Instrumento de comunhão
Atendendo a um pedido feito pelo Papa durante a cerimônia da imposição do pálio, Dom Moacir reforça que será instrumento de comunhão de sua igreja particular
Texto: Rose Rubini | Fotos: Julio Sian e Carolina Alves
Primeiro arcebispo metropolitano nomeado pelo Papa Francisco, no dia 24 de abril, Dom Moacir Silva assumiu a Arquidiocese de Ribeirão Preto com o desafio de propagar o Evangelho a mais de 1,1 milhão de habitantes e 85 paróquias de 20 cidades da região, agora sob sua jurisdição. De acordo com estimativas do Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), entre 60% a 70% desta população se declararam católicos, o que significa um universo de 650 mil a 700 mil pessoas.
Para ampliar a doutrina, atendendo a um pedido especialmente feito pelo Papa durante a cerimônia da imposição do pálio — símbolo de comunhão com o Bispo de Roma —, Dom Moacir reforça que será instrumento de comunhão da Igreja. O encontro com a autoridade máxima da Igreja Católica aconteceu no dia 29 de junho, durante a santa missa realizada na Basílica do Vaticano, que reuniu outros 33 novos arcebispos metropolitanos. Em Ribeirão Preto, a posse aconteceu no dia 23 de junho, quando Dom Moacir reiterou o desejo de unir a comunidade católica, em especial, os jovens.
Para isso, o arcebispo conta com um conjunto de estruturas e de pessoas empenhadas na ação pastoral, portanto, em colaboração com todos os sacerdotes, diáconos, religiosos e leigos que desempenham sua missão na Arquidiocese. São mais de 35 grupos divididos em movimentos, pastorais e setores. Dom Moacir revelou que pretende conhecer de perto a realidade de cada paróquia das 20 cidades de sua Arquidiocese, identificando as necessidades de cada região. “Em São José dos Campos, levava cerca de uma hora para ir de uma igreja a outra de minha diocese, mas aqui a realidade é outra. Creio que devo levar um tempo maior para conhecer todas as comunidades, todos os padres e todas as cidades”, estima Dom Moacir.
Outra prioridade de sua gestão é aproximar ainda mais os jovens da Igreja Católica. Para isso, contará com a XXVIII Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que este ano será realizada no Rio de Janeiro, de 23 a 28 de julho. Com o lema “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19), a Jornada, segundo o arcebispo, já é um grande acontecimento e deve reunir, mais uma vez, milhões de jovens de várias regiões do mundo.
Além da fase de preparação, a Jornada implicará em um trabalho posterior, com orientações à própria Comissão para a Juventude. “Em sintonia com aquilo que a Igreja apresenta para a evangelização da juventude, seguimos as orientações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de um documento aprovado em 2007 sobre a difusão dos ensinamentos do Evangelho aos jovens para o trabalho com a Arquidiocese”, afirma Dom Moacir, antecipando que, no dia 22 de julho, 16 ônibus sairão de Ribeirão Preto levando 720 jovens para a Jornada.
De acordo com Arthur Augusto dos Santos, coordenador do Setor Juventude, responsável pela viagem, a maioria dos participantes ribeirãopretanos acompanharão a programação completa, enquanto outra parte integrará eventos específicos. Mas todos estarão reunidos na vigília com o Papa. Além da presença da comunidade, Arthur estará muito próximo do Papa Francisco. Juntamente com outros representantes das dioceses e arquidioceses brasileiras, estará no palco representando a juventude de Ribeirão Preto na missa final da Jornada, onde o Papa abençoará os jovens. A escolha foi feita pelo Comitê Organizacional Local (COL) do encontro junto a CNBB.
