História de arte

História de arte

Presidente da Fundação Pedro II, Mariana Jábali, compartilha a paixão pela cultura e a importância do Theatro para Ribeirão Preto

Texto: Marina Parada


O Theatro Pedro II, construído no início do século XX em Ribeirão Preto, foi inspirado na Ópera Garnier de Paris. Em estilo eclético, passou por várias transformações durante sua existência. Acompanhou os mais diversos acontecimentos da cidade e mudou junto com eles. Abriga, ainda hoje, companhias de dança, teatro, artistas de todas as vertentes e abrilhanta os olhos de todos que por ali passam com sua majestosa construção e história.

No palco do Pedro II já pisaram nomes como o músico e compositor João Bosco, o bailarino russo-americano Mikhail Baryshnikov, companhias internacionais e nacionais, artistas locais — muitas vezes por meio de projetos que o próprio Theatro oferece — e públicos de várias gerações. 

O Theatro Pedro II não só acolhe as pessoas, mas, ao redor, os traços de perspectiva também direcionam olhares. Desde a Praça XV de Novembro, que naturalmente leva os olhos curiosos e admirados à grande estrutura, ao chorinho que costumava acontecer às segundas-feiras à noite na Esplanada, reunindo amigos, música, instrumentos, memórias, risadas, encontros e reencontros.

A choperia Pinguim, logo ao lado, convida a audiência pós-apresentação a degustar o famoso chopp ribeirãopretano, onde é possível admirar a vista clássica e romântica do quadrilátero central. 

A atual presidente da Fundação Pedro II, que administra o Theatro, é Mariana Jábali, que zela pela preservação e pelo cuidado do patrimônio municipal. Na entrevista a seguir, Mariana compartilha a sensação em fazer parte da história do espaço e os planos para o futuro. 

Qual é a sensação de ocupar hoje a presidência da Fundação Pedro II, tendo participado e vivido tantas histórias junto ao Theatro?

É um privilégio estar, pela segunda vez, na direção da Fundação e uma grande responsabilidade. Estar em contato diariamente com sonhos, talentos e expectativas é mágico. Esse palco, a coxia e os camarins trazem sempre o frescor do novo, da descoberta e, assim, o Theatro passa a ser um grande facilitador. Quanto à responsabilidade à frente desse indiscutível patrimônio artístico-cultural, é uma grande tarefa. Só descansamos quando as cortinas se fecham e as luzes se apagam. Nossa missão é preservar e, ao mesmo tempo, bem usar. O Theatro Pedro II foi inaugurado em 1930, por uma visão bastante ousada da Cia Cervejaria Paulista, que resolveu investir em cultura e arte. Além de majestoso na sua configuração arquitetônica, o Theatro foi concebido para trazer o que havia de melhor na época. Os seus idealizadores quiseram traduzir, através da cultura, a pujança econômica da cidade naquele momento. Isso foi fantástico. O Theatro Pedro II está completando 90 anos e zelar por ele é o compromisso de todos. 

Qual a influência do Theatro para quem visita Ribeirão Preto?

Passamos a ser uma referência para quem vem para a cidade. Como vir a Ribeirão Preto e não conhecer o Theatro Pedro II? A história dele, de como foi pensado, construído, usado, o incêndio que quase o destruiu totalmente, o abandono e, finalmente, a reconstrução, que o fez voltar magnífico, atrai pessoas de vários lugares. É muito comum recebermos visitantes que chegam até a área central e se deparam com a imponência do Theatro, às vezes até quem nem sabia da existência.

Qual a importância da cultura para uma cidade como Ribeirão Preto?

A cultura é, indiscutivelmente, junto da educação, a ferramenta mais poderosa de transformação que conhecemos. Unir a educação formal ao caldo de diversas vertentes artísticas abre horizontes infinitos, principalmente para crianças e jovens. Cultura é tão necessária quanto o ar que respiramos.

Em razão da pandemia do novo coronavírus, atividades culturais, principalmente em teatros, foram suspensas. Como o Theatro Pedro II está lidando com os tempos atuais?

Todos nós estamos sob o impacto desta grande crise do nosso século. A situação atual não nos permite receber o público que tanto nos prestigia, mas não paramos e estamos realizando eventos em formato de lives que atingem um grande número de espectadores — muitos talvez nunca tenham entrado no Theatro e agora têm a oportunidade de conhecê-lo, mesmo que a distância.

Quais as estratégias de adaptação ao que chamam de novo normal?

Eu, particularmente, acredito que o novo normal vai se diluir quando a pandemia acabar e voltarmos ao “antigo normal”. É da natureza do ser humano conviver em sociedade. Gente gosta e precisa de gente, dessa maneira, particularmente no Theatro, queremos o nosso público de volta, beneficiando-se dessa oportunidade riquíssima de troca, aprendizado e crescimento. Por outro lado, os artistas precisam dos aplausos, precisam da vibração da plateia para criar. Tudo isso é indispensável.

O Theatro já passou por muitas transformações até se tornar o que é hoje. Pensando no presente e imaginando o futuro, quais os planos para o que há por vir?

No presente, tentamos fazer o melhor. Aprendemos, forjados pelas necessidades do momento, novas formas de comunicação e apresentação, fazendo arte a distância. Esse formato, sem público e difundido para todo o mundo pelas redes sociais, veio abrir novos caminhos. Esse modelo híbrido, arte com plateia e arte em casa, veio para ficar. Quanto ao futuro, esperamos, em breve, reviver em nosso teatro os melhores momentos. A cultura é dinâmica, mexe e remexe com nossos sentimentos e com nosso poder de criação. 

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