Hora de ir à Escola
A escola é parte integrante na vida de uma pessoa que, por sua vez, trabalha para dar ênfase ao desenvolvimento do aluno bem como ajudar na formação de seus valores
As férias estão chegando ao fim, logo será hora de organizar o material escolar, separar o uniforme e entrar no ritmo das mudanças e das novidades. A escola é mais um ciclo importante para o desenvolvimento do ser humano e depende da responsabilidade de pais, alunos e professores para que essa trajetória seja cumprida com êxito. O início do ano letivo traz com ele a expectativa dos pais e principalmente dos estudantes quanto ao primeiro dia de aula. Quais serão os professores? O que mudou na sala de aula? Quem serão os novos colegas? Haverá matérias divertidas? Enfim, são dúvidas e ansiedades que povoam a mente dos estudantes durante a contagem regressiva para o retorno.
A adaptação — ou readaptação para aqueles que retornarão à mesma escola — é um processo que merece atenção e costuma durar aproximadamente uma semana, desde que a família já esteja preparando o aluno para o retorno. Ana Maria Sousa, diretora pedagógica dos colégios Criança e Cia e Cognitivo ressalta que é importante os pais se prepararem para transmitir às crianças uma impressão positiva do que representa ir ou voltar ao colégio. Elas precisam receber apoio na transição das férias às aulas. “Atuamos com uma partilha de adaptação para os pais se informarem melhor sobre essa fase. Além disso, acompanhamos de perto cada um deles, principalmente pais de primeira viagem, para que esses estejam cientes de como as suas emoções influenciam na adaptação de seus filhos”. Ana Maria
acrescenta ainda que a criança pode não manifestar a ansiedade verbalmente, é preciso ficar atento aos sinais, como falta de sono, choro, irritação e resistência para ir à escola. Portanto, é fundamental que os pais estejam tranquilos. “Eles também ficam ansiosos, algumas vezes, mais preocupados que os próprios filhos. As crianças percebem o que pode acentuar a tensão”, completa.

No que diz respeito às crianças mais novas, da Educação Infantil, a adaptação é uma das questões mais significativas, por isso, é importante que a escola esteja preparada para lidar com o fator psicológico através de cuidados especiais, tanto pedagógicos como emocionais. Planejar a acolhida, organizar o ambiente de convívio, administrar a rotina, isso faz lembrar o quanto o espaço escolar é mágico. Segundo a coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental II - Colégio Queiroz Brunelli, Paula Maria Spagnuolo Paro Sanches, os professores têm papel preponderante também nesse retorno, pois serão o gatilho propulsor de estímulos, por conseguinte deverão criar situações e momentos de afetividade, dando a oportunidade à troca de experiências. “O importante é que o aluno — independente da faixa etária — perceba que o espaço escolar foi planejado e reorganizado para recebê-los, assim a apropriação da escola acontecerá de forma mais natural. Isso favorecerá a percepção de quanto esse ambiente pode ser prazeroso”, pontua.

A escola é um espaço diversificado. No início de cada ano letivo, chegam alunos de outras escolas, outras cidades e outras turmas. Nesse sentido, é natural que as crianças fiquem mais contraídas. “Para que se sintam bem no novo ambiente, pais e professores devem estimular à participação em atividades diversificadas, desenvolvidas em diferentes horários, desde dinâmicas das salas de aula, como atividades de integração durante o intervalo”, completa Paula. Claro que o olhar atento dos profissionais para esses alunos é primordial, pois assim não se sentirão sozinhos ou isolados.
Lauraci Garcia Tazinaffo Junqueira, coordenadora pedagógica da Educação Infantil no Liceu Albert Sabin, revela que a chegada dos pequenos é muito aguardada pelos educadores que se preparam para receber, gradativamente, as crianças de dois e três anos, após as entrevistas com os pais e professores. Dessa forma, o professor estará totalmente disponível para acolher, de maneira individualizada, as crianças dessa idade. “Com os alunos maiores, adotamos outro procedimento: no primeiro dia de aula, recebemos os alunos antigos, relatamos a eles a chegada dos novos que acontecerá no dia posterior ao do início das aulas para que se sintam acolhidos pelo grupo todo”, explica a coordenadora.

O mesmo vale para o Ensino Fundamental que traz com ele inúmeros desafios, pois cada série apresenta demandas crescentes e o aluno pode sentir um misto de ansiedade e de saudade do ano anterior. Maria Cecília Migliorini de Oliveira Lima, diretora pedagógica da Escola Arte do Museu- Educação Infantil e Ensino Fundamental I, salienta que em relação especificamente a esse período é importante que a coordenação conheça previamente os novos alunos e confira os currículos e conteúdos cursados na escola anterior. “A preparação de atividades de adaptação será feita, caso necessário, com muita tranquilidade, priorizando o envolvimento e curiosidade da criança nas atividades”. Nesse momento, se faz necessário que o educador promova, além do acolhimento, dinâmicas que estreitem os laços efetivos entre os próprios alunos e entre o aluno e o educador. “Atividades lúdicas, dramatizações, dinâmicas em grupo e brincadeiras coletivas são abordagens que podem ser adotadas”, sugere Maria Cecília.