As celebrações do Dia Nacional da Juventude, comemorado em 13 de outubro, também serão aproveitadas para aproximar a Igreja Católica e os jovens: há programações especialmente direcionadas a este público das 10h às 15h, com direito a missa final celebrada por Dom Moacir. O arcebispo lembrou, ainda, que além das orações e da união, os jovens precisam estar cientes de seus direitos e deveres enquanto cidadãos e demonstrou apoio às manifestações que se estenderam por todo o Brasil. “Isso é muito positivo e significa que as pessoas estão acordando para seu compromisso como cidadão. O problema é o proveito tirado por pequenos grupos que tumultuam. Como disse um arcebispo do Brasil, ‘o gigante acordou e está fazendo acontecer’. Está na hora de mudanças”, reforça Dom Moacir.
O arcebispo lembra, ainda, que as mudanças começam quando deixamos o individualismo e pensamos no coletivo, fiéis aos princípios da Igreja. “Temos o Evangelho a ser anunciado. Quando o conjunto dos ensinamentos de Jesus Cristo cai no coração das pessoas, é capaz de transformar. O ano da fé está chegando ao final e nos convida justamente a redescobrir a beleza de crer, a beleza da fé que transforma a vida. São estes os instrumentos que temos para realizar esta missão”, conclui o arcebispo.
Vida em abundância
Reconhecida como uma das mais importantes organizações de combate à mortalidade infantil e melhoria da qualidade de vida das crianças e de suas famílias, “Vida em abundância” é um dos principais lemas da Pastoral da Criança. Organismo de ação social da CNBB, há 25 anos, a Pastoral atua na base comunitária com ingredientes como a solidariedade e a partilha do saber. O principal objetivo é promover o desenvolvimento integral de crianças carentes de 0 a 6 anos, em seu contexto familiar e comunitário, a partir de ações preventivas de saúde, nutrição, educação e cidadania.
Na Arquidiocese de Ribeirão Preto, 302 líderes capacitados atuam diretamente em 33 paróquias e 56 comunidades de 12 municípios ativos. “Pretendemos ampliar o número de paróquias atendidas. Para isso, buscamos novos voluntários, com atenção especial à formação e à capacitação para que se tornem líderes e possam aumentar a cobertura das crianças e famílias mais pobres”, explica Maria Aparecida Menezes de Paula, coordenadora arquidiocesana da Pastoral da Criança.
Para isso, ela conta com o apoio de 514 voluntários, que reforçam o atendimento mensal de 2.340 crianças, além de 124 gestantes. Dedicada, Maria Aparecida aponta que o maior orgulho é ver que, dentro do Estado de São Paulo, a região de Ribeirão Preto registrou uma queda acentuada nos índices de mortalidade infantil, além de 100% de redução de desnutrição. “Resgatamos, sobretudo, a autoestima das famílias, promovendo a saúde, a educação, a cidadania e o bem-estar”, garante, lembrando que a Pastoral atua também no combate à obesidade infantil, orientando sobre a importância de uma alimentação saudável.
Suporte logístico
Formado exclusivamente por fiéis leigos que se dedicam à Pastoral Vocacional, o Movimento Serra reúne membros para rezar e trabalhar pelas vocações, pelos vocacionados e pelos consagrados: sacerdotes, religiosos e missionários. Criado na década de 1930, nos Estados Unidos, seu nome é uma homenagem ao patrono, o frade franciscano espanhol Junípero Serra. Beatificado pelo Papa João Paulo II, o frei foi missionário no México e na então Nova Espanha, hoje Califórnia, por mais de 30 anos, como explica Antônio Batista Pereira Brondi, presidente do Serra de Ribeirão Preto.
Criado sob os preceitos católicos, Antônio é formado em Administração de Empresas, com especialização em Matemática Financeira, Informática e MBA em Controladoria e Finanças. Aposentado, revela que sua evangelização começou três dias após meu nascimento, quando foi batizado. Daquele dia em diante, não se desvinculou mais da Igreja Católica. Ao lado da esposa, participou do Encontro de Casais com Cristo (ECC) e do Movimento Cristo Rei de Assistência à Comunidade (MOCRAC), com a meta de atender, através da doação de alimentos, as famílias carentes. Posteriormente, ingressou no então Serra Club, hoje Movimento Serra de Ribeirão Preto.
