Inspiração musical

Inspiração musical

Iniciativa tímida com dois alunos deu origem à Orquestra Jovem de Sertãozinho e à STZ Jazz Band, que hoje transformam crianças e jovens em artistas


A proliferação da droga e da violência tem trazido à tona questionamentos sobre o futuro dos jovens. Existem, entretanto, iniciativas que deixam claro que, mesmo quando inseridos em comunidades de risco, os jovens podem ter um futuro promissor. Basta oferecer acesso a oportunidades que permitam traçar um caminho alternativo à marginalidade e à criminalidade.

Foi o que Américo Perin descobriu quando começou o projeto que deu origem à Orquestra Jovem de Sertãozinho e à STZ Jazz Band. A paixão que sentia pela música que se revelava esporadicamente por meio da atuação em bandas e em orquestras acabou ganhando um espaço maior em seu cotidiano: com a aposentadoria, em 2005, Américo iniciou uma experiência com dois alunos de clarineta na EMEF Prof. Antônio Cristino Cabral, escola na qual sua esposa, Ângela, é diretora. “Aos poucos, essa atividade despretensiosa transformou-se num grande atrativo para crianças e jovens de outras escolas do Município que aderiam à ideia e ao aprendizado de outros instrumentos”, conta o maestro.

A iniciativa deu origem a dois grupos instrumentais: a Orquestra Jovem de Sertãozinho, cujo repertório compreende o erudito e o popular, com grandes sucessos nacionais e internacionais, formada por 42 jovens de 8 a 20 anos, e a STZ Jazz Band,  composta por 19 jovens e por uma cantora, além do regente. Conforme Américo, a experiência acabou se concretizando em uma ótima ferramenta de socialização e de profissionalização. “Agora, o foco é oferecer a crianças e jovens oriundos de famílias de baixa renda a oportunidade de uma formação musical que os habilite ao mercado de trabalho como músicos profissionais, se assim desejarem”, relata. Para participar dos grupos musicais, basta ter idade mínima de sete anos, estar alfabetizado e regularmente matriculado em um curso oficial, apresentar bom aproveitamento escolar e, preferencialmente, ser oriundo de família de baixa renda.

Utilizando a música como ferramenta, a iniciativa é mantida por meio de convênio com a Prefeitura de Sertãozinho por meio do PROAC, lei de incentivo fiscal do governo do Estado de São Paulo, pelo Grupo Balbo. Para o maestro, o trabalho mostrou a boa vontade e o interesse dos jovens das periferias. “Hoje, temos cinco professores, músicos da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, um maestro, todos com curso superior de música e oito monitores auxiliares advindos do próprio projeto”, conta Américo. A antiga escolinha transformou-se na Associação Orquestra Jovem de Sertãozinho Escola Dramático Musical Professor Américo Perin, que conta com 100 alunos e mais 112 inscritos em curso noturno para adultos, através do PRONATEC, Projeto do Ministério da Educação e Cultura do Governo Federal, cujo funcionamento ainda depende da autorização do MEC.

Dos grupos musicais, já desabrocharam cidadãos que contribuem com o sustento ds famílias, seja com apresentações ou atuando como professores e monitores na Associação. “Um dos nossos jovens já está estagiando na Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto. Duas alunas atuam como monitoras e estão cursando faculdade de música”, enfatiza Américo. Outros 17 jovens submeteram-se ao exame da Ordem dos Músicos do Brasil, e 16 deles conquistaram a carteira de músico profissional.

Em 27 de fevereiro, a Orquestra Jovem de Sertãozinho se apresentou para a presidente Dilma Rousseff, na formatura do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (PRONATEC), em São Paulo, e teve sua atuação elogiada. Tantas conquistas despertam em Américo novos interesses. “A ideia, agora, é criar uma Escola Municipal de Artes, que englobe as demais áreas de interesse nesse campo, que se instale de forma perene em nossa comunidade; uma banda sinfônica profissional e também uma orquestra sinfônica”, conclui o maestro.

Texto: Carla Mimessi
Fotos: de arquivo

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