Hora de escolher
Os eleitores de Ribeirão Preto têm para escolha, neste 2 de outubro, nove candidatos a prefeito e vice e 567 a vereador; mais de 435 mil estão aptos a votar
Tudo pronto. Urnas carregadas e expectativa crescente para a votação deste domingo, o primeiro turno das eleições municipais em todo o país. Em Ribeirão Preto, há 435.369 eleitores, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), espalhados em quase 1,2 mil seções eleitorais em 119 pontos de votação. As seis as zonas eleitorais têm como base os bairros da cidade e chegam também a Bonfim Paulista e Guatapará, que continua a pertencer à Comarca de Ribeirão Preto. A 108ª zona eleitoral é considerada a mais importante não apenas por concentrar os eleitores da região central, mas também por ser a coordenadora da eleição. O pleito deste ano será presidido pelo juiz titular Ricardo Braga Monte Serrat. A 305ª zona também é estratégica na disputa, por cuidar da propaganda eleitoral.
Na eleição deste domingo, o eleitor ribeirãopretano poderá escolher entre nove candidatos a prefeito e seus respectivos vices. Também poderá optar por um dos 592 candidatos a vereador. Destes, 25 concorrem com recurso, em função do indeferimento das candidaturas. Outros 16 foram indeferidos e não recorrerão e 23 renunciaram no meio da campanha. Este é o maior número de candidatos da história das eleições em Ribeirão Preto. Na mais recente disputa municipal, em 2012, foram seis candidatos a prefeito e vice e 458 a vereador, com 15 indeferidos e outras sete renúncias.
Chapas puras e coligações
Dos nove candidatos na disputa, cinco entraram na briga pelo voto em coligações com outras legendas, enquanto quatro optaram por chapas puras, inclusive para as eleições proporcionais, de vereadores. Alexandre Sousa (PTdoB), Dr. Hermenegildo (PSOL), Edmur Manfrin (PV) e João Gandini (PSB) disputam sem o apoio de outros partidos.
O candidato do PSDB, Duarte Nogueira, tem uma base composta por mais seis partidos — Solidariedade (SD), PPS, PTC, PHS, DEM e PP —, que formam a coligação “Juntos Vamos Mudar Ribeirão”. Fábio Zan, da Rede Sustentabilidade, está coligado com o Partido Pátria Livre (PPL). Do PDT, Ricardo Silva juntou, na coligação “Ribeirão Levada a Sério”, outros seis partidos: PMDB, PSC, PR, PEN, PROS e PRB. Já Rodrigo Camargo, do PTB, fez coligação com o PSD, na majoritária (prefeito) e proporcional (vereadores). Wagner Rodrigues, do PCdoB, disputa a eleição em coligação, também majoritária e proporcional, com o PT.
Abstenção
A abstenção — falta dos eleitores no dia da eleição — cresce de forma preocupante. No primeiro turno das eleições de 2012, com 419.435 eleitores, foram 303.070 votos válidos, descontando os ausentes, votos brancos e nulos. Na eleição seguinte, em 2014, no primeiro turno das eleições gerais, eram 430.084 o número de eleitores e o maior número de votos válidos registrado — 298.220 — foi para presidente da República. Com isso, o percentual de votos válidos caiu de 72,25%, em 2012, para 69,4%, em 2014. Para os demais cargos —governador, senador e deputados estaduais e federais — o número de votos válidos foi ainda menor.
Câmara passa a ter 27 cadeiras
Além do prefeito que pode ser eleito neste domingo ou dos dois escolhidos para disputarem o segundo turno, os eleitores definirão os 27 vereadores que comporão a Câmara a partir do próximo ano. Isso porque a emenda à Lei Orgânica Municipal (LOM), que previa 22 cadeiras no Legislativo, foi considerada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, por ter sido aprovada sem obedecer ao prazo de um ano antes da eleição. A Câmara recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que ainda não se manifestou. Como a emenda é inconstitucional, vale a aprovada anteriormente, que prevê as 27 cadeiras.
Os nove da disputa
Conheça um pouco dos nove homens que entraram na disputa pela Prefeitura de Ribeirão Preto. A ordem dos candidatos na apresentação a seguir é a mesma obedecida para a publicação de entrevistas, após sorteio na presença dos assessores dos candidatos.
Edmur Manfrin (PV) prefeito e Edson Bravo (PV) vice-prefeito
Edmur Manfrin, 67 anos, é professor dos ensinos médio e superior há mais de 40 anos. É a primeira vez que ele disputa o cargo de prefeito. Em 2012, foi candidato a vereador e obteve 2.768 votos, ficando na primeira suplência do partido. Como candidato a prefeito, defende a sustentabilidade e a valorização humana. Para o candidato, a administração pública precisa ser encarada como uma empresa, administrada por técnicos. “Uma administração pública não é para ceder pastas (secretarias municipais) em troca de favores”, argumenta.
