Geração Y e Z
Antenados, hiperativos e extremamente ligados às tecnologias, adolescentes redefinem o perfil de sua geração
O som alto, o computador conectado ao MSN e às redes sociais, o telefone tocando e, para terminar, um jovem deitado na cama, estudando. Essa cena é mais comum do que se imagina: são os jovens da Geração Z. É assim, interligado, conectado e com mil atividades ao mesmo tempo, de preferência sempre conectado às tecnologias, que o adolescente vive atualmente.
A estudante Isabelle Pirani, de 13 anos, não vive sem o celular, o computador e o iPod. Para ela, é muito importante estar conectada a todo momento. “Se estou sem celular, com certeza estou em contato com meus amigos pelo MSN. Não consigo me imaginar sem essas tecnologias”, explica a jovem, que faz parte dessa nova geração.
De acordo com o psicólogo Marcelo Cappato Filipecki, o conceito de gerações é comumente usado para definir grupos com faixa etária e características determinadas. Contudo, sociologicamente, é possível perceber a definição das gerações pelos conflitos ideológicos e comportamentais que as permeiam. “Desse modo, podemos pensar essa definição de forma mais ampla do que a simples contextualização cronológica. Ou seja, conceituar gerações se baseia, também, em critérios de ‘semelhanças’ dentro de uma gama histórica e de vivências. É, portanto, possível afirmar que uma geração sofre influências socioculturais de suas antecessoras”, explica o profissional.
A Geração Z é definida pelas características tecnológicas e virtuais, sem deslumbre, pois já nasceu dentro do contexto cibernético. A preocupação ambiental também é marcante e o conceito de trabalho se associa ao fato de ganhar dinheiro e conhecimento. Seus sujeitos são “datados” de forma a se misturarem, em certo grau, com seus antecessores da Geração Y, pois têm seus anos de nascimento entre 1990 e 2009.
Fazendo parte desse universo, Maria Eugênia Decico Carinhani, de 14 anos, salienta que as próprias escolas já reconhecem a mudança de geração e que seus pais não conseguem acompanhar seu dia a dia. “O mais interessante é que as escolas investiram nos novos tempos: temos lousa digital, conteúdos na internet e outras discussões nas salas de aula. A escola vai além do quadro negro, das matérias do vestibular e dos cadernos”, complementa a estudante, que assume ser extremamente ligada.
Antecedendo essa fase, muitos jovens fazem parte da Geração Y, formada por pessoas que nasceram entre 1980 à 1990. É a geração que se encantou com o desenvolvimento dos aparatos tecnológicos, defensora da qualidade de vida e do crescimento financeiro. Tal geração é multicomportamental, com tendências imediatistas e a superficialidade das relações como características presentes. “Contudo, fazem revoluções silenciosas e tudo é percebido como possível. Tendem a ter tudo o que querem”, aponta o psicólogo. Próximos à geração Y, a Geração Z possui características mais agudas do que a anterior, visto que se desenvolveu juntamente com os avanços tecnológicos.
Com tantas informações, alguns pais se sentem perdidos. Por isso, é preciso cautela nessa relação. De acordo com Marcelo, cabe aos pais discernirem, com maior precisão, os aspectos filosóficos e comportamentais, implícitos e explícitos, oferecidos pelas particularidades de seus filhos, de modo a preservarem e, principalmente, estimularem a atualização da cultura humana em direção à sua eterna evolução. “Isso significa melhor compreensão de suas próprias dificuldades e habilidades psíquicas, não retraindo ou isolando no tempo um pensar e agir novos e autênticos, complementares e enriquecedores de suas visões anteriormente dominantes”, explica o psicólogo.
Texto: Mariana Secaf
Fotos: Ibraim Leão