Gestão competente

Gestão competente

Na opinião do empresário Maurilio Biagi Filho, o impacto positivo da criação da Região Metropolitana de Ribeirão Preto (RMRP) está intimamente ligado à capacidade de gestão das lideranças envolvidas

Uma referência no mundo empresarial não apenas no cenário regional, mas também no âmbito nacional e internacional, Maurilio Biagi Filho discorre com propriedade sobre os mais diversos temas. A pluralidade que marca sua atuação nos negócios garante ao empresário uma visão ampliada, também, sobre a criação da Região Metropolitana de Ribeirão Preto (RMRP). De acordo com Maurilio, a novidade chega em boa hora, mas depende, para que frutifique econômica e socialmente, da capacidade de gestão das lideranças envolvidas. 
 
Revide: Na sua avaliação, quais são as perspectivas econômicas que a efetivação da Região Metropolitana de Ribeirão Preto (RMRP) trazem para os municípios envolvidos?
Maurílio:
A criação da Região Metropolitana de Ribeirão Preto acontece em um momento histórico particular, em meio a maior crise que a cidade e o Brasil já atravessaram nas suas existências, portanto, nasce em boa hora. Para que essa iniciativa frutifique e traga benefícios visíveis à população, inclusive no aspecto econômico e social, é preciso haver uma liderança clara, e aceita. Nesse ponto, o grupo já começou bem ao eleger o prefeito Duarte Nogueira como presidente do conselho que reúne os 34 municípios da RM, um gestor público preparado, experiente e correto. Outro fator importante é o empenho do governador Geraldo Alckmin e o bom relacionamento dele com a nossa região. Toda a sociedade ganhará maior poder de articulação, e isso tende a melhorar o desempenho da região, que tem o Agronegócio como sua locomotiva, gerando reflexos positivos em todos os setores — indústria, comércio e serviços — criando empregos e aumentando a arrecadação.

Antes mesmo da criação da RMRP, Ribeirão Preto interage com boa parte dos municípios do entorno, com a movimentação de trabalhadores e de investimentos. Acredita que o município conquistará avanços a partir dessa oficialização?
Sem dúvida. Na prática, já temos a criação de um Conselho e, em seguida, com certeza, a de um Fundo de Desenvolvimento Metropolitano, que proporcionarão uma estrutura de governança para fazer a gestão conjunta de políticas e serviços públicos (saúde, segurança, transportes, infraestrutura, coleta de lixo, etc). Temos a possibilidade, ainda, de um alinhamento tributário entre os municípios. Na telefonia, uma revisão tarifária deve eliminar o DDD para ligações entre cidades da região. Além disso, temos uma grande oportunidade de desenvolver ações para melhorar a qualidade da educação, aproveitando a experiência e a competência da professora Suely Villela, ex-reitora da USP e atual comandante da pasta, em Ribeirão Preto. Se o conjunto for bom, fortaleceremos nossa credibilidade no sentido de atrair mais investimentos. O investidor passará a ver a região como um todo e não como cidades isoladas. As prefeituras, em vez de serem competidoras, serão parceiras. Humildade também é importante, no sentido de que a equipe que vai implantar a RMRP possa se aproveitar dos erros e acertos das demais regiões metropolitanas, como a de Campinas, por exemplo, para que, com criatividade, possa lançar programas de real interesse para a nossa região com benefícios no curto, médio e longo prazos. 

Quanto à infraestrutura, como o senhor avalia a Região Metropolitana de Ribeirão Preto?
A RMRP cria oportunidades para aprimorarmos ainda mais a infraestrutura da região, pois permite a redução de custos e ganhos de escala, compartilhamento de equipamentos mais caros e sofisticados entre os municípios, projetos compartilhados de infraestrutura pensando a região como um todo, licitações feitas em conjunto com melhores condições e, talvez o mais importante, as Regiões Metropolitanas ganham prioridade em financiamentos públicos. Outra possibilidade fantástica é a de aproveitarmos mais o conhecimento técnico, científico e produtivo da USP, em prol da Região Metropolitana. Em outras palavras, encontrar uma maneira de integrar a inteligência da Universidade de São Paulo nesse contexto.

Qual será o papel do empresariado da região nessa solidificação da RMRP?
O setor produtivo é responsável pela geração de riqueza. Estamos no momento ideal para que o empresariado arregace as mangas, tenha iniciativa e contribua com as soluções em vez de apenas ficar criticando. O papel da iniciativa privada na RMRP deve ser fundamental, por isso, as entidades empresariais e de classe precisam participar liderando um grande movimento. São instituições como associações comerciais, em especial a ACIRP, Observatório Social, Ciesp, CeiseBR, cooperativas, clubes de serviços, sindicatos patronais, entre outras. Temos gente boa e competente, é preciso agir.

Qual o grande desafio para que as ações aconteçam de verdade?
O maior desafio é que a liderança da RMRP seja forte, aglutinadora, inequívoca, influente, aberta ao diálogo; que tenha respaldos popular e político, que não tenha medo de errar e que seja muito bem assessorada, talvez por um boa consultoria. O sucesso da Região Metropolitana será tão grande quanto for a competência da gestão.

O senhor não está criando expectativa demais?
Talvez, mas a RM é muito mais ampla do que coloquei nessa entrevista. Falei apenas do óbvio. Nem o Brasil, e muito menos Ribeirão Preto, merecem o que foi imposto por alguns empresários e políticos nos últimos anos. Precisamos recuperar o tempo perdido. 

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