Inovação em transplantes
A Equipe de Transplantes é capacitada para realizar os procedimentos, tanto de transplantes quanto de tratamentos de tumores
Um dos órgãos mais complicados do corpo humano é o fígado. Estudos revelam que o órgão possui pelo menos cinco mil funções, que compreendem a captação de substâncias, síntese, metabolismo e coagulação do sangue, todas consideradas indispensáveis à vida. Conhecendo a delicadeza desse órgão, podemos prever as sérias dificuldades que algumas pessoas enfrentam ao perder parte do fígado em intervenções cirúrgicas. Para auxiliar essas pessoas, a equipe multidisciplinar da Universidade de São Paulo (USP) realiza pesquisas regularmente sob orientação do atual coordenador do Departamento de Transplantes da USP, Dr. Orlando Castro e Silva Júnior.
Após o primeiro transplante de fígado, realizado em 2001, e a consolidação do Programa de Cirurgias Hepáticas, a cidade passou a ser referência tanto para transplantes de fígado, como para tratamentos de tumores hepáticos. Atualmente, vários cirurgiões estão capacitados para realizar os procedimentos, tanto de transplantes quanto de tratamentos de tumores. “Nesses dez anos houve intensa absorção de novas tecnologias e transferência delas para outros setores do hospital. Estamos agora, depois de realizar no ano passado o primeiro transplante pediátrico, iniciando o preparo da rotina para essa modalidade de transplantes”, declara Orlando.
Já a Liga de Cirurgia e Transplantes do Centro Acadêmico da Faculdade de Medicina realiza, um trabalho de conscientização da população e dos diretores de hospitais, no sentido de melhorar a visão das pessoas sobre a importância na doação de órgãos. “Trabalhar com os alunos de medicina é algo estimulante e a ideia é formar a nova geração de transplantadores, a do futuro”, diz o médico.
Nos últimos cinco anos, a equipe de transplantes realizou cerca de quarenta transplantes por ano, resultado que colocou Ribeirão Preto em quinto lugar entre os Serviços de Transplantadores do Estado de São Paulo, porém, desde agosto do ano passado, houve uma queda significativa no resultado de transplantes, devido à unificação das listas de espera da capital e do interior. No primeiro semestre desse ano, foram realizados apenas sete transplantes, menos da metade de cirurgias realizadas no mesmo período do ano passado. De acordo com o coordenador do Departamento de Transplantes da USP, novas políticas de saúde devem fazer com que Ribeirão Preto volte a ter melhores resultados nesse setor. “Esperamos agora que novas políticas venham a ser tomadas, no sentido de tornar igual a oportunidade de tratamento pelo transplante aos pacientes de todo o Estado de São Paulo”, ressalta Orlando.
As doenças do fígado estão entre as mais graves e com tratamento mais difícil, dos casos de hepatite B, cerca de 10% evoluem para hepatite crônica ou cirrose hepática, doença que pode levar à morte. Nos casos de hepatite C, a maioria apresenta uma infecção persistente e evolui para se transformar numa doença crônica do fígado. Os candidatos a transplantes de fígado são pacientes que necessitam de apoio psicológico, assistência social, além do apoio médico, no diagnóstico, no tratamento clínico e cirúrgico. Há inúmeras dificuldades durante a espera pelo novo fígado, mas com as pesquisas e ajuda dos médicos essas dificuldades estão sendo amenizadas.
“A resolução de doenças de média e alta complexidade em Ribeirão Preto é superior a 90% dos casos, trata-se tão bem uma gripe como uma doença grave. Entretanto, cabe a nós, médicos e gestores da saúde manter o zelo, sempre, ao lidar com o paradigma maior da saúde, a humanização da atenção, o cuidado integrado, maior participação, equidade, contenção de custos, uso adequado da tecnologia, proteção ao meio ambiente e promoção de estilos saudáveis de vida”, conclui.
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Texto: Pâmela Silva | Fotos: Carolina Alves
*Publicada em 06/07/2011