História em grãos

Instalada em quase 10 mil m², a Utam está presente em mais de 300 cidades

Para consolidar ainda mais seu posicionamento estratégico, a Café Utam, líder no mercado regional, elaborou uma série de ações. Medidas que, além de agregar valor à sua marca, visam a preservação das origens da empresa, valorizando a história do café e de Ribeirão Preto. Décima segunda torrefação no ranking nacional da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) e primeira torrefação paulista com capital 100% nacional no mesmo ranking, a empresa detém 51,7% do market share em Ribeirão Preto. Índice sustentado pelo alto padrão de qualidade, desde a seleção dos melhores grãos, aos critérios e sistematizações adotados em todo o processo produtivo. Qualidade esta, certificada pela Abic, por meio dos Selos de Qualidade e de Pureza.

Ao comemorar 40 anos de atividades, a Utam renova seu staff executivo, com a atuação da segunda geração da família Júlio Soares e toma iniciativas que visam um crescimento estimado para 2011 superior a 10%. Conquistar um dos mercados consumidores mais exigentes do mundo, incentivando o consumo e, ao mesmo tempo, ampliar sua participação no mercado nacional é um dos principais desafios da nova diretoria. De acordo com dados da Abic, o consumo de café no Brasil, este ano, deve crescer 5%. A meta brasileira é elevar o consumo interno chegando a 21 milhões de sacas em 2012. Em 2009, o consumo per capita de café em grão cru no Brasil foi de 5,81 kg, ou seja, quase 78 litros por pessoa ao ano, 3%  a mais do que em 2008.

Este consumo aproxima os brasileiros dos alemães, que consomem 5,86 quilos de café em grão cru por habitante ao ano e supera índices italianos e franceses. A diversificação das formas do consumo do café também está mudando e hoje o produto enriquece receitas de expressos, cappuccinos, doces, sorvetes, bombons, bolos, pudins e uma infinidade de composições da cozinha. A Utam está no topo da lista entre as 384 indústrias do país associadas à Abic, conforme última divulgação. Para ampliar sua participação neste mercado, a empresa modernizou seu parque industrial e aprimorou o processo produtivo de suas 14 marcas, entre café em grãos, moído, cappuccinos e solúvel. Também criou um mix de produtos que atende ao setor de food-service, como saches individualizados de adoçante e açúcar, xícaras personalizadas e descartáveis, mix para chantilly, entre tantos outros.

Segundo a diretora-presidente do grupo, Ana Carolina Soares de Carvalho, a visão hoje é fazer da Café Utam uma empresa referência no mercado e manter sua padronização e qualidade em cada produto ou serviço oferecido. “O café entra na nossa empresa cru e após um moderno processo de torrefação, só sai depois de moído e embalado por nossos valores. Aí sim, o produto está pronto para chegar à mesa dos consumidores que acompanham nossa trajetória há 40 anos”, enfatiza Ana Carolina. Otimista com as perspectivas de crescimento do mercado consumidor, ela antecipa que os próximos passos da empresa, em curto e médio prazos, estão direcionados para o crescimento de vendas e, por consequência a consolidação das praças de atuação.

Ana Cristina Soares Foresti, diretora financeira, revela que os investimentos efetivados ao longo dos anos praticamente quadriplicaram sua capacidade produtiva, aumentando de 200 ton/mês de café torrado e moído para 800 ton/mês, entre as duas plantas industriais: Ribeirão Preto (SP) e Piumhi (MG). “Hoje contamos com a força de trabalho de 220 colaboradores, sendo 150 em Ribeirão Preto e 70 em Minas”, reforça Angélica Júlio Felício, diretora de Recursos Humanos.

Instalada em quase dez mil metros quadrados de área construída, a Utam está presente em mais de 300 cidades da região Sudeste, principalmente nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Esta força se faz, principalmente pelo relacionamento com os 8.500 clientes ativos e também com seus milhões de consumidores, como destaca o diretor comercial Juliano Júlio. Para atender a clientela com agilidade, a Utam mantém frota própria superior a 100 veículos. 

