Hora de ir à urna
Neste fim de semana, o Brasil começa a desenhar seu futuro cenário político com as eleições em todo território nacional
Mais de 147 milhões de brasileiros têm um compromisso com a democracia no dia 7 de outubro. Entre eles, 443,2 mil eleitores ribeirãopretanos estão aptos a participar do primeiro turno das eleições gerais, que definirão deputados estaduais e federais, senadores, governadores e o presidente da República. Na Região Metropolitana de Ribeirão Preto, mais de 50 pessoas lançaram candidaturas à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal; outras 20 cidadãos, em todo o Estado de São Paulo, apresentaram candidaturas por uma vaga no Senado. Para o governo paulista e para a Presidência da República, o eleitor conta com 13 possibilidades de voto.
Ribeirão Preto chega às eleições de 2018 carregando o rótulo de município com maior número de abstenções no processo eleitoral anterior, de 2016, quando 27,6% do eleitorado não compareceu às urnas no segundo turno. Na ocasião, 120 mil abriram mão do direito ao voto. Este ano, a cidade soma 13 mil novos eleitores, em relação ao pleito anterior. No total, 118,8 mil eleitores fizeram o cadastro biométrico, enquanto 324,3 mil, ou 73%, ainda não atualizaram o cadastro eleitoral. A partir de 2020, o cadastro biométrico será obrigatório em todo o Estado de São Paulo.
Para o coordenador do Observatório das Eleições, da Associação dos Advogados de Ribeirão Preto (AARP), Edson Oliveira, a falta de vontade de atualizar os registros eleitorais se deve, também, a certo desânimo das pessoas com relação à política, o que também explica tamanha abstenção registrada no município na última oportunidade. “Se a não atualização do cadastro será um complicador, ainda não dá para dizer. Quem, de fato, é comprometido com o voto, fará a mudança dentro do prazo ou já realizou o cadastro biométrico. Agora, de fato, essa constatação entristece, uma vez que denuncia o desânimo de muitas pessoas”, acredita Oliveira. Segundo o advogado, uma nova abstenção elevada, se concretizada, não surpreenderá. “O trabalho do Observatório serve, justamente, para convidar o povo para comparecer às urnas”, argumenta Edson.

Perfil do eleitor
Conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o eleitorado ribeirãopretano é majoritariamente feminino, composto por 53,8% de eleitoras. Formam a maioria, também, os eleitores entre 35 e 39 anos, que somam mais de 50 mil pessoas. Boa parte desse eleitorado, ou 26,2%, tem ao menos o Ensino Médio completo.
Para atender a todos, cerca de 7 mil pessoas devem trabalhar como mesários, secretários e presidentes de seção em Ribeirão Preto. Entre eles está a agente de organização escolar Adriana Arndt, que atuará ativamente na quinta eleição, desta vez, como presidente de Seção, na Escola Amélia dos Santos Musa, no Ipiranga, Zona Oeste de Ribeirão Preto. Segundo ela, esta é uma atividade muito mais puxada do que muitas pessoas imaginam. “Antes de me tornar mesária, não imaginava o quanto este trabalho exige dos cidadãos convocados. Não é à toa que a Justiça Eleitoral se refere a uma ‘força tarefa’ quando nos chama para o treinamento. Resumidamente, diria que nosso trabalho é como o de uma formiguinha”, comenta.
O mesário lida com o público, conferindo seus documentos, colhendo assinaturas e, depois da votação, devolvendo seus documentos. Segundo Adriana, muitos eleitores ainda relutam em carregar documentos com foto. Outro problema recorrente é ouvir comentários dos eleitores sobre os candidatos. “Em certa ocasião, um presidente da nossa seção não soube cortar o assunto e deixou a conversa evoluir até um ponto constrangedor”, recorda a agente.
Baixa qualidade durante a campanha
Para o publicitário Laércio Ferreira, especialista em marketing político, a atual campanha eleitoral brasileira foi bastante fraca, se comparada às anteriores. Isso porque, na sua opinião, os candidatos não apresentaram propostas para o país. Além disso, Laércio acredita que as campanhas foram prejudicadas em razão da nova legislação, que veda a comunicação dos candidatos neste período.
Para Ferreira, a sociedade brasileira precisa repensar a política, deixando de se preocupar com o assunto apenas no dia da eleição. Em vez disso, é preciso discutir a política em si. “Os cidadãos continuam pensando a eleição como algo de que precisam se livrar em determinada data e pronto. Não se vê discussões com base no que se espera ou deseja para o futuro da sociedade. Em resumo, não se discute a política, mas o político. Esse é o nosso erro”, afirma o publicitário.

As discussões sobre política, segundo o especialista, são prejudicadas pelas proibições impostas ao período eleitoral, como a impossibilidade dos eleitores pendurarem bandeiras em casa, por exemplo. “Assim, não dá para saber, por exemplo o que o vizinho pensa, justamente, para não gerar uma discussão política. Diferente disso, precisamos sonhar com uma lucidez coletiva: precisamos de conflito ou de um projeto de nação?”, questiona.
O publicitário acredita que só uma reforma política poderá mudar situações como essas, começando pela adesão ao voto distrital, por exemplo. “Por que isso não ocorre? Porque muda o estilo de comunicação e, ao fazer isso, precisa admitir propaganda de rua, com placas e cartazes, por exemplo, única mídia que consegue cercar por ruas, e não o rádio e televisão, que propaga para outras regiões”, pontua.