Mônica Righi, diretora geral da Escola SEB - Unidade Portugal, frisa que as férias são momentos únicos de convivência com as famílias e os amigos. Já o retorno ao ano letivo é um momento para estreitar os laços entre pais, alunos e educadores. “Cuidamos da acolhida com todo carinho e, até vivenciamos trocas de experiências. Introduzimos inovações metodológicas. O grupo SEB, por exemplo, dedicado ao aprimoramento contínuo de suas práticas em busca da excelência educacional e com a característica de inovação que o consolida, alinhado às tendências mundiais, possibilitará ainda mais o cumprimento da missão de formar indivíduos críticos, éticos e responsáveis”, comenta a diretora.
Geração Tech
A adaptação faz parte do processo de aprendizagem. As transições e as mudanças de comportamentos demandam tempo. Com o uso da tecnologia não é diferente, se a criança passou certo tempo por dia brincando com jogos digitais nas férias, é bem provável que esse tempo diminua quando voltar ao período letivo porque ela terá menos horas livres. Todavia, é preciso estar atento para esse uso no que diz respeito ao tempo e ao tipo de conteúdo acessado. Sabe-se que o acesso para conexão e colaboração, como jogos on-line ou trabalhos escolares por um tempo de, no máximo, 4 horas por dia, é muito positivo e incrementa o desempenho escolar.

Entretanto, se a conexão for superior e a maior parte desse tempo for gasto em redes sociais, esse acesso pode até prejudicar a saúde mental dos estudantes. “Como atuamos com o uso da tecnologia na Escola Concept de uma forma muito contextualizada com a aprendizagem, essa adaptação é mais tranquila, seja porque os estudantes gostam de vir para a escola ou porque deixar a tecnologia de lado não é um grande problema. Assim quando for usar a tecnologia na escola ou em casa o fará de forma mais consciente e equilibrada porque trabalhamos e dialogamos muito sobre esse uso qualificado com eles”, conta Ana Paula Gaspar, coordenadora de tecnologia aplicada da Escola Concept.
Para Vera Beatriz Carlotti, coordenadora do Ateneu Barão de Mauá, o cenário que o aluno vive hoje é envolvido pela tecnologia. Portanto, não existe possibilidade de fugir dessa realidade. “A tecnologia deve ser aliada do ensino em sala de aula e em casa. Pesquisas são importantes na aquisição de conhecimento e independência na aprendizagem. O estudante precisa ir além da sala de aula, a aprendizagem não ocorre somente no ensino escolar. Nossos alunos são inseridos num cenário onde são desafiados a resolver problemas, desenvolver projetos, criar produtos, tanto no mundo acadêmico como no profissional”, expõe Vera.

O fato é que hoje se trabalha com uma geração de alunos com muita energia, acostumados com a linguagem digital, portanto é preciso criar condições dinâmicas de trabalho para que eles queiram aprender. Para Ana Paula, a tecnologia leva o educador a um papel de pesquisador e, sobretudo, de criador. Se antes os conteúdos estavam centrados neles e nos livros, agora está disponível na internet. Esse novo educador se preocupa mais em como ajudar o estudante a encontrar boas referências, em como relacionar as informações e, claro, em como resolver problemas e responder às perguntas com todo esse conhecimento disponível. “O uso da tecnologia na escola dispara uma série de novos comportamentos e exige novas competências que o ensino precisa encaminhar para criar uma relação saudável entre educadores e estudantes”, avalia a coordenadora.
O acesso à informação por meio da internet mudou os paradigmas da educação. Ciente disso, a diretora geral do Colégio Auxiliadora, Luciana Orsini, revela que a escola busca o aperfeiçoamento constante das tecnologias em salas de aulas e nos demais ambientes de estudo. Exemplo disso são as capacitações de professores e colaboradores que executam o material didático digital — ferramenta que possibilita uma aprendizagem mais colaborativa e um ensino interativo. “A novidade deste ano é a implantação do programa Astro Maker Robótica, que objetiva desenvolver competências por meio de atividades práticas. A disciplina, que será desenvolvida, inicialmente, no Fundamental I, envolverá diversos conteúdos curriculares e em um contexto tecnológico”, apresenta Luciana.
Preparação para o vestibular
Para os estudantes do ensino médio, o inicio do ano letivo significa iniciar uma difícil e importante etapa da vida. Afinal, no fim do ano, eles terão que encarar o vestibular e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Esses que são os primeiros passos para o mundo profissional. Por isso, os educadores salientam a importância de se preparar desde agora para a tarefa. Eduardo Gula, diretor pedagógico do Colégio Einstein, explica que no início do ano os alunos têm palestras de organização, planejamento e orientação de estudo; a metodologia adotada pelo Einstein acredita em uma formação mais abrangente, por isso, incentivam os alunos a participarem de atividades de extensão, culturais e/ou esportivas. “Para os alunos da 3ª série e do extensivo, o ano se inicia com uma pesquisa de desempenho nos vestibulares de 2017 e interesses para 2018, ponto de partida para o coach de estudo que realizamos no Einstein, fundamental para que os alunos se mantenham organizados, motivados e tenham segurança para encarar os vestibulares no final do ano”, expõe o diretor.