Fábio Zan (Rede Sustentabilidade) prefeito e Josias Lamas (PP) vice-prefeito
Fábio Zan, 50 anos, é administrador de empresas e empresário e, pela primeira vez, disputa uma eleição. Já morou nos Estados Unidos e, na volta, trabalhou como professor de inglês. Foi proprietário de estabelecimentos comerciais e atuou em uma importadora e distribuidora de cervejas artesanais até ser convidado a construir e gerenciar uma cervejaria em Campos do Jordão. De volta à cidade, abriu um estabelecimento comercial na área de alimentação. O candidato pretende retomar o diálogo com a sociedade e recuperar a imagem da administração pública.
Duarte Nogueira (PSDB) prefeito e Carlos Cezar Barbosa (PPS) vice-prefeito
Antônio Duarte Nogueira Júnior é engenheiro agrônomo e tem 52 anos, tendo sido deputado estadual por três mandatos. Está em seu terceiro mandato como deputado federal, cargo para o qual foi reeleito em outubro de 2014, com 254.051 votos. Foi presidente do PSDB do Estado de São Paulo por dois anos (2013 a 2015) e secretário de Estado de Logística e Transportes de janeiro de 2015 a abril de 2016. Já foi, também, secretário estadual de Habitação e Agricultura. Esta é a quarta vez que concorre à Prefeitura da cidade, tendo disputado as eleições de 1992, 2000 e 2012.
Dr. Hermenegildo (PSOL) prefeito e Mário Cortez (PSOL) vice-prefeito
O candidato do PSOL a prefeito é o médico José Hermenegildo de Martin, que disputa a primeira eleição majoritária. Em 2012, foi candidato a vereador pelo PDT. Entre as principais bandeiras da campanha estão a saúde e o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Também defende que o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) seja progressivo, de forma a favorecer quem tem menos recursos. Caso vença a eleição, Hermenegildo promete fazer uma auditoria para descobrir a real situação financeira da Prefeitura de Ribeirão Preto.
Alexandre Sousa (PTdoB) prefeito e Anderson Bianchini (PTdoB) vice prefeito
O advogado Alexandre Sousa, 34 anos, entrou na disputa eleitoral em função da prisão do ex-deputado federal Fernando Chiarelli, seu mais conhecido cliente, já libertado. Esta é sua primeira disputa eleitoral. Filho de caminhoneiro com uma comerciária, sempre morou no bairro Adelino Simioni, zona Norte da cidade. Estudou em escola pública e foi policial militar. Polêmico como o mentor Chiarelli, ele promete, caso eleito, uma auditoria nas contas públicas para identificar desvios e repatriar recursos que estejam em Ribeirão Preto ou em Miami.
Wagner Rodrigues (PCdoB) prefeito e Fernando Tremura (PT) vice-prefeito
Coligado com o PT, o sindicalista Wagner de Souza Rodrigues (PC do B) concorre a prefeito de Ribeirão Preto na segunda disputa eleitoral. Em 2014, foi candidato a deputado estadual. Presidente licenciado do Sindicato dos Servidores Municipais, Wagner Rodrigues tem 43 anos e é funcionário público da Prefeitura. Em sua campanha, tem defendido políticas sociais e demonstrado inconformismo com a chegada de Michel Temer (PMDB) à presidência da República e criticado as propostas do governo federal, notadamente a previdenciária.
João Gandini (PSB) prefeito e Cleusa Colucci (PSB) vice-prefeita
O juiz aposentado João Gandini, 60 anos, está na terceira disputa eleitoral, sendo a segunda a prefeito. Em 2012, disputou a eleição pelo PT e ficou em terceiro lugar, com 45 mil votos. Em 2014, já no PSB, foi candidato a deputado estadual. Em seu currículo está, principalmente, a carreira de 30 anos como juiz, sendo 27 em Ribeirão Preto, onde atuou no programa Moradia Legal e conseguiu tirar milhares de famílias de favelas. Prega uma administração austera e transparente, com negociações abertas, sem a troca de apoio político por favores.
Ricardo Silva (PDT) prefeito e Guilherme Feitosa (PMDB) vice-prefeito
O vereador Ricardo Silva, 31 anos, está no primeiro mandato na Câmara, onde atuou na oposição ao governo atual, apesar de ter sido eleito na coligação da prefeita Dárcy Vera (PSD). É advogado e também formado em Filosofia, com pós-graduação em Sociologia. Na campanha, o candidato tem pregado a transparência na administração municipal, que deve ter pessoas técnicas nos diversos setores, sem apadrinhamento político. Entre suas propostas, promete priorizar a saúde, a educação e o investimento em infraestrutura, notadamente no tapa-buracos.
Rodrigo Camargo (PTB) prefeito e Oscar Luiz de Mora Lacerda (PTB) vice-prefeito
O advogado e jornalista Rodrigo Camargo, 44 anos, disputa este ano sua primeira campanha eleitoral. Candidato do PTB, em coligação com o PSD, o radialista diz que encara o desafio de ser candidato a prefeito de Ribeirão Preto para atender aos anseios da população, que pede novos nomes na política, com passado limpo e compromisso com a cidade. O candidato comenta ter forte ligação com a educação e escolheu o PTB por entender que o partido, além de ter uma longa história de luta, precisava de uma transformação em Ribeirão Preto.