uma cooperativa.
Às vésperas do Dia Internacional do Cooperativismo, comemorado no dia 4 de julho, o setor tem a perspectiva de se consolidar como o modelo que mais cresce em todo o planeta. Um movimento, uma filosofia de vida e um modelo socioeconômico capaz de unir desenvolvimento econômico e bem-estar social com participação democrática, solidariedade, independência e autonomia. 
No Brasil, a estrutura foi definida como “Sistema OCB”, que congrega três entidades: Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) e Confederação Nacional do Cooperativismo (CNCoop). Juntas, essas instituições trabalham para o fortalecimento da sua atuação e representatividade em benefício das cooperativas.
Um levantamento da OCB aponta que, em 2013, o país contava com 6.810 cooperativas, 11.583.766 cooperados e mais de 400 mil empregos diretos gerados. Do total, 1.592 unidades atuam na área do agronegócio. Segundo dados do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 48% de tudo o que é produzido no campo brasileiro passa, de alguma forma, por uma cooperativa. Até 2015, São Paulo contava com 1.116 cooperativas registradas, maior representatividade entre os estados brasileiros.
A coordenadora jurídica da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp), Patrícia Cabralo, revela que o maior segmento, dentro desse universo, é o ramo Crédito, que conta, hoje, com 243 cooperativas. Porém, quando o filtro utilizado é o número de cooperados, o destaque vai para o consumo, com 2.510.790 cooperados. Desde a sua constituição, em 1970, o órgão defende e divulga os benefícios e os princípios do cooperativismo, por meio de ações de representação, educação, orientação, comunicação e integração. Desta forma, incentiva e orienta grupos interessados em constituir cooperativas, acompanhando cada passo do novo empreendimento.

A organização presta assessoria para a constituição e o registro de cooperativas, assim como orienta seus integrantes para a uma gestão democrática, de acordo com a legislação e os princípios cooperativistas. Atua, ainda, no relacionamento com poderes públicos, principalmente com o Executivo e o Legislativo, além de manter um relacionamento institucional com diversas organizações, câmaras setoriais, secretárias, Ministério da Agricultura, entre outros. Além disso, conta com um membro efetivo e um suplente na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).
Patrícia revela que o cooperativismo oferece diversas vantagens, como a geração e a distribuição de renda; o foco nas pessoas, não no capital; a atuação no desenvolvimento local e regional; a aplicação de políticas com preço justo, além de permitir que os recursos financeiros gerados circulem nos municípios de atuação da cooperativa e de propiciar o acesso direto ao mercado de produtos e de serviços dos cooperados. Entre os setores que registram crescimento significativo, a coordenadora aponta os ramos de crédito, de saúde, de agronegócio e de transporte. “Para manter o nível de desenvolvimento de forma sustentável, a profissionalização da gestão é o maior desafio do modelo”, aponta a coordenadora jurídica.
 

José Vicente da Silva, presidente da Cooperativa de Produtores Rurais (Coopercitrus), de Bebedouro, explica que a melhor forma de promover este crescimento é trabalhar na organização e na gestão da cooperativa. Ela precisa ser forte para que o seu cooperado veja nela uma forma de melhorar sua situação.

“As cooperativas só foram criadas para melhorar a renda do produtor e dos associados e, para fazer isso, elas devem se organizar e ter uma gestão vigorosa”, observa José.
O presidente acredita que somente através da governança corporativa é que se alcançará sua plenitude e o sucesso. Para que isso funcione bem, existe um conselho de administração, formado por produtores rurais com conhecimento de administração e economia. Além disso, uma diretoria composta por profissionais que executam as metas e as estratégias estabelecidas pelo Conselho. Desta forma, segundo José, a instituição consegue vencer ou até eliminar o gargalo da gestão.
Para a Coopercitrus, o mais importante é, justamente, a modernização da produção. Há um grande empenho nesse sentido, de aproximadamente 400 profissionais, dedicados tornar o negócio dos produtores mais lucrativo através de irrigação, da agricultura de precisão, da adubação a taxa variável ou de outras modernas técnicas disponíveis. Considerada uma das maiores cooperativas de produtores, a Coopercitrus possui 25 mil cooperados, mais de 60 filiais, sendo 21 delas no modelo Shopping Rural. Seguindo o formato de autoatendimento, a mais nova unidade será inaugurada em Altinópolis, no dia 4 de julho.

 

 

Turismo cooperativo

Atuando na área de turismo e fretamento, a Coopertarp, de Ribeirão Preto, saltou, em 15 anos de trabalho, de 20 para 72 cooperados e uma frota de 30 veículos entre ônibus e micro-ônibus. 



