Geração Y no mercado de trabalho
Empresas se preparam para receber geração conectada

Conectados em tempo integral, críticos, criativos e ansiosos. Os jovens da chamada Geração Y são movidos por inovação tecnológica e buscam o sucesso profissional quase que instantâneo. O mercado tem visto esta mudança de parâmetros e já está se adaptando aos novos tempos: o ciclo de renovação de produtos, que antes era de três anos, hoje dura pouco mais de um, e a comunicação também mudou. As empresas estão conectadas e estão juntas aos clientes no ambiente virtual. E o mercado de trabalho, como tem se adaptado?
A Geração Y tem alta rotatividade nos empregos. Não terceiriza sua carreira profissional. Querem resultados imediatos e são ansiosos. O feedback e o aumento de salário, que até pouco tempo era feito por dissídio coletivo anual, hoje já é individual e semestral. Eles têm muita energia para gastar, então, que seja em prol da organização.Danielle Moro é formada em antropologia e gerencia a área de Desenvolvimento Organizacional da Exame Auditores Independentes. Sabe, portanto, como é essa geração. Lida constantemente com jovens profissionais e vê em toda essa sede de sucesso um lado bom. As empresas é que têm que se adaptar aos novos tempos. “Mesmo as empresas mais tradicionais estão mudando para ficarem mais atraentes para os jovens profissionais”, conclui.
Danielle dá um simples exemplo da diferença entre gerações. “Eles não se adaptam bem às tarefas rotineiras. Eles querem desafios”. Uma resolução de um problema que antes era formulada pelo gestor e imposta ao profissional hoje é negociada e discutida abertamente. “Isso exige do gestor uma postura mais aberta em relação ao passado. É preciso dar crédito aos jovens, se abrir para o diálogo e se acostumar com os questionamentos”, conclui.
A psicóloga Maísa Castro, da área de Recursos Humanos da Exame, sente a diferença entre os jovens profissionais e os experientes na hora da seleção para contratação. “A gente vê muito a ansiedade do jovem, que quer crescimento profissional rápido e, até mesmo, tendo expectativas salariais muito altas”, resume.
Maísa acredita que nas cadeiras das faculdades, cria-se uma expectativa em relação ao mercado de trabalho que não condiz com a realidade. Isso explicaria a distorção na pretensão salarial. A psicóloga sugere que as faculdades foquem mais nos trabalhos em equipe e mostrem aos alunos as dificuldades que poderão enfrentar na carreira.
A psicóloga destaca, ainda, que o autoconhecimento é fundamental para o profissional em início de carreira na hora de escolher a empresa ou organização que mais se adapta ao seu perfil. “A pessoa deve avaliar seu perfil e compará-lo com o da empresa, assim evita descontentamentos futuros”, conclui.
O dilema entre a Geração Y e o mercado de trabalho só está começando. Segundo a antropóloga Danielle Moro, a nova geração, que está crescendo nas escolas, a chamada Geração Z, é mais questionadora, inquieta e ansiosa que a que está chegando ao mercado de trabalho agora. E a tendência, em médio prazo, é que as empresas estejam mais receptivas as novas gerações, até mesmo por que o mercado não perdoa. “Quem não se adaptar vai acabar ficando para trás”, analisa Danielle.
Assista o vídeo e confira como as relações de trabalho estão mudando.
Revide On-line
Texto: Brunno Vogah (Colaborador)
Fotos: Divulgação