Integrante do Distrito 52, que engloba Batatais, Franca, São Joaquim da Barra, Ituverava, Uberlândia e Ribeirão Preto, o Serra reúne 55 voluntários para desenvolver o trabalho regional. Responsáveis pela logística de apoio aos sacerdotes em seu ministério, o Serra valoriza as vocações à vida religiosa consagrada. “Realizamos duas reuniões mensais, sendo uma de orações pelas vocações sacerdotais e religiosas e outra administrativa, onde traçamos nossos objetivos de trabalho para obtermos recursos financeiros que serão revertidos aos seminários. O Movimento atua conjuntamente com o Serviço de Animação Vocacional (SAV), dando suporte aos encontros, com transporte e lanches para os vocacionados”, aponta Antônio.
Em busca de recursos, preparam diversos eventos, como a já consagrada Noite do Cassoulet, que acontece tradicionalmente em agosto. Também são realizados encontros de formação com outras comunidades integrantes do Serra do Distrito 52. Para complementar os recursos, as doações também são bem-vindas, tanto por parte da paróquia quanto dos padrinhos dos seminaristas e de familiares.
Renovação Carismática
Frequentadores da Igreja Católica desde a infância, o casal Nicole do Nascimento Zuliani e José Gustavo Rezende de Xisto construíram suas vidas em comunhão com Deus. “Na vivência do que cremos, moldamos nossa relação. Afinal, foi na Igreja que nos conhecemos”, relembra Nicole. Sua família é uma das responsáveis pela vinda da Renovação Carismática para Ribeirão Preto, em meados da década de 70. “Com certeza, a moção de fé vem seguindo há anos em nossa casa. Com o Gustavo, não foi diferente, além da influência dos pais, já tinha afinidade com o ministério de música desde jovem”, explica.
Atuantes na paróquia São João Batista, no bairro Santa Cruz, o casal também participa do movimento da Renovação Carismática Católica (RCC) e no Grupo de Oração às quartas-feiras. Para Nicole, a religião é o combustível da alma. “Assim como o corpo precisa de alimento, nossa fé é o que move o espírito. A prática dos mandamentos da Igreja é o ponto de partida da nossa caminhada. Seguimos porque cremos nesta verdade”, afirmam Nicole e Gustavo.
O casal reforça, ainda, que a Igreja sempre acolheu os jovens, presentes em vários movimentos, especialmente com o incentivo dos últimos três papas: João Paulo II, Bento XVI e Francisco. “Somos a fé do amanhã, o novo ciclo. Estamos na contagem regressiva para a realização da Jornada Mundial da Juventude”, finaliza Nicole.
Biografia
Dom Moacir Silva nasceu em 16 de julho de 1954, em São José dos Campos. Filho de Brasilino Silva e Maria Augusta Silva, já falecidos, é o mais velho de cinco irmãos: Antônia, Benedita, José, que é diácono permanente, e Aparecido. Muito unida, a família foi brindada com a vocação sacerdotal de mais dois primos, muito envolvidos com a Sociedade de São Vicente de Paulo. Fez os cursos Filosófico, no Seminário Bom Jesus, em Aparecida, e o Teológico, no Instituto Teológico Sagrado Coração de Jesus, em Taubaté. Foi ordenado sacerdote no dia 6 de dezembro de 1986. É pós-graduado em Direito Canônico pelo Instituto de Direito Canônico “Pe. Dr. Giuseppe Benito Pegoraro”, de São Paulo, filiado à Pontifícia Universita Lateranense, de Roma, e mestre em Direito Canônico pela mesma Instituição. Começou seu trabalho eclesiástico como vigário da Catedral de São Dimas, em São José dos Campos, passando posteriormente por outras igrejas da cidade. Chegou a administrador da Diocese de São José dos Campos, a juiz do Tribunal Interdiocesano de Aparecida, a membro da equipe de formação dos seminaristas da Teologia e a vice-reitor da Residência Teológica Pe. Rodolfo. Também foi coordenador diocesano das Pastorais Vocacional, da Juventude, da Familiar, das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), do Colégio Diaconal (Diáconos Permanentes) e dirigiu a Escola Diaconal Maria Mãe da Igreja. Atualmente, é vice-presidente da Regional Sul 1 e membro da Comissão Episcopal para os Tribunais Eclesiásticos de Segunda Instância, ambos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Estrutura pastoral
