Incêndio criminoso

Incêndio criminoso

O local era fonte de pesquisa para professores e alunos de diversos cursos da USP-RP e fazia parte do projeto “Floresta da USP-RP”

De acordo com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), o incêncido que destruiu cerca 82 hectares de área verde do Câmpus da USP-RP foi criminoso.

A conclusão foi dada a partir da análise feita pelo coordenador estadual do departamento do Ibama de prevenção e combate aos incêndios florestais (Prevfogo), Celso Luiz Ambrósio, após quinze dias de estudos no local.

“A análise foi baseada nas evidências físicas que o fogo deixou e nos depoimentos das pessoas que combateram o incêndio e de moradores da região. Com as informações passadas, chegamos ao local onde esta a origem do incendio florestal”,  comenta Ambrósio.

O coordenador revelou ainda que o autor do incendio não foi identificado, porém as hipoteses são de que o autor seja alguém que queira fazer uma pastagem de animais no local, pois encontraram fezes de cavalos, um piromaniaco (pessoa  que sente prazer em provocar incêncios) ou alguém motivado por vingança. “Pesquisamos o local durante quinze dias e não encontramos nenhum vestigio de lixo queimado, bitucas de cigarro ou algo desse tipo. O que nos fez chegar a conclusão que foi um incêndio intencional”, revela o coordenador.

O local era fonte de pesquisa para professores e alunos de diversos cursos da USP-RP e fazia parte do projeto “Floresta da USP-RP”, que implantou o único Banco Genético de mata mesófila semidecidual do Brasil.
“Era de extrema importância para professores e alunos da USP, no local era realizados diversos projetos, além de conservar a genética das espécies nativas e fornecer sementes que contribuiam para a recuperação de áreas degradas”, declarou a professora Elenice Mouro Varanda, do departamento de Biologia da USP-RP.

A professora informou, ainda, que vai ser preciso esperar as chuvas e a recuperação natural das árvores para saber quais ficaram totalmente queimadas pelo fogo e quais vão brotar de novo.

Espécies replantadas vão levar pelo menos dez anos para atingir a maturidade. “Por enquanto, estamos trabalhando com o que nos restou, após o laudo técnico, existem muitas dúvidas sobre o motivo desse incêndio. Ainda é muito triste ver o trabalho de anos em cinzas, mas estamos preparados para recomeçar”, conclui Elenice.

Texto: Pâmela Silva
Fotos: Julio Sian

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