Inovações no agronegócio
Com base nas novas tecnologias disponíveis, organizadores da 25ª Agrishow, que acontece entre 30 de abril e 4 de maio, preveem crescimento de até 8% no volume de negócios gerados a partir do evento
Mais uma vez, os avanços tecnológicos voltados ao agronegócio são destaque na 25ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, a Agrishow, que acontece entre 30 de abril e 4 de maio em Ribeirão Preto. Em 2018, os expositores prometem, mais uma vez, apresentar soluções inovadoras capazes de elevar a produtividade, a rentabilidade, a eficiência e a economia de recursos empregados no campo.
O setor foi protagonista da economia nacional em 2017, tendo alcançado safra recorde de grãos, com 237,7 milhões de toneladas, o que significou um aumento de 13% no resultado do setor, que vem sendo o grande impulsionador do PIB nacional. A expectativa é que, neste ano, a safra de grãos chegue a 226 milhões de toneladas, contribuindo para a retomada da economia e, ao mesmo tempo, garantindo a oferta de alimentos de alta qualidade no país e no mundo, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Considerado o principal evento tecnológico e de negócios do agronegócio na América Latina e mais importante vitrine de tendências para o segmento, a Agrishow apresentará novidades em máquinas, implementos agrícolas, sistemas de irrigação, insumos, sistemas para agricultura de precisão, soluções de monitoramento e automação, acessórios, peças, serviços e outros produtos. Estarão reunidas mais de 800 marcas, do Brasil e do exterior. “Os visitantes terão a oportunidade de ver inovações tecnológicas, tanto na Arena do Conhecimento quanto nos estandes dos expositores, pois, hoje, a Feira está plenamente alinhada com as mais avançadas tecnologias. Exemplo disso é a conectividade embarcada na maioria das máquinas em exposição na feira”, afirmou Francisco Matturro, presidente da Agrishow.
Os mais de 160 mil visitantes de 70 países esperados pela organização poderão encontrar todas as soluções necessárias para aumentar a produtividade, melhorar a eficiência na plantação e na colheita de diversas culturas, diminuir custos, economizar recursos naturais e insumos, obter melhor manejo de pastagens e garantir a sustentabilidade da lavoura ou da pastagem.
Agricultores e pecuaristas, profissionais, empresários e técnicos da cadeia produtiva, além de representantes de entidades setoriais, pesquisadores, autoridades, lideranças governamentais e membros de órgãos e secretarias públicas podem programar a visita e planejar reuniões com mais assertividade, graças à estrutura organizacional da feira.
A praticidade ganhou força por conta da divisão entre os setores: agricultura de
precisão, agricultura familiar, armazenagem (silos e armazéns), corretivos, fertilizantes, defensivos, equipamentos de segurança (EPI), equipamentos de irrigação, ferramentas, implementos e máquinas agrícolas, máquinas para construção, peças, autopeças, pneus, pecuária, produção de biodiesel, sacarias e embalagens, seguros, sementes, software e hardware, telas, arames, cercas, válvulas, bombas, motores e veículos (pick ups, caminhões e utilitários, além de aviões agrícolas).
Eventos de conteúdo
Atividades paralelas às exposições também ocorrem durante a Agrishow 2018. Preparada para o produtor rural, a Arena de Demonstração de Campo terá, novamente, sob a curadoria da Coopercitrus, a apresentação de maquinário, implementos e tecnologias. Haverá transmissão ao vivo do funcionamento das novidades embutidas nas máquinas, além de apresentação de vídeos didáticos sobre os benefícios de cada produto. Estão programados, ainda, palestras, seminários e congressos. Um dos locais mais prestigiados pelo público, o espaço terá duas apresentações por dia, que poderão ser assistidas ao vivo ou por meio de transmissões em tempo real em telões de alta definição espalhados pela feira.
Outro evento tradicional na Feira é a Rodada de Negócios, que acontecerá pela 19ª ocasião. Promovida pelo Programa Brazil Machinery Solutions (BMS), parceria entre a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), a Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e a Sociedade Rural Brasileira (SRB), a Rodada reunirá, entre 1º e 3 de maio, fabricantes brasileiros dos setores de máquinas, implementos agrícolas e equipamentos de irrigação com compradores estrangeiros. São esperados visitantes da África do Sul, da Etiópia, do Irã, da Nigéria, do Peru, do Quênia, da Rússia, da Tanzânia e do Zimbábue, o que fortalecerá a imagem do Brasil como fabricante de bens de capital mecânico.
Segundo Matturro, a Agrishow também é a maior vitrine de startups que o país já teve. “Não é para menos, afinal de contas, hoje 50% das startups que surgem no país estão ligadas, direta ou indiretamente, ao agronegócio”, ressalta o presidente do evento.
De acordo com o diretor da Agrishow, José Danghesi, o formato dos eventos de conteúdo tem sido sucesso nas edições anteriores e, repeti-los em 2018 reafirma o compromisso dos organizadores em levar ao público soluções que proporcionem praticidade ao trabalho do agricultor. “Em todas as edições, os visitantes buscam soluções que possam atender às demandas e ao dia a dia no campo, desde inovações que elevam a produtividade e a eficiência até tecnologias que valorizam a sustentabilidade, a integração e a otimização de recursos, sempre resultando em rentabilidade e competitividade para o produtor”, salienta Danghesi.

