História em quadrinhos
Historia Popular do Brasil em quadrinhos é vendido pela internet
O professor das redes municipal e estadual de ensino de Ribeirão Preto, Arnaldo Martinez Bacco Junior, é o entrevistado da semana pelo portal da Revide. Autor de “História Popular do Brasil em quadrinhos”, livro vendido pela internet na versão impressa e na versão para tablet ou celular, o professor, que também é desenhista, conta porque resolveu juntar essas duas habilidades e contar a história do Brasil de um jeito diferente e facil de compreender. Acompanhe a entrevista:
Antes de mais nada, por que lecionar História?
Arnaldo - Quando fiz sete anos de idade, ganhei de meu padrinho de Crisma um livro de história do Brasil chamado Histórias de Nossa História todo ilustrado em quadrinhos. Foi o meu primeiro livro e despertou em mim duas paixões: História e quadrinhos. Na quinta série, fui aluno da professora Elizabeth, no Amélia dos Santos Musa, e aí a paixão virou amor. Mas os gibis estavam sempre na minha mochila também. Depois, já adolescente, fui encontrando os quadrinhos alternativos publicados na revista Grilo e no Pasquim. Logo comecei a fazer charges para jornais e principalmente para as oposições sindicais, no final dos anos 70. As leituras politicas que fiz nesta época me aproximaram cada vez mais da História e resolvi ir para graduação. Hoje vejo o ensino de História como um compromisso que tenho, antes de tudo, comigo mesmo, pela ética, pela cidadania, pela humanização. Lecionar História é para mim, estar em comunhão permanente com a beleza do fazer-se humano.
Acha que os alunos, hoje em dia, dão mais/menos importância para a matéria?
Arnaldo - Penso que depende muito da abordagem do professor. É ele quem tem a possibilidade de despertar ou não o gosto do aluno pela sua disciplina. Claro que os jovens de hoje são alunos muito diferentes do que eu, por exemplo, fui. Hoje eles tem muito mais acesso a todo tipo de informação e um ensino bancário, conteudista, não satisfaz mais a esses alunos. Para gostar de História ou de qualquer outra disciplina, é preciso duas coisas: despertar no aluno interesse pela leitura e mostrar a ele a importância daquele conteúdo a ser ensinado. Também ajuda muito propor desafios criativos para os alunos. Todos nós aprendemos muito mais fazendo do que apenas observando.
Por que é importante aprender História, principalmente nos dias atuais?
Arnaldo - Existem duas frases bem clichês, mas que explicam bem esta questão. Primeira: quem não sabe de onde veio, não saberá jamais para onde está indo; segunda: povo que não conhece seu passado, certamente nõa terá futuro. Sempre que começo um curso, eu digo que a importância de se estudar história é conhecer a nós mesmos mais de perto, pois quando estudamos a história de um determinado povo, o que realmente estudamos é a história de cada individuo que compõe este povo, ou seja, o que é a história do Brasil se não a soma das histórias de cada brasileiro? Observe, quando os historiadores se deparam com o estudo de um determinado acontecimento em determinada época, eles vão tentar entender como este acontecimento repercurtiu. Vão precisar entender como funcionava a mentalidade do povo durante o periodo etudado. Para isso, vão procurar na arqueologia, na sociologia e mesmo na psicanálise, as histórias comuns em cada individuo para, então, compor um perfil da mentalidade da época estudada. Assim, o estudo da história nos leva para bem próximos de nós mesmos, afinal, ajudando a compreendermos porque pensamos de uma determinada maneira e não de outra, porque temos esta estética e não outra e por aí vai...
De que forma os quadrinhos podem contribuir?
Arnaldo - Vivemos hoje, inegavelmente, na era da imagem. Tudo gravita em torno da imagem. Por isso só, já justificaria o uso dos quadrinhos como recurso didático, mas é mais rico do que isso. Os quadrinhos são um facilitador da leitura e para muitos é a própria iniciação no mundo das letras (comigo por exemplo foi assim). Além disso, quando se trata de quadrinhos históricos, a imagem permite ao leitor uma aproximação muito maior com o objeto estudado, transpondo-se para a época observando os detalhes da arquitetura, do modo de se vestir, dos utensilhos utiliados. O leitor tem muito mais elementos para compor a restituição da época estudada, o que aumenta considervelmente sua capacidade de compreensão do fenômeno.
Já utilizou a técnica em aula? Qual foi o resultado?
Arnaldo - Sim, por várias vezes. Quando ainda não havia abordagens de alguns temas nos livros didáticos ou mesmo paradidáticos, eu mesmo produzia o meu material, utilizando sempre que possivel, das histórias em quadrinhos. Ainda hoje, quando trabalho principalemte com séries iniciais, o desenho na lousa é um recurso fantastico tanto para prender a atenção do aluno como para melhor explicar o assunto. Gosto muito de levar quadrinhos para a sala de aula, como Conan, Asterix, Ex-Man, Tarzan, Combate (histórias em quadrinhos sobre guerra, de autores brasileiros), Mafalda, Charlie Brown. Hoje o mercado editorial já tem alguns clássicos da literatura brasileira em versão quadrinizada, o que é muito bom para despertar o interesse pelo texto original.
