Hora do acerto com o governo
Com o início de ano chega o aperto financeiro com o pagamento de impostos, o que exige planejamento dos recursos

Todo começo de ano é sempre a mesma coisa: contas de Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e despesas com material escolar chegam para amedrontar o brasileiro após as festividades de Natal e Réveillon.
Mas para que ninguém se veja na corda bamba durante os meses de janeiro e fevereiro, vale a dica dos economistas para realizar um planejamento financeiro. Segundo o economista da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), Fred Guimarães, é fundamental que se faça um controle das finanças e uma previsão orçamentária – e isso é válido tanto para pessoa física quanto para jurídica.
“Isso serve para que haja equilíbrio”, comentou. “Mas a principal mudança que tem de estar na cabeça da pessoa, é ter consciência e provisionar valores. Se sei que vou ter uma despesa daqui a 90 dias, tenho que me organizar e não criar dívidas e sujar o nome”.
Fazer anotações em cadernetas ou mesmo em arquivos de computador também ajuda a planejar e controlar o dinheiro que entra e sai do bolso. Outra dica de ouro é não gastar mais do que ganha e não gastar o que ainda não ganhou.
Guimarães ressalta também três fatores no qual as pessoas precisam se apegar: transação (necessidades do dia-a-dia), precaução (médicos, remédios etc.) e especulação (oportunidades de comprar um bem, como carro ou imóvel). “A pessoa mantendo esses três motivos, ela consegue obter o planejamento financeiro. A gente tem que olhar a nossa volta e enxergar o que é necessário”, disse.
Em relação aos impostos de início de ano, como IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), o mais sensato a se fazer é o pagamento à vista, já que é concedido desconto de 3% para o IPVA e 10% para o IPTU – mas pagar o valor de uma vez é só para quem tem recurso sobrando. Do contrário, a melhor opção é o parcelamento.
Se o valor do desconto do IPTU, por exemplo, for menor que 10%, vale mesmo a dica de manter o dinheiro rendendo na poupança e pagar em parcelas.
Quem optar pelo pagamento dividido, alguns bancos oferecem linha de crédito especialmente para estes impostos. O importante mesmo é se atentar aos juros. “Não aconselho a pegar empréstimo no banco”, alertou Guimarães. “A não ser que se encontre uma cobrança de 1,5% de juros ao mês para menos, aí tudo bem, mas a taxa média no Brasil é de 1,95%, então não aconselho”.
Outro gasto a mais são as despesas escolares. Com exceção da matrícula – valor que não se consegue parcelar –, fazer uma pesquisa de mercado e comprar os materiais da escola em uma mesma loja pode sair mais em conta, mesmo porque o valor total poderá ser dividido e isso facilitará o pagamento.
Em situações mais complicadas, o melhor a se fazer é tentar, ao menos, renegociar a dívida. Evitar fazer compras desnecessárias também é essencial ao bom planejamento financeiro.
Revide Online
Texto: Fernando Belezine
Fotos: Arquivo Revide