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Com mais de 14 anos de experiência, o oncologista Fábio Zola aponta que uma boa consulta pode desmistificar aspectos da doença

No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam 489.270 novos casos de câncer em 2010. Com um clima tropical e altas temperaturas, o câncer de pele do tipo não melanoma lidera a lista, com 114 mil casos novos, seguido pelos tumores de próstata (52 mil), mama (49 mil), cólon e reto (28 mil), pulmão (28 mil), estômago (21 mil) e colo do útero (18 mil). Especialistas indicam que esses tumores de pele, embora sejam frequentes, são pouco letais, ao contrário dos tumores de pulmão, com excessiva mortalidade dos pacientes.

Para Fábio Zola, oncologista de Ribeirão Preto, conhecer a distribuição dos tumores é essencial para que se desenvolvam estratégias para prevenção e diagnóstico precoce da doença, o que eleva o controle e reduz a mortalidade. Outra boa notícia é que já se consegue saber se a pessoa tem pré-disposição genética ao câncer ou não. Esta é uma área em franca evolução e, hoje, já existem testes para tumores específicos, como os  de mama. “Esperamos que os testes genéticos sejam incorporados à prática médica e aguardamos para um futuro próximo um teste completo e eficiente, com custos acessíveis, em fase de estudos avançados”, estima Fábio.

A Oncologia, também chamada no Brasil de Cancerologia, é a especialidade médica que estuda os tumores, voltada ao desenvolvimento do câncer e os possíveis tratamentos. A principal função do oncologista, além de fazer um diagnóstico preciso, é prescrever tratamentos de quimioterapia, hormonioterapia e imunoterapia clínica. Esse especialista também acompanha o paciente depois da conclusão do tratamento.

Segundo Fábio, a evolução da Oncologia segue com dois pilares fundamentais: a terapia individualizada e o atendimento humanizado. Nos atendimentos personalizados, é possível propor tratamentos menos tóxicos e mais efetivos, melhorando a qualidade de vida do paciente. Além disso, é fundamental humanizar o atendimento. “Uma boa consulta pode desmistificar muitos aspectos da doença e tranquilizar os pacientes e os familiares quanto ao prognóstico e às perspectivas”, esclarece. O médico precisa explicar com clareza as características do câncer, a estratégia para o tratamento e os resultados esperados, conseguindo, assim, otimizar o processo e incluir paciente e familiares entre os personagens centrais para o sucesso do tratamento.

A fé e a espiritualidade também são ingredientes importantes na hora de enfrentar um câncer. “Entre outras contribuições, esses fatores dão motivação e força para enfrentar essa fase”, argumenta o especialista, baseado em pesquisas que comprovam que a fé possui um impacto positivo na saúde. Outro aspecto favorável apontado por Fábio é o acesso à informação. Hoje, com a internet, o acesso ao conhecimento é mais rápido. “Fica mais fácil, tanto para o paciente quanto para o médico, estudar melhor a doença, elevando o nível da discussão”, argumenta o especialista.

Terapia-alvo
O tratamento do câncer mudou muito nos últimos anos e vem se tornando cada vez mais direcionado. Ao contrário das técnicas convencionais, como a quimioterapia e a radioterapia, os novos tratamentos, chamados de terapias-alvo, atacam somente os pontos moleculares específicos das células tumorais, aumentando a eficiência e reduzindo a toxicidade. Por isso, segundo Fábio, já não basta o resultado simples de uma biópsia para a escolha do tratamento. “Frequentemente precisamos de testes químicos e moleculares para saber as características específicas do tumor em questão para, assim, definir a melhor forma de abordagem da doença”, explica o oncologista.

No interior de São Paulo, a exemplo de Barretos, Ribeirão Preto é um centro de excelência em Medicina e preza por esse título. Trabalhando com pacientes das redes pública e privada, Fábio observa que o trabalho desenvolvido segue no caminho certo para a detecção precoce e o tratamento adequado dos tumores, embora ainda existam pontos a melhorar. Atento a cada detalhe no processo clínico, o aspecto que deve ser levado em conta é a quantidade de pacientes de fora da cidade atendida nos serviços médicos locais, o que leva a uma grande demanda, gerando atrasos e filas. “Vejo que esse é um dos desafios dos nossos gestores”, reforça Fábio.