De acordo com Lucas José Barbosa, essa conquista não seria possível se não fosse o sistema associativo. Cooperado e agente de turismo, Lucas revela que a cooperativa permitiu ampliar seus horizontes de atuação, bem como adquirir veículos com financiamentos e taxas de juros mais atrativas. Essas vantagens também são repassadas ao cliente final, que chega a pagar 15% a menos por um frete, em relação a empresas particulares que atuam na mesma área.

Segundo ele, a maior procura é por viagens ao litoral, visitas técnicas e jogos universitários, além de cidades como Aparecida do Norte. “Viajamos para todo o Brasil e também já atendemos roteiros passando por Paraguai, Uruguai e Argentina”, aponta Lucas.



Desenvolvimento econômico e social

Há duas décadas, o Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) trabalha como instituição financeira junto a 3,2 milhões de associados. Formado por 16 cooperativas centrais e 494 singulares de crédito, conta com 2,4 mil pontos de atendimento, 2,6 mil caixas eletrônicos, 903 correspondentes, além de empresas coligadas. 


Shopping Rural da Coopercitrus inovou o modelo de venda direta

“É a 7ª maior instituição do país do Sistema Financeiro Nacional em patrimônio líquido”, avalia Henrique Castilhano Villares, presidente do Sicoob e do Credicoonai de Ribeirão Preto.
Com 33 mil empregados, os planos de expansão para 2016 apontam para 171 novos pontos de atendimento, gerando 1,5 mil empregos diretos. O Sicoob opera o Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob), responsável por viabilizar soluções financeiras para as unidades do Sistema, que apresentou resultado líquido de R$ 2,3 bilhões, com ativos totais de R$ 57,1 bilhões em 2015. No primeiro trimestre de 2016, as operações de crédito saíram de R$ 31 bilhões para R$ 35 bilhões, alta de 11%, enquanto nas quatro principais instituições do Sistema Financeiro Nacional, o aumento médio ficou em 2%. O Sicoob remunerou, ainda, em R$ 562 milhões o capital social dos associados. Deste total, R$ 60,9 milhões foram creditados direto na conta corrente dos cooperados. Além das linhas de créditos oferecidas pela União, Henrique explica que o Sistema disponibiliza produtos para atender às diferentes necessidades dos cooperados, com taxas e juros menores em relação ao mercado. “O percentual médio cobrado no crédito pessoal em abril foi de 2,17% e no capital de giro 1,9%”, exemplifica o presidente.

 


Cooperativismo médico

Criado em 1967, o sistema Unimed é uma das maiores experiências de cooperativismo médico do mundo e tem gerado intercâmbio com países como Espanha e Estados Unidos, interessados na troca de experiências relativas a esse modelo de sucesso. Entre as principais vantagens do sistema, Dr. Álvaro Truite, presidente da Unimed Ribeirão Preto, ressalta que os cooperados contam com a oferta de serviços, sem intermediação comercial e potencializada pela organização que a cooperativa oferece.

Para os usuários, é o atendimento direto, realizado por um representante da cooperativa, ou seja, um sócio, a maior vantagem. Com 45 anos de atividades, a Unimed Ribeirão Preto conta com 929 cooperados em 56 especialidades.

 

 

 

 

Direito igualitário

Comparado ao sistema financeiro tradicional, o modelo de negócios do cooperativismo de crédito apresenta diferenças significativas. A primeira delas é que o associado não é cliente e, sim, coproprietário, como explica Adriano Avanço, diretor administrativo da Credicitrus de Bebedouro. Isso dá a ele o direito a compartilhar com os demais associados e usufruir, em condições iguais, os produtos e serviços oferecidos pela cooperativa. Como a instituição não tem fins lucrativos, outra vantagem são os custos inferiores aos das instituições financeiras tradicionais. 
Adriano aponta o capital social dos cooperados entre os diferenciais do sistema, um valor aplicado na cooperativa, mas que pertencente ao cooperado. Criada em 1983, a Credicitrus contabiliza 65 mil cooperados e 53 filiais no estado de São Paulo e no Triângulo Mineiro. Em 2015, seus ativos somaram R$ 4,05 bilhões, com patrimônio líquido de aproximadamente R$ 1,1 bilhão. Suas operações de crédito superaram R$ 2,3 bilhões no ano. “No ano passado, tivemos um resultado social econômico superior a R$ 580 milhões”, aponta Adriano. 

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