Passada a tensão do vestibular, esses alunos têm uma missão árdua: a escolha do curso e o início de grandes descobertas. Alguns ficam em dúvida entre as áreas de exatas, saúde ou humanas. Já outros, são categóricos e sabem exatamente qual a escolha profissional. Independente do perfil do aluno, após a aprovação ainda há um longo caminho de estudos a ser percorrido até o diploma de conclusão do ensino superior.
Segundo a coordenadora da Pedagogia e Educação a Distância da Unaerp, Alessandra Fracarolli Perez, é comum os estudantes sentirem uma diferença, pois no ensino médio, geralmente, a metodologia é mais tradicional, com um estudante passivo, seguindo o cumprimento de apostila com foco nos processos seletivos para entrar na Universidade. “Já ao ingressar no ensino superior, o estudante precisa ter uma mudança de postura, participando ativamente do processo de autoaprendizagem”, argumenta a coordenadora.
Alessandra acrescenta que buscando se adequar às exigências de um mundo em constante evolução e a estudantes que acompanham profundamente estas mudanças da sociedade, a Universidade tem investido em promover a educação por meios de aprendizagem mais interativas e envolventes. “Neste contexto, a universidade tem se preparado com o amparo das metodologias ativas, que despertam o protagonismo do aluno, de modo a torná-lo mais engajado com o próprio ensino, colaborativo e criativo”.
A expectativa do curso superior não é apenas para o aluno, mas, também, para os educadores que têm a tarefa de orientar e formar bons profissionais para o mercado de trabalho. No Centro Universitário Moura Lacerda, por exemplo, uma das primeiras ações do no letivo é a Semana de Planejamento Docente, que reúne coordenadores e professores de todos os cursos. Com palestras técnicas e motivacionais e reuniões específicas, os objetivos são fortalecer as atividades dentro da sala de aula e refletir sobre as inovações pedagógicas e acadêmicas, intensificando a importância do relacionamento entre docente e aluno. “Também está inclusa no calendário da instituição, a entrega do IV Prêmio “Dr. Oscar de Moura Lacerda”, que reconhece a excelência do Programa de Iniciação Científica (PIC) e fortalece a pesquisa acadêmica nas graduações do Centro Universitário”, afirma Paulo Lapini, diretor superintendente.
Além da sala de aula
Cursos extracurriculares são uma oportunidade para ampliar a discussão de assuntos que não são abordados ou não são aprofundados em uma sala de aula regular. Em um curso de redação, por exemplo, os alunos recebem atenção individual. “Em turmas pequenas, o professor orienta o aluno de forma personalizada, corrigindo os equívocos, incentivando cada avanço até que ele possa assimilar exatamente o que foi visto. Aliás, esse é o diferencial dos cursos extracurriculares: a especificidade”, ensina Luiz Puntel, professor de redação há 40 anos e proprietário da Oficina Literária Puntel.
A professora e coordenadora da Escola 100% Redação, Regiane Pedigone, partilha da mesma ideia sobre a importância de cursos com aprofundamento específico. “Isso faz toda diferença, porque ultrapassa o senso comum. Educação de qualidade é essencial, deve ser o pilar capital do investimento pessoal em um mundo em que cada vez mais as pessoas fazem escolhas impensadas e colherão os frutos das sementes plantadas”, comenta a coordenadora.
Nas aulas ministradas em sua oficina, Puntel destaca que os alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio tomam contato com textos cujos temas são diferenciados e, depois, produzem as redações. “Com isso, aguçam a visão de mundo e a criticidade, aprendendo a ter argumentos, a ter discernimento do que seja o senso comum e a maturidade de pensamento, questões que auxiliam tanto em sala de aula como, posteriormente, no mercado de trabalho”, esclarece o professor.
Segundo Puntel, a proximidade do vestibular e o grande volume de matérias a serem estudadas fazem com que os alunos do 3º ano do Ensino Médio sejam a maioria, quando o assunto são cursos extracurriculares. “Entretanto, é importante salientar que o ideal é que os jovens iniciem os cursos ainda no Ensino Fundamental para que possam desenvolver um escrever amadurecido, com bom vocabulário e ideias pertinentes às temáticas que serão propostas pelos grandes vestibulares”, enfatiza o professor.
Regiane acrescenta que a redação revela a base cultural da pessoa. Por esse motivo essa disciplina, muitas vezes, define o vestibular. Além disso, algumas instituições têm formas diversas de interpretar o texto e valorizam algo específico na escrita. “É a partir dessa proposta que entram os treinos específicos para cada vestibular, o que tem dado grandes resultados como mais de 200 aprovações em medicina só neste ano. Além disso, um bom domínio cultural traz segurança em entrevistas de trabalho que a cada dia são mais exigentes”, completa a professora.
Texto: Pâmela Silva | Fotos: Ibraim Leão e Julio Sian