Todos esses entraves, segundo o especialista, geraram uma campanha focada em eleger os mesmos políticos de sempre, não contribuindo para uma renovação dos políticos brasileiros. “Isso acontece porque as campanhas são de baixo nível, ou seja, nivela o discurso entre nada”, afirma Ferreira, que não identificou muitas propostas durante o período eleitoral. Em vez delas, observou muita troca de acusações entre os candidatos.
Presidenciáveis
Alvaro Dias (Podemos)
Cabo Daciolo (Patriota)
Ciro Gomes (PDT)
Fernando Haddad (PT)
Geraldo Alckmin (PSDB)
Guilherme Boulos (Psol)
Henrique Meirelles (MDB)
Jair Bolsonaro (PSL)
João Amoêdo (Novo)
João Goulart Filho (PPL)
José Maria Eymael (DC)
Marina Silva (Rede)
Vera Lúcia (PSTU)
Candidatos ao Governo paulista
João Doria (PSDB)
Paulo Skaf (MDB)
Lilian Miranda (PCO)
Professor Cláudio Fernando (PMN)
Luiz Marinho (PT)
Professora Lisete (Psol)
Major Costa e Silva (DC)
Rodrigo Tavares (PRTB)
Marcelo Cândido (PDT)
Rogério Chequer (Novo)
Márcio França (PSB)
Toninho Ferreira (PSTU)
Senado
Antonio Neto (PDT)
Cidinha Raiz (MDB)
Diogo da Luz (Novo)
Dra. Eliana Ferreira (PSTU)
Eduardo Suplicy (PT)
Educador Daniel Cara (Psol)
Jair Andreoni (PRTB)
Jilmar Tatto (PT)
Kaled El Malat (DC)
Luiz Mancha (PSTU)
Major Olimpio (PSL)
Mara Gabrilli (PSDB)
Marcelo Barbieri (MDB)
Mario Covas Neto (Podemos)
Maurren Maggi (PSB)
Moira Lázaro – mandato coletivo (Rede)
Nivaldo Orlandi (PCO)
Pedro Henrique de Cristo (Rede)
Professora Silvia Ferraro (Psol)
Ricardo Tripoli (PSDB)
Deputados
MDB
Federal
Baleia Rossi
Estadual
Leo Oliveira
Novo
Federal
Ferraz Júnior
Maria Claudia Carvalho
Estadual
Isaac Barreto
Patriota
Federal
Adilson Barroso
Bertolino
Fernando Chiarelli
Estadual
Alexandre Sousa
Cristiano Ursulini
Marco Portella
PCdoB
Estadual
Glauber
Sidnei Taliba
PDT
Estadual
Professor Ismael
PHS
Estadual
Gustavo Coelho
João Gandini
PMN
Estadual
Juari
Podemos
Federal
André Rodini
Marco Feliciano
Estadual
Isabel da Arquitetura
Marcinha da Renovação
PPS
Federal
Arnaldo Jardim
PR
Federal
Ester Nardin
Nahla Plus
PROS
Federal
Sargento Henrique Passarinho
Estadual
Chaveirinho
Lucas Kexão
PSB
Federal
Ricardo Silva
Estadual
Rafael Silva
Suely Vilela
PSD
Estadual
Wilma Malta
PSDB
Federal
Dr. Yussif Ali Mere
Samanta Duarte Nogueira
Estadual
Fabiano Trigo
Mauricio Gasparini
PSL
Federal
Rodrigo Junqueira
Tenente Coronel Nusque
Estadual
Marcio Thomanizi
Paulo da Sucata
PSOL
Federal
Ramon Faustino
Estadual
Dr. Hermenegildo
Fernando Ferreira
Luquinha Atleta
Professor Sandrão
PT
Federal
Carlos Alberto Bezerra
Jorge Roque
Estadual
Andresa Furini
Roberto Enfermeiro
Roberto Gândara
Sidnei Rosa
PV
Federal
Tatiane Biaggi
Rede
Federal
Marcos Papa
Estadual
Professor Henrique Croisfelts
Sonia Borges
Escolaridade do eleitorado em RP
26,2% - Ensino médio completo.
22,8% - Ensino Fundamental incompleto.
20,2% - Ensino Médio incompleto.
13% - Superior Completo.
7,4% - Ensino Fundamental Completo.
6,1% - Superior Incompleto.
2,5% - Lê e escreve.
1,3% - Analfabetos.
Atente-se!
No dia 7 de outubro, os eleitores têm entre 8h e 17h para comparecer às urnas e manifestar seis escolhas: pela ordem, o eleitor deverá digitar os quatro números que identificam o deputado federal e, na sequência, os cinco números referentes ao candidato a deputado estadual escolhido. Posteriormente, deverão ser apontados os dois candidatos ao Senado Federal, cada um com três números. O candidato ao governo estadual e à presidência da república encerram, nesta ordem as escolhas do eleitor. Os dois últimos podem ser identificados pela combinação de dois números. Uma dica é levar os números anotados em um papel, na ordem correta, para não se perder durante o processo. Mais importante, ainda, é não esquecer de carregar o título de eleitor, que contém as informações sobre a seção eleitoral correspondente, e um documento pessoal com foto. Caso o eleitor tenha realizado o cadastro biométrico, poderá se valer, também, do e-Título na hora da votação. O aplicativo, disponível para aparelhos Android e iOS, deve ser baixado e preenchido corretamente. A novidade poderá ser utilizada em substituição ao documento com foto e ao título de eleitor impresso no momento da votação.
Texto: Leonardo Santos