Ilustre aniversariante
Com raízes históricas ligadas à tradição, Orlândia tem seu desenvolvimento vinculado à força e ao trabalho dos seus cidadãos
Quem visita Orlândia pela primeira vez logo percebe que a cidade possui um traçado particular. Formada por quarteirões geométricos e regulares, a cidade possui ruas e avenidas bem desenhadas, com canteiros centrais delimitando o espaço de ir e vir, o que torna a circulação pela cidade mais simples do que em boa parte dos municípios brasileiros. O conceito urbanístico característico da cidade está vinculado ao seu fundador, Coronel Francisco Orlando Diniz Junqueira, que determinou que as ruas da futura Orlândia fossem cortadas por amplas e arborizadas avenidas.
Antes do reconhecimento como município, a localidade integrava Batatais, da qual foi desmembrada em 1896, compondo Nuporanga até 1909. Naquele ano, a sede municipal foi transferida à Vila Orlando, fundada em torno da Estação Coronel Orlando, da Cia Mogiana de Estradas de Ferro, que seguia até Uberaba. A elevação à município e a denominação como Orlândia aconteceu oficialmente em 30 de março de 1910. Um dos marcos iniciais dessa história é a Igreja Santa Genoveva — cujo nome homenageia postumamente a esposa do fundador do município, Genoveva Angélica Teixeira Junqueira — erguida a partir de 1907. A conclusão das obras levou quatro anos.
O local, que foi revitalizado e segue bem cuidado, é um dos mais simbólicos da cidade, para o administrador de empresas e agropecuarista Gilberto Diniz Junqueira. Bisneto de Coronel Orlando, orgulha-se dos feitos do fundador da cidade, que achava importante criar um polo de civilização na região, o que conseguiu fazer em poucos anos. “Para isso, convidou médicos, advogados e muitos imigrantes para ocupar a localidade, que deveria ser agradável”, relata Gilberto, baseado nas histórias ouvidas desde a infância. Apesar de ter nascido em São Paulo, foi em Orlândia que o atual diretor da Sicoob/Cocrelivre viveu até os 11 anos, quando retornou à capital paulista para estudar. Aos 25 anos, seguiu de volta para o interior, já casado, e passou a morar em Orlândia em 1992.
Das heranças que traz do bisavô, guarda com especial carinho a paixão pelos cavalos e, hoje, é referência na criação de mangalargas, como era seu pai, Geraldo Diniz Junqueira. “As seis éguas, que resultaram da divisão com meus irmãos, tornaram-se aproximadamente 40 exemplares. Assim, continuamos mantendo a tradição”, afirma Gilberto. Recentemente, os sucessores de Geraldo, junto com Ricardo L. Casiuch, editaram a obra “O Nosso Mangalarga – a raiz, a árvore e o jardim”, que traz a origem e a história da raça. A obra pode ser encontrada na Livraria Cultura.
O vínculo familiar também faz parte da história do prefeito, Oswaldo Ribeiro Junqueira Neto. O agropecuarista, que ocupa o cargo mais alto do executivo municipal pelo terceiro mandato, mora em uma fazenda que foi do próprio Coronel Francisco Orlando. Nascido em Orlândia, passou alguns anos fora para estudar, mas retornou à cidade de origem depois de oito anos. Vado, como é conhecido, assumiu a prefeitura de Orlândia pela primeira vez em 2001, vindo do cargo de vice-prefeito, e foi reeleito no pleito seguinte. Depois de oito anos no comando da cidade, passou outros oito fora da política municipal, reassumindo o antigo cargo em 2017. “Nessa segunda ocasião, encontrei uma cidade arrasada. Muitos investimentos são necessários, o que já estamos realizando”, garante o prefeito, confirmando que suas prioridades são infraestrutura, educação, saúde e área social.
Embora boa parte das pessoas imagine que Orlândia seja uma cidade dependente do agronegócio, o prefeito destaca que os principais propulsores da economia local são os setores de serviço e indústria. “Para se ter uma ideia, somente a Morlan e a Intelli são responsáveis pela geração de aproximadamente dois mil empregos em Orlândia”, destaca Vado. Segundo o prefeito, o orlandino é um cidadão preparado e interessado nas questões relacionadas ao desenvolvimento da cidade. Justamente por isso, é crítico e exigente.

