Identidade revelada

Identidade revelada

País de descobertas, o Brasil vem se destacando cada vez mais quando o assunto é vinho de qualidade

Assim como o mundo inteiro se rendeu aos prazeres do vinho, o país vem apresentando um consumo e uma produção crescentes, com destaque para a melhora na qualidade dos rótulos produzidos por aqui. Os vinhos brasileiros estão se tornando conhecidos pela elegância e pelo sabor. 

Essa história começou logo após o descobrimento do Brasil, graças à influência portuguesa e europeia. Segundo a coordenadora do Grand Cru, Tatiana Arruda, a demanda por vinhos na época era considerável, mas faltava capacidade para atendê-la. “Em São Paulo, por volta de 1650, a bebida começou a ganhar destaque. Ao mesmo tempo, os jesuítas missionários se estabeleceram no Sul do país e passaram a promover a cultura do vinho, com referência aos costumes religiosos, contribuindo para um início produtivo”, relata a expert. 

A produção de vinhos de maior qualidade começou nos anos de 1970 e 1980, quando várias multinacionais de vinhos investiram no Brasil e trouxeram conhecimento e equipamento. Nos anos 90, vinícolas familiares — que se desligaram das cooperativas — passaram a produzir uma quantidade considerável de rótulos nacionais. Esse movimento dos pequenos produtores tornou a bebida produzida no Brasil conhecida no mercado mundial. “O forte intercâmbio entre produtores, pesquisadores e estudantes de diferentes regiões vinícolas do mundo permitiu uma melhora importante na imagem do vinho brasileiro. Hoje, o país conta com inúmeras regiões vinícolas desenvolvidas, como a Serra e a Campanha Gaúcha, a Serra Catarinense, a região serrana de Minas Gerais, a região da Grande Curitiba e o Vale do Rio São Francisco”, enumera Tatiana. 

No entanto, é importante ressaltar que o sul do país é pioneiro no cultivo de uvas para a produção de vinho. Na região da Campanha Gaúcha, a Cabernet Sauvignon superou as dificuldades impostas pelos terroirs tupiniquins, assim como as portuguesas Touriga Nacional e Alvarinho. Trazida da Borgonha, a Pinot Noir se adaptou às baixas temperaturas da região; já a Tannat se desenvolveu na fronteira com o Uruguai, com a peculiaridade de ter taninos menos agressivos. 
“O cultivo da uva e a produção do vinho nacional vêm se aprimorando, crescendo e descobrindo outros terroirs no ecossistema brasileiro”, aponta Tatiana
Além das uvas tintas, as varietais brancas, como a Chardonnay, a Sauvignon Blanc e a Viogner, também estão presentes. A influência da altitude e do clima frio permite uma boa adaptação dessas uvas nos campos de cima da serra. Na fronteira entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a Sauvignon Blanc encontrou terreno propício e a Chardonnay vem se revelando pouco explorada no país. 

Os principais vinhos produzidos no Brasil são da variedade de uvas Syrah, Tannat, Cabernet Sauvignon, uvas brancas, entre outras opções. Segundo Tatiana, apesar de ter acumulado uma história secular no cultivo de uvas, o Brasil continua sendo um campo de experiências para vitivinicultura. Todos os anos são descobertas novas regiões produtoras e variedades, aliadas a modernas técnicas. “Sempre há espaço para surpresas. Diversas uvas já demonstram excelente potencial em terras brasileiras”, salienta. 

Vinho segundo os brasileiros
O sul é o maior polo produtor de vinhos do país, reunindo as maiores vinícolas brasileiras
Antigamente, tomar vinho era um hábito restrito. O universo da bebida era repleto de rituais sofisticados e de um vocabulário compreendido apenas pelos especialistas. Nos últimos tempos, esse comportamento vem sendo abandonado. O vinho passou a ser considerado uma bebida acessível. Tornou-se um produto mais barato, fácil de encontrar e de comprar. Ganhou apreciadores em todas as classes sociais e caiu definitivamente no gosto dos brasileiros. Tatiana lembra que a alta no consumo teve início entre os anos de 2002 e 2003, quando os vinhos importados da América do Sul, principalmente, do Chile e da Argentina, tomaram conta dos supermercados. “Foi uma estratégia planejada por esses dois países, grandes produtores mundiais da bebida, que apostaram na fórmula de exportar grandes volumes para o Brasil a preços mais baixos e, também, por causa dos benefícios para a saúde”, conta. 

O vinho brasileiro ganhou espaço na preferência dos estrangeiros devido aos grandes investimentos realizados pelas vinícolas e pelos grandes produtores nas últimas décadas, tanto em maquinário quanto em técnicas avançadas de fabricação, em especial, devido à excelência e à qualidade alcançadas pelos brasileiros, que atendem aos paladares mais exigentes e refinados. “Temos ótimos vinhos para degustar. Sugiro a linha de espumantes de Victoria Geisse, produzida exclusivamente para a Grand Cru. A qualidade está na essência da Cave Geisse. Desde o princípio, Mário Geisse identificou o potencial da região de Pinto Bandeira, no Rio Grande do Sul, para a produção de espumantes, renunciou ao sistema de produção latada e foi vanguardista ao optar pelas espaldeiras altas. O resultado são espumantes premiados e respeitados pela crítica”, expõe Tatiana. 

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