Centrada no processo de torrefação e distribuição de café, tem critérios de padronização, que vão desde a homogeneização de grãos selecionados dos principais cafezais do país, excelência na formação de blends (composições de grãos de diversas origens e características de bebidas para chegar ao sabor exclusivo de cada marca), à prova do café já torrado e moído, atestando seu grau de qualidade.

Nas fábricas, os amplos armazéns têm capacidade para guardar cerca de 70 mil sacas de 60 kg de café em grãos cru, como aponta o diretor de Operações e Logística, Américo Júlio Soares, que, por vários anos esteve à frente da presidência da empresa, cargo hoje ocupado pela filha, Ana Carolina. “Somente na matriz em Ribeirão, temos 18 silos para armazenagem de café cru, com capacidade para um total de 13.000 sacas. Temos ainda diversos silos para café torrado, para os torrados e moídos e o armazém para produto acabado”, enumera Américo.

Os critérios rígidos da armazenagem à produção e qualidade final do café produzido pela Utam têm como principal objetivo, preservar o sabor e o aroma. Para isso, a automação da linha é essencial e garante que o processo de produção seja 100% sem contato manual. Todo café cru que entra na empresa é conferido através de prova de bebida e classificação.

Depois, ele é blendado, homogeneizado e em seguida processado por um dos quatro torradores da empresa, antes de ser moído e envasado. Todo este processo ocorre em maquinários de tecnologia de ponta. “É o blend que diferencia cada produto”, explica Noel Antonio de Lima, classificador e degustador da Utam. Responsável pelo controle de qualidade do produto, Noel trabalha há 30 anos no ramo e já fez cursos técnicos diversos do setor, entre eles, os de formação ministrados pelo Instituto Brasileiro de Café (IBC).

Trajetória de sucesso

Empresa atualmente de gestão familiar, foi idealizada em 1969 e oficializada em 1970, com a junção de 26 torrefações. Nascia então, a Unificação dos Torrefadores da Alta Mogiana (Utam), que aboliu as marcas individuais, para dar lugar a uma marca única no mercado, o café Utam, que surgiu como alternativa de sobrevivência num momento delicado da economia brasileira. Para afinar a política de gestão da torrefadora, em 1985, a família Júlio Soares, encabeçada por Américo Julio Soares e José Severino Júlio Neto adquire a totalidade das ações da companhia.

Desde a década de 50, liderada pelo patriarca Ramiro Júlio Ferreira, a família Júlio Soares já atuava no setor. Inicialmente, com a comercialização de grãos, posteriormente, com o beneficiamento, chegando ao plantio e à exportação. Em 1985, fecharam todos os canais da cadeia produtiva, entrando também no ramo da industrialização, com a aquisição da Café Utam S/A.

Os filhos de Ramiro: José Severino, Américo e Ana Valéria, assumiram a gestão da Café Utam, enquanto os demais irmãos seguiram com os outros empreendimentos. Em 25 anos, desde a aquisição da empresa, Américo e José Severino, membro do Conselho Administrativo, revezaram-se na presidência do grupo, enquanto Ana Valéria dirigia a filial de Piumhi (MG).

Nos últimos anos, trabalhando a sucessão familiar, os dirigentes da primeira geração, estão aos poucos transferindo os cargos de maior responsabilidade aos filhos. A gestão da família Júlio Soares sempre apontou um processo crescente de investimentos rumo à modernização da Utam, com uma linha de produtos voltada para atendimento das necessidades de seus consumidores, atualização da tecnologia de suas duas plantas industriais e dos centros de distribuição (Belo Horizonte e São José do Rio Preto), atingindo crescimento constante de vendas.

Confira aqui vídeo desta matéria

Texto: Rose Rubini
Fotos:Carolina Alves

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