Orlandinos de muitas origens
Engana-se, também, quem pensa que Orlândia é feita exclusivamente por quem, de uma forma ou de outra, está atrelado às raízes da cidade. Entre os personagens mais conhecidos do município está o italiano Vincenzo Spedicato, que trocou o serviço militar no país de origem por um período de trabalho no Brasil. Nascido em Veglie, província de Lecce, desembarcou em terras brasileiras aos 20 anos, em 1968. Aqui, pretendia passar os próximos dois anos, mas não voltou à Itália no prazo estipulado. Antes disso, viajou boa parte do interior paulista como engenheiro elétrico. Era especialista na implantação de projetos de centrais telefônicas. Toda a região da Alta Mogiana fez parte de seu roteiro e Orlândia acabou sendo eleita como sua nova casa.
Foi na cidade escolhida que fundou, em 1973, a Intelli, especialista na fabricação de terminais elétricos. “Desde minha chegada ao Brasil e à cidade, fui muito bem recebido. Acredito que isso tenha acontecido porque abracei o país como minha pátria e a recíproca foi verdadeira. Especialmente na região de Orlândia, a quantidade de descendentes italianos é maciça e creio que, por conta disso, não houve choque de culturas”, acrescenta o empresário, destacando que a força do setor industrial é tradicional no município.
Nesse território, a Intelli encontrou solo fértil para crescer livremente. Hoje, além de fornecer seus produtos a todo o mercado brasileiro, a indústria exporta para 40 países. As três unidades que compõem o atual Grupo Intelli geram 1.100 empregos diretos somente em Orlândia.
A atuação da empresa, como patrocinadora do Futsal na cidade, também ajudou a transformar Orlândia na “Capital Nacional do Futsal”. O ADC Intelli ganhou os principais campeonatos nacionais da modalidade, mas perdeu o apoio do principal investidor em 2016. “Apesar da grande paixão que ainda sinto pelo esporte, precisei tomar essa decisão em função de uma prioridade ainda maior, que era o equilíbrio da Intelli”, justifica Vincenzo. O time continua caminhando com recursos próprios e de outros patrocinadores, enquanto a Intelli segue investindo no esporte como poderosa ferramenta de transformação social.
A responsabilidade nessa área também é assunto levado a sério dentro do Grupo Colorado. Para tornar ainda mais estruturadas as iniciativas já desenvolvidas, foi criado o Instituto Oswaldo Ribeiro de Mendonça (IORM), coordenado, desde sua fundação, pela empresária Josimara Ribeiro de Mendonça. Natural de Ribeirão Preto, passou a infância em Orlândia, para onde retornou mais tarde, em busca de um lugar tranquilo para criar os filhos. Trabalhando nas empresas da família, ajudou a aumentar a efetividade daquilo que já era feito. “Superamos o assistencialismo e promovemos projetos consistentes e continuados nas áreas social, cultural, de esportes, capacitação e estímulo à leitura. Nossa atuação acontece não apenas em Orlândia, mas também em Guaíra, Ipuã e Miguelópolis, mas foi aqui que tudo começou”, continua Josi, que projetou cada passo do Instituto para que fosse possível chegar ao formato atual. Perfeccionista e muito obstinada, a diretora garante que trabalha para transformar, efetivamente, a vida das pessoas.
Até aqui, mais de cinco mil crianças, adolescentes, jovens e suas famílias já foram atendidos. Por ter formado lideranças capacitadas, Josi consegue delegar as atividades do Instituto com responsabilidade. “A gestão do IORM é realizada, atualmente, pelo Conselho de Administração, que acumulou uma inteligência respeitável e se tornou referência no terceiro setor. Isso acontece porque adotamos, no Instituto, métodos consagrados da administração empresarial, como foco, análise de indicadores e produtividade. Por tudo isso, passamos a exportar, também, nossa tecnologia social e queremos seguir servindo de inspiração para que outras instituições avancem”, completa a diretora.
Dessa forma, consegue conciliar o trabalho à rotina como diretora do Grupo Colorado e também como mãe e dona de casa. Faz questão de administrar pessoalmente a vida doméstica, está presente na rotina dos filhos — é mãe de Marcelo, que cursa faculdade em São Paulo, Felipe e Mariana, que moram em Orlândia — e ainda encontra tempo para se dedicar ao esporte. “O acolhimento das pessoas e a segurança que encontrei em Orlândia me fizeram permanecer, mas acredito que a cidade precisa aprimorar um projeto de futuro, dando mais perspectivas para que os jovens possam se fixar por aqui e reinventar o modo de vida da cidade”, acrescenta.
Orlândia também foi o destino escolhido, na juventude, por Ricardo Del Lama. Logo após a formação em Arquitetura, partiu para a cidade da futura esposa, que já era sua namorada, para construir a família e a carreira. “Fui muito bem recebido em Orlândia em todos os aspectos. Profissionalmente, posso comemorar um escritório consolidado, com 12 colaboradores, entre arquitetos, engenheiros e administradores, e muitas obras realizadas”, destaca Ricardo. O arquiteto desenvolve projetos corporativos comerciais e industriais para grandes grupos, com atuação no Brasil inteiro, mas nunca deixou de lado os desenhos residenciais, tendo ajudado a erguer mais de 200 casas.
Pessoalmente, criou uma rede de relacionamentos, estabelecida por fortes laços de amizades, capazes de suprir a saudade dos familiares. “Além disso, em Orlândia, consigo, muitas vezes, levar ou buscar meus filhos na escola, almoçar em casa e acompanhar a rotina deles. Creio que isso justifica a escolha por uma vida em uma cidade pequena”, continua o arquiteto, que viaja muito a trabalho. Somente na cidade que escolheu para viver, no entanto, encontra a geometria idealizada nos traçados iniciais da localidade. “As escolhas que tornaram famosos os contornos da ‘cidade das avenidas’ são extremamente contemporâneas, permitem recuos amplos e fiação concentrada no canteiro central”, acrescenta o especialista, orgulhoso da cidade que se tornou sua casa.
Orlândia, por Gilberto Diniz Junqueira
Um lugar para visitar:
a Igreja Santa Genoveva e a casa original da Fazenda Boa Vista.
Um passeio imperdível:
o Parque da Gruta e o Museu de Máquinas e carros da Agromen.
Um programa típico:
assistir aos jogos de futsal e polo.
Uma ilustre personalidade:
João Francisco Franco Junqueira, escritor de muitas histórias da cidade, assim como seu pai, Orlando.
Uma vivência inesquecível:
os 100 anos da Igreja Santa Genoveva.