Movimentos: Cursilho de Cristandade, Encontro de Casais com Cristo, Serra, Mãe Rainha, Renovação Carismática Católica, Apostolado da Oração, Legião de Maria, Focolares, Equipes de Nossa Senhora, Oficina de Oração e Vida
Pastorais: Pastoral Vocacional, Pastoral da Criança, Pastoral da Comunicação, Pastoral da Mulher, Pastoral Familiar, Pastoral da Juventude, Pastoral Carcerária, Pastoral da Saúde, Pastoral Afro-Brasileira, Fé e Política, Pastoral Operária, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral do Menor, Pastoral da Moradia, Comunidades Eclesiais de Base,
Serviços: Serviço de Animação Vocacional (SAV), Conselho Missionário Diocesano (COMIDI), Fraterno Auxílio Cristão (FAC), Equipe Permanente de Campanhas, Diaconato Permanente, Comissão Arquidiocesana em Defesa da Vida (CADV), Setor Juventude, Setor Família, Formação de Líderes, Secretarias Paroquiais, Conferência Religiosos do Brasil (Diocesana), Comissão Arquidiocesana para Liturgia (CAL), Diálogo Ecumênico Religioso, Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão, Sociedade São Vicente de Paulo (Vicentinos), Seminários Arquidiocesanos, Secretariado de Pastoral.
Vocação ministerial
Aos 32 anos e com três anos de vida ministerial, o padre Juliano Gomes conta que seu chamado vocacional aconteceu em sua comunidade de origem, Santa Rosa de Viterbo. Foi acompanhando os trabalhos do cônego Pedro Carlos Cruz Santos, como coroinha e acólito (auxiliar nos atos litúrgicos) que percebeu que seguiria este caminho. Desde 2010, atua na coordenação do Serviço de Animação Vocacional (SAV), que objetiva despertar e acompanhar todos os vocacionados. O serviço favorece atendimentos personalizados por meio de encontros, tanto aos vocacionados quanto aos seus familiares, oferecendo apoio dinâmico para realizarem o primeiro momento de discernimento vocacional.
Atualmente, a Arquidiocese de Ribeirão Preto conta com duas casas formativas: o Seminário Bom Pastor, localizado na Vila Seixas, que acolhe jovens que ainda estão cursando o Ensino Médio ou que já terminaram este período escolar. Todos os jovens se preparam para residirem no Seminário Maria Imaculada, em Brodowski, para cursarem Filosofia e Teologia, concluindo sua formação religiosa, que dura em média oito anos.
Para a manutenção dos internos e das Instituições, a Igreja recolhe uma taxa mensal das paróquias, paga à Cúria, além de realizar coleta de alimentos nas paróquias e de outras promoções nas casas formativas. Mesmo com 23 seminaristas da região de Ribeirão Preto em formação, padre Juliano revela que a Igreja sempre precisará de sacerdotes para serem guias espirituais da comunidade. “A missão é grande e os operários são poucos”, reforça Juliano, observando que outros 11 jovens da Diocese de Ituiutaba também estudam em Brodowski.
Para identificar a vocação, o SAV realiza orações, encontros e gincanas vocacionais com as crianças da catequese e com os crismandos, além da Semana de Oração pelas Vocações e o Mês Vocacional, geralmente em agosto. O apoio da família e dos sacerdotes é fundamental na formação do seminarista, ação intensificada nos fins de semana, quando retornam a suas paróquias de origem para maior proximidade com o exercício de atividades relacionadas ao futuro ministério.