E os quadrinhos, onde aprendeu e quais foram suas influências? Tem um estilo de quadrinho?
Arnaldo - Quadrinos a gente aprende desenhar desenhando. Desde muito criança eu já gotava de contar histórias e desenhá-las. Eu me considero mais um contador de histórias do que um desenhista. O desenho vem a reboque do texto. Assim é com os quadrinhos, assim é com as poesias, assim é com os meus contos infantis. Quanto as influências, são muitas. A primeira vem do meu outro padrinho, que foi a primeira pessoa que eu vi desenhar na minha frente. Parecia mágica. Depoi vieram os gibis e eu absorvi tudo o que pude, mas sempre preferi autores brasileiros e não é por nacionalismo não, mas por identificação. Então, me influenciaram muito Messias de Mello, Eugenio Colonese, Rodolfo Zalla, Jayme Cortez, Fernando Ikoma (com quem aprendi que você pode variar traços e estilos dependendo da história que você quer contar), Henfil, Ziraldo, Millor, Claudio Ceccon (talvez minha maior influência, não pelos traços, mas pelas temáticas), Robert Crumb, Esteban Marotto, Breccia, Julles Feiffer, Charles Schuls, Quino e, claro, o maior dos mestres da nona arte, Will Eisner. Atualmente, um artista que me encanta muito, acho até que pela aproximação tanto de conteúdo como de traço, é Joe Sacco.
E a ideia do livro de História em quadrinhos como surgiu?
Arnaldo - Penso que foi surgindo expontaneamente com o meu fazer diário nas salas de aula. Quando vi, estava ali na minha frente, desenhadinha e tudo. Meus alnos sempre diziam que eu deveria fazer um livro. Olha ele aí. Já estava pronto dentro e mim. Só eu não sabia.
Como o livro foi estruturado?
Arnaldo - Ele está estruturado em volumes por conta da limitção tecnica de arquivo. Este é o primeiro volume, que aborda desde o surgimento de Portugal até o fim das Capitanhias Hereditárias. O segundo já está quase pronto e deverá abordar até a Confederação dos Tamoios e a resistência palmarina.
Como tem sido a receptividade da obra?
Arnaldo - Está sendo lançado agora. Meu livro mesmo, recebi na quinta -feira passada, dia 05 de abril. Comecei publicá-lo em janeiro, quando ainda estava desenhando, mas só foi concluido em março. Portanto, está ainda zerinho, zerinho! Há duas semanas aproximadamente, comecei a divulgá-lo no Facebook e. até aqui, a receptividade tem sido muito boa, estou recebendo elogios de professores e pessoas ligadas aos quadrinhos, por exemplo, o que me deixa muito tranquilo em relação a qualidade da obra, que era a miha grande preocupação.
Está disponível para visualização no site, e quem quiser ter impresso, como faz?
Arnaldo - Ele está disponivel no site www.bookess.com/read/11235-historia-popualar-do-brasil/. Na página, no canto a direita, tem a opção de compra do livro impreso ou em midia eletrônica, como celulares, tablets e outras. Impresso ele custa R$ 33,82 e na versão eletronica R$ 4,82. O preço, que é determinado pela editora, é bem compativel com o que existe no mercado.
Por que disponibilizar na internet?
Arnaldo - Pela praticidade e baixo custo. Eu não teria como mandar imprimir e sair vendendo meus livros por aí. Essa forma de publicação permite ao autor desconhecido, colocar seu trabalho nas rees sociais e divulgá-lo com muito mais rapidez. A internet é uma ferramenta fantástica estou aprendendo a usá-la.
Tem próximos trabalhos em vista?
Arnaldo - Quando decidi publicar Historia Popular do Brasil em quadrinhos, enviei para a editora outro livro como teste. Trata-se do Chico, Chiquinha e Chicão que eu publiquei anteriormente em alguns blogs de amigos. Ficou muito legal e tambem pode ser encontrado pelo site www.bookess.com/read/11275-chico-chiquinha-chicao/. Agora estou finalizando um livro de poesias para crianças, alem do segundo volume da Hiatória Popular do Brasil e mais alguns projetos. Entre eles, está um livro de educação ambiental que fiz em parceria com Evandro Navarro, com músicas e poeias sobre a fauna brasileira, mas para este projeto, vamos precisar de um apoio maior, dada a sua envergadura. Gostaria, se possivel, de registrar meus agradecimentos a três pessoas muito especiais que muito me ajudaram a postar estes dois livros, que são os professores Michael Bonadio, Mauro Bartolomeu e Edison Paes, todos autores da mesma editora e parceiros na escola. Claro, tembém agradeço o apoio de todos os meus amigos que muito tem colaborado para a divulgalção dos meus livros.
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Fotos - Ibraim Leão e divulgação