Internet e cidadania

Internet e cidadania

Mídias como o Facebook estão sendo utilizadas também por cidadãos ribeiraopretanos interessados em promover a discussão de temas relevantes para a cidade

Ribeirão Preto está vivenciando um novo momento, através das mídias sociais, no que diz respeito à participação da sociedade civil nas questões políticas, sociais e econômicas. Criadas na internet para facilitar a comunicação à distância e promover as relações sociais, mídias como o Facebook estão sendo utilizadas também por cidadãos ribeiraopretanos interessados em promover a discussão de temas relevantes para a cidade e contribuir com soluções para o transporte, o meio ambiente, a segurança, a inclusão social, entre outros.

Foi assim que surgiu o movimento “Por uma Ribeirão Melhor”, um grupo criado em 26 de abril no Facebook, pelo comerciante Wilson Santos, e que já conta com quase cinco mil integrantes. A adesão das pessoas ao grupo foi rápida e surpreendeu o idealizador.

“Tudo começou com uma conversa minha com o Joe  Wadhy Rebehy, que é empresário na cidade, sobre a necessidade de criarmos um grupo com pessoas que se dispusessem a discutir assuntos pertinentes a Ribeirão Preto. Logo alcançamos 500 integrantes e depois de algumas semanas notamos que muitas pessoas do grupo buscavam convidar outras que pudessem participar mais ativamente. Isso foi percebido através da qualidade das sugestões postadas. As pessoas passaram a ter uma preocupação não apenas em fazer denúncias, mas também sugestionar soluções”, conta Santos.

Foi assim, por exemplo, que a empresária Renata Calil Machado integrou o grupo. “Vi o movimento surgir de maneira natural e despretensiosa na postagem de fotos e mensagens de alguns amigos no Facebook. O meu “engasgo” sobre a nossa cidade era o mesmo de muita gente que eu conhecia e de outros que não faziam parte ainda da minha vida, até aquele instante. Foi a possibilidade de poder expressar e fazer efetivamente algo por Ribeirão me levou ao grupo”, relembra.

Na busca por uma sociedade mais justa e fraterna, como enfatiza outro participante, o consultor José Francisco Rosa, o movimento “Por uma Ribeirão Melhor” acabou saindo do ambiente virtual para o real.  Pouco depois da criação online do grupo, alguns integrantes sentiram a necessidade de se encontrar também pessoalmente para discutir e organizar o movimento. As reuniões acontecem às quintas-feiras, em uma sala do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), mas enquanto no mundo virtual o grupo possui aproximadamente cinco mil integrantes, dessas reuniões semanais participam, em média, 30 pessoas. Apesar disso, em cada encontro, novos integrantes do grupo virtual aparecem, interessados em participar mais ativamente do movimento, que já realizou ações sociais, fez solicitações à Prefeitura e se uniu em manifestação na Câmara Municipal.

O mais difícil ao lidar com o ambiente virtual, na opinião desses participantes, é que o espaço muitas vezes se torna uma espécie de “Tribuna Livre”, onde os integrantes se manifestam de maneira equivocada, em relação à proposta do movimento. “Nossa maior dificuldade esta em saber quais os reais interesses das pessoas que compõem o grupo. Muitas pessoas plantam alguma discussão e quando são convidadas a participar da reunião presencial desaparecem. Por isso, proibimos discussões de cunho partidário, evitamos ao máximo que se criem discussões polêmicas e sem conteúdo e eu mesmo costumo pedir às pessoas que não lancem críticas pessoais, seja na área política ou não. Afinal, estamos ali para fiscalizar e denunciar, mas acima de tudo, para ajudar nossos administradores públicos, de todas as esferas, a buscar soluções para os assuntos discutidos”, enfatiza Santos.

Para Renata Machado, trata-se de um momento de verdadeira catarse social, da explosão de idéias, reclamações, sugestões e críticas. “É uma realidade incontestável e irreversível, ali todos podem falar o que querem! Temos os que fazem parte virtual e presencialmente, os que apoiam o movimento e ajudam a divulgá-lo, mas temos também pessoas que estão ali para tentar atrapalhar, desestabilizar o movimento. Falam de suas dores pessoais, fazem comentários indevidos, enquanto nós falamos do bem coletivo. Mesmo com nossa posição tão clara e expressa nas postagens, tentam gerar confusão”, afirma. E para lidar com essa realidade, e documentar suas ações, o grupo resolveu criar também seu site oficial, um amadurecimento, segundo Francisco Rosa, fruto justamente do debate de ideias e da divergência de opiniões.

“Somos um grupo político, multipartidário cuja ideologia se calca numa visão crítica de mundo. Atuamos como agente de mudanças, pretendendo alterar um “status quo” que afeta a todos, não importando a condição econômica. Não somos coletivamente nem deste ou daquele partido, nem de “direita” nem de “esquerda”. Nossa postura é crítica porque o momento assim o exige. Estamos fazendo história e tentando mudar um pouco, pelo menos, a forma de as pessoas verem e participarem da administração de sua cidade. Não basta participar das eleições, exercendo o direito do voto, e achar que já fez a sua parte. A população como um todo tem que entender que sua responsabilidade é também cobrar, apresentar soluções, atuar proativamente e reativamente, de forma a garantir que nossos interesses e direitos sejam preservados e que nossa cidade seja cada vez mais um lugar bom para morar, viver, trabalhar, cuidar dos filhos, dar-lhes educação, saúde, segurança, espaços para convivência e lazer, higiene, etc”, define Rosa.

No dito, “mundo real”, o desafio real é o de concretizar as ideias frente às dificuldades de relacionamento com as instituições municipais e de administrar os interesses pessoais e os receios naturais do desconhecido e do incerto. “Digamos que pensar, idealizar, sonhar é um pouco mais fácil do que realizar, operacionalizar, dar vida a idéias, projetos, etc. Mas é aí que ganhamos asas e mostramos nossa cara, nosso jeito. É aí que começamos a demonstrar ao nosso povo, aos nossos filhos, a todos enfim, que podemos ser diferentes e ser mais atuantes e incisivos quanto à vida que queremos”, diz o consultor Francisco Rosa.

Fazendo história, por uma Ribeirão melhor, através da internet e do exercício semanal de cidadania, de forma voluntária e apartidária, os integrantes do grupo buscam construir um novo ponto de encontro para todos que desejam uma cidade mais organizada, limpa e segura, mais do que tudo, para todos que desejam estar mais comprometidos com o lugar onde vivem.

“Nesse grupo as pessoas são competentes para abrir discussões sobre inúmeros assuntos, porque somos moradores de Ribeirão Preto. Em nossas reuniões presenciais participam pessoas de 19 a 70 anos, professores, médicos, empresários, executivos, dentistas, profissionais liberais, estudantes. Quando alguém participa de nosso movimento, não temos a preocupação de saber quem é essa pessoa, mas de que forma ela pode contribuir para deixar uma cidade melhor para nossos filhos e netos”, finaliza Santos.

Assista o vídeo dessa matéria.

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Texto: Yara Racy | Fotos: Ibraim Leão
Publicada em 22/07/2011

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