Impasse no transporte público

Impasse no transporte público

Para o engenheiro especialista em transporte, Luimar Paes Leme, o imbróglio surgiu por falha no contrato

O transporte público ribeirãoprenao continua sofrendo com o impasse entre o Consórcio PróUrbano e a Empresa de Trânsito e Transporte Urbano (Transerp). O contrato de concessão exige que a PróUrbano realize melhorias no transporte coletivo, porém, a cláusula não está sendo cumprida devido a insatisfação, por parte da concessionária, que alega prejuízo e solicita, junto à justiça, reavaliação do contrato.

Com isso, o cronograma de implantação de terminais está atrasado e adequações como a instalação de placas, painéis de mensagem, abrigos em pontos de ônibus e corredores preferenciais para os ônibus,  também estão pendentes.

Para o engenheiro civil, especialista em transporte, Luimar Paes Leme, o imbróglio surgiu por falha no contrato, que foi baseado em um número de passageiros do transporte coletivo superior ao real.

 “Creio que a confusão pode ter sido gerada pelos parâmetros usados para a projeção de tráfego futuro. Criou-se, com a pesquisa, uma expectativa [de 3,39 milhões de passageiros] que não condiz com a realidade atual de Ribeirão Preto, assim, o contrato tornou-se inviável para o Consórcio, sendo necessário o aumento da tarifa para cobrir a diferença no número de usuários reais do serviço”, diz Paes Leme.

Segundo estudo realizado pelo Centro de Pesquisas em Economia Regional (CEPER), apresentado no dia quatro de julho, a frota de carros e motocicletas em Ribeirão Preto praticamente dobrou nos últimos dez anos. Este dado, segundo o especialista, está relacionado  a falta de um transporte público eficiente e em boas condições. Paes Leme diz ainda que, para que o transporte público seja mais atraente, serão necessárias muitas alterações na infraestrutura da cidade. “Ribeirão Preto é uma cidade muito pobre, do ponto de vista da engenharia, por isso, é uma cidade onde as pessoas viajam sozinhas em seus carros. Se não houver melhoras no sistema viário, jamais teremos um transporte de qualidade”, enfatiza o especialista.

Veja também: Professor da FEA-RP propõe criação de agência jurídica, que represente a figura do Estado, para que gerencie trânsito

Sobre a proposta apresentada pelo professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP), André Lucirton Costa, de criar uma agência reguladora do trânsito, limitando a Transerp à coordenar os contratos de transporte, Paes Leme é a favor. “Essa proposta é válida, pois proporcionará um reaparelhamento da máquina administrativa, que é a Transerp”, conclui.

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Texto: Bruno Silva
Foto: Arquivo

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