Heróis da vida real
Policiais, bombeiros, médicos e religiosos lutam pela saúde, pela segurança e pelo crescimento diário de milhares de cidadãos do mundo
A palavra herói vem do grego antigo. Como define o dicionário, quer dizer “homem admirável por feitos e qualidades nobres”. Vale ressaltar que tais pessoas com essa capacidade podem estar em qualquer canto e aparecer a qualquer tempo. No entanto, alguns indivíduos, ao fazerem suas escolhas profissionais, assumem um compromisso para lá de desafiador: o de salvar vidas.
Este é o caso, por exemplo, de policiais, bombeiros, médicos e religiosos — aqueles que nasceram verdadeiramente com essa missão. Esses profissionais, por sua dedicação à manutenção da saúde e da segurança, assim como ao crescimento diário de milhares de pessoas, podem ser considerados guerreiros da vida, uma vez que parecem ter uma capacidade diferenciada de se sacrificarem pelo outro.
Em maio do ano passado, o 9º Grupamento de Bombeiros de Ribeirão Preto celebrou o seu primeiro centenário. Durante a solenidade oficial, o bombeiro aposentado, sargento Menossi, disse que lembra com carinho da profissão que iniciou em 1975, aos 19 anos. “Fui bombeiro por 30 anos e, hoje, faço uma reflexão sobre o trabalho que realizei. Salvei vidas e fui chamado de herói”, disse o sargento.
Ocorrências rápidas
Tenente do Corpo de Bombeiros há dez anos, o militar Michel Aparecido Monroe, de 35 anos, salvou a vida de um homem recentemente. Em outubro deste ano, o Corpo de Bombeiros de Ribeirão Preto foi acionado pelo telefone de emergência por conta de um acidente de trânsito com vítimas, na Avenida Antônio e Helena Zerrenner, zona oeste do município.

Chegando ao local, o tenente constatou que uma das duas vítimas tinha sido arremessada de sua motocicleta para dentro de um rio. “Como o rio era raso, a vítima estava fragilizada e deitada na água com a cabeça para fora. Um popular que passava pelo local prestou os primeiros socorros a ela”, conta Monroe. Para tirar o acidentado da área de risco, o Corpo de Bombeiros fez um trabalho de estabilização e, depois, utilizou uma escada. “Meu medo era que a vítima caísse do barranco ou se afogasse, mesmo em uma pequena quantidade de água. Também havia o risco de um trauma físico e emocional mais sério”, afirma o tenente.
O bombeiro agradece o fato de ter conseguido salvar mais uma vida. “Somos instrumentos de Deus na preservação da vida. Isso é muito gratificante, pois sei que, de alguma forma, posso ajudar as pessoas nos momentos mais delicados”, acrescenta. Entre todas as situações já vivenciadas por Monroe, os acidentes de trânsito costumam ser os mais complexos.
Espiritualidade
Diariamente, o Padre Adailson de Oliveira recebe pessoas de diversas idades em seu confessionário. Em um dia normal de trabalho, quando o pároco já estava se arrumando para encerrar seu expediente, deparou-se com uma jovem em frente à porta de sua sala de atendimento, na Igreja Matriz de São Joaquim da Barra, interior de São Paulo. A jovem, fragilizada, pediu um minuto do tempo do padre para conversar. “No início da conversa, ela me disse que estava passando em frente à Igreja e sentiu muita vontade de entrar, pois estava indo cometer o suicídio”, lembra Adailson.

O padre conta que a jovem carregava uma grande quantidade de remédios na bolsa e pretendia tirar a própria vida. “Ela colocou os medicamentos em cima da mesa e decidiu dividir comigo os problemas que a levaram a cogitar a possibilidade de encerrar sua vida na terra. Tive a oportunidade de dar a ela toda a orientação necessária para que ela pudesse entender o real sentido da vida”, afirma o religioso.
Oliveira destaca, ainda, que em momentos de depressão, angústia e desespero, as pessoas perdem a dimensão de quão importante é sua vida. “A vida é especial. Ela tem que ser protegida até o último suspiro. Com a providência de Deus, aquela jovem foi salva. Hoje, ela tem um novo propósito de viver”, conclui.