Orlândia de antigamente
A memória fotográfica organizada por João Francisco Franco Junqueira intitulada Orlândia de Antigamente traz as origens da cidade em fotos e personalidades. A obra — cujo autor é descendente direto de Francisco Orlando — reúne 138 imagens das décadas de 1910 a 1930 e relatos feitos com base nas histórias da família e nos registros do Jornal “A Notícia”.
Agenda comemorativa
No dia 30 de março, a Prefeitura realiza a tradicional pescaria no espelho d’água. Além disso, um bolo de grandes dimensões será cortado em frente ao Paço Municipal. No dia 31 de março, haverá, durante toda a tarde, a apresentação de shows sertanejos no Parque da Gruta. A noite será marcada pela apresentação de Regis Danese, com seu repertório religioso que deve atrair mais de 2 mil pessoas. Último dia das comemorações, o 1º de abril terá corrida de 6 km ou 12 km e show do grupo de pagode Pixote, que também acontece no Parque da Gruta.

Orlândia, por Vincenzo Spedicato
Um lugar para visitar:
o memorial das conquistas da ADC Intelli.
Um passeio imperdível:
o Parque Cyro Armando Catta Preta (Gruta).
Um programa típico:
um dos principais programas dos orlandinos eram os jogos da ADC Intelli, memoráveis.
Uma personalidade ilustre:
Dr. Octavio Cauby Salles, homem e empresário de grande visão, que impulsionou o desenvolvimento de Orlândia. Ele foi fonte de inspiração de minhas ações e, sem dúvida, se estivesse ainda vivo, ficaria orgulhoso com o que construí.
Uma vivência inesquecível:
a carreata do título da Liga Futsal 2013, na primeira conquista nacional, foram mais de sete horas em cima de um trio elétrico, acompanhados pelo Corpo de Bombeiros e sentindo a emoção do povo orlandino, inesquecível.

Apoio ao esporte
No esporte paraolímpico, o Grupo Intelli apoia o atleta Thiago Paulino, campeão mundial no arremesso de peso e no lançamento de disco. O atleta, que é natural de Orlândia, segue firme na preparação para os Jogos Paraolímpicos de 2020, no Japão. “Orgulho-me das conquistas que tive até aqui, mas ainda sonho com a medalha paraolímpica e não pretendo descansar antes de trazê-la para casa”, acrescenta. Parte do treinamento do atleta acontece em São Paulo, já que Thiago faz parte da seleção brasileira permanente das modalidades. Quando não está se preparando ou curtindo a família — Thiago é pai de Lavínia, de seis anos, e de Heitor, de seis meses — o atleta realiza palestras em escolas de Orlândia e de outras cidades da região, levando aos estudantes seu exemplo de superação e de vitória.

Orlândia, por Josimara Ribeiro de Mendonça
Um lugar para visitar:
o Castelinho, construção histórica localizada no centro da cidade, que foi recurperada pelo IORM e, hoje, abriga o Núcleo Oswaldo Ribeiro de Mendonça, sede de vários projetos sociais que desenvolvemos.
Um passeio imperdível:
visitar a coleção de carros do meu tio José Ribeiro de Mendonça.
Um programa típico:
não dá para perder o lanche de pernil seguido por um sorvete do Bar do Varalonga.
Uma ilustre personalidade:
a educadora Silvia Ferreira Jorge Schaffer, minha madrinha, uma mulher à frente de seu tempo que, hoje, dá nome a uma escola na cidade.
Uma vivência inesquecível:
o nascimento dos meus filhos.

Orlândia, por Ricardo del Lama
Um lugar para visitar:
as igrejas católicas, que seguem um estilo muito bem definido — uma delas, Capela Mãe Rainha, foi desenhada por mim.
Um passeio imperdível:
conhecer o Centro Hípico Agromen, lugar que impressiona pelo espero de seus idealizadores, pela arborização, pelos cavalos, pelas pistas de hipismo e também pelo museu de carros.
Um programa típico:
almoçar, aos domingos, na Sociedade Hípica de Orlândia, que reúne boa comida, boa companhia e boa conversa.
Uma ilustre personalidade:
meu sogro, Wagner Panochia, o Guininho, era um homem íntegro que guardo até hoje como inspiração. Era um homem simples, silencioso e amado por todos que conviveram com ele.