Neste ano, os organizadores comemoram, também, a realização de 25 edições ininterruptas. “A Agrishow apresentou todas as tecnologias vistas no segmento por um quarto de século, antecipando tendências e servindo de palco para muitos lançamentos”, destaca o diretor. Nesse contexto, as atividades paralelas possuem total sinergia com as principais demandas dos produtores rurais.
Locomotiva da transformação
O Brasil tem vivenciado uma grande transformação: de importador de alimentos na década de 1970, para exportador, alimentando atualmente mais de 1,5 bilhão de pessoas globalmente. Além de ser um grande produtor de alimentos, fibras e energia, o país é um líder na preservação do meio ambiente, com dois terços do seu território cobertos por vegetação nativa preservada.
Este cenário, traçado por David Roquetti Filho, diretor executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), uma das parceiras da Feira, ilustra a importância da Agrishow. Segundo David, o domínio e o emprego da tecnologia na agropecuária tropical, entre outros fatores, ajudaram a poupar cerca de 130 milhões de hectares, a serem convertidos em terras agrícolas entre 1976 e 2016, e contribuíram para aumentar a produtividade nas terras já cultivadas. “A 25ª Agrishow vem, mais uma vez, contribuir para o avanço desta locomotiva, disponibilizando o que há de melhor em hardware, software e humanware, no sentido de ajudar o Brasil a se consolidar cada vez mais, de forma sustentável, como celeiro do mundo”, acrescenta.
Uma das principais formas de alavancar a economia brasileira, a Agrishow, para o diretor executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Luiz Cornacchioni, contribui diretamente para a retomada dos negócios e serve como fonte para mensurar a estabilidade do setor. “Além de negócios concluídos dentro da feira, o que significa dinheiro injetado ativamente em diversos setores da economia local e nacional, a Agrishow atende às mais variadas necessidades, do produtor ao empresário em diversas cadeias. Esse é o espírito da Feira: inovar para fazer a diferença no mercado nacional”, comenta.

O diretor ainda complementa que a ABAG também completa 25 anos em 2018, referindo-se ao crescimento concomitante com a Agrishow. Para Cornacchioni, o amadurecimento da Feira, assim como da instituição, tem rendido resultados promissores. “Este ano, para a ABAG, é especial porque estamos de aniversário também. Temos orgulho de participar de uma feira tão representativa e que, direta e indiretamente, surte efeitos positivos para a economia local e nacional”, salienta.
Aproximar o produtor de novos equipamentos e tecnologias é o principal valor enraizado na Agrishow. Para Marcelo Weyland Barbosa Vieira, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), nesta edição, o desempenho verificado na Feira deverá ser especialmente positivo, em função da melhora nos índices gerais da economia brasileira. “A tendência é que haja mais investimentos para a próxima safra, o que deverá se refletir na feira”, afirma o presidente.
Para Marcelo, a 25ª edição pode se tornar histórica, uma vez que quem segurou investimentos nos anos anteriores em função da crise brasileira, deverá retomá-los. Por instigar no produtor a vontade de acompanhar o cenário atual, a Feira é o local certo para isso. “A SRB estará presente em diversos momentos, principalmente, com eventos de conteúdo que levam aos participantes uma ampla visão sobre o agronegócio, entre eles, o Comitê de Liderança e Juventude sobre gestão e novas tecnologias, realizado em parceria com a ESALQ”, destaca.
Responsável por quase 10% do PIB, a indústria, segundo o presidente da Abimaq, João Carlos Marchesan, é a área que mais agrega renda e a que melhor prepara o trabalhador. Na outra ponta, muito forte e competitiva, a agricultura brasileira enfrentou a crise com supremacia e obteve colheitas recordes de grãos na safra de 2016?17, Para o presidente, as reformas implementadas pelo governo são muito bem-vindas para recuperação da economia nacional. “Isso contribui para os investimentos e o desenvolvimento do mercado de máquinas e implementos agrícolas, inclusive durante a Agrishow”, comenta.

Nesta edição, o presidente espera um ritmo de comercialização alinhado à sazonalidade do mercado. “É sempre bom quando os negócios entre as empresas e os agricultores correspondem ao cenário planejado. Temos fontes de recursos no Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (PRONAMP) e no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)”, argumenta. Segundo Marchesan, os esforços do Ministério da Agricultura e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) dão sustentação para isso.
Texto: Cristiane Araujo.
Foto: Luiz Cervi