Apesar da defasagem da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), São Paulo vive uma situação diferente de outros estados. O tratamento incorpora drogas de excelência, pagas pelo goveno, no tratamento do câncer. Esse diferencial, de acordo com o especialista, foi fundamental para resolver um problema ético vivido por muitos médicos: tratar o paciente do SUS de uma forma diferente da que é feita no consultório. “Hoje, temos condições de oferecer o melhor tratamento existente também pelo SUS.

As parcerias já existem e funcionam bem, mas acho que uma boa gestão da estrutura atual deve ser mais efetiva para o SUS”, conclui Fábio.

Experiência
Médico oncologista clínico, formando na Universidade Estadual de Londrina com residência médica no Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto (HC), Fábio Zola é mestre e doutor por formação, mas se diz realizado ao compartilhar seus conhecimentos nas aulas, simpósios e conferências que ministra. A agenda do especialista se divide no atendimento diário como médico assistente do Departamento de Oncologia Clínica do HC e do Centro de Tratamento Oncológico de Ribeirão Preto (CTO).

Otimismo
O auxiliar de enfermagem Junio Sabino prepara, com todo o cuidado, o paciente Valter Zanetti para a segunda a sessão de quimioterapia, realizada nas dependências do CTO. O Centro conta com uma clínica especializada em quimioterapia e oferece salas confortáveis para o atendimento conjunto ou individualizado. Periodicamente, promove encontros entre os pacientes e especialistas para que, durante a Terapia Comunitária,
possam compartilhar suas experiências. 

Dez dicas para se proteger do câncer

1. Pare de fumar! Esta é a dica mais importante para prevenir o câncer.

2. Manter uma alimentação saudável pode reduzir as chances de câncer em pelo menos 40%. A dieta deve conter diariamente, pelo menos, cinco porções de frutas, verduras e legumes. Dê preferência às gorduras de origem vegetal, como azeite extravirgem, óleo de soja e de girassol. Evite gorduras de origem animal (leite e derivados, carne de porco, carne vermelha, pele de frango, etc) e outras gorduras vegetais, como margarinas e gordura vegetal hidrogenada.

3. Limite a ingestão de bebidas alcoólicas. Os homens não devem tomar mais do que dois drinques por dia. Já as mulheres devem se limitar a um drinque.




4. É aconselhável que homens entre 50 e 70 anos façam exames periódicos da próstata, especialmente aqueles com histórico familiar da doença. Caso haja um caso próximo na família, os exames devem ser iniciados a partir dos 45 anos.

5. Pratique atividades físicas moderadas durante, pelo menos, 30 minutos, cinco vezes por semana.


6. Mulheres com 40 anos ou mais devem realizar o exame clínico das mamas anualmente. Entre 50 e 69 anos, é importante submeter-se a uma mamografia a cada dois anos. Em casos de risco, com tendências genéticas, o exame clínico e a mamografia devem ser iniciados aos 35 anos e repetidos anualmente.




7. Dos 25 aos 64 anos, as mulheres devem realizar exames ginecológicos periodicamente.




8. É recomendável que mulheres e homens com 50 anos ou mais realizem exames específicos a cada ano (preferencialmente), ou a cada dois anos.



9. Evite a exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h, e use sempre proteção adequada, como chapéu e protetor solar. Ao se expor ao sol durante a jornada de trabalho, use chapéu de aba larga, camisa de manga longa e calça comprida.




10. Realize diariamente a higiene oral (escovação) e consulte o dentista regularmente.

 
Fontes: Ministério da Saúde e Instituto Nacional do Câncer (INCA)

Texto: Rose Rubini
Fotos: Júlio Sian

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