Inovação hídrica
Pelo processo de anidrobiose, a bióloga Cláudia Carolina Silva Evangelista propõe o cultivo de plantações com uso reduzido de água
Uma pesquisa da bióloga Cláudia Carolina Silva Evangelista objetiva otimizar o uso de água no campo em períodos de seca. Com o título “Reduzindo drasticamente nossa dependência de água na agricultura através da anidrobiose”, seu trabalho propõe inovar a aplicação dos recursos hídricos no solo. Aluna de pós-graduação do Programa de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da USP, Cláudia usou a técnica de preservação de plantações através da anidrobiose (vida sem água).
O estudo, orientado por Tiago Campos Pereira, do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), da USP, ficou com o 2° lugar no Prêmio Jovem Cientista 2013 – Tema Água: Desafios da Sociedade, categoria Mestre e Doutor. Como premiação, Cláudia recebeu R$ 20 mil e uma bolsa de estudos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para o doutorado.
Na anidrobiose, ao enfrentar a falta de água, algumas plantas e animais suspendem o metabolismo e se transformam em estruturas semelhantes a cristais biológicos. Com a volta da temperatura e da umidade ideais, reabsorvem a água e voltam à vida. Por meio de modificação genética, a pesquisadora acredita que seria possível tornar vegetais, como feijão e milho, capazes de realizar a anidrobiose, tornando-os resistentes à desidratação. Para Claudia, a engenharia anidrobiótica pode revelar novos rumos para os desafios que o clima impõe à agricultura.