Jovens e o Mercado de Trabalho
Alto índice de desemprego entre os jovens é determinado pela falta de preparo de candidatos e instabilidade das empresas
Promulgada pelo Congresso Nacional, em julho de 2010, a PEC da Juventude classificou como jovem todo cidadão brasileiro com idade entre 15 e 29 anos. A aprovação da emenda significou o preenchimento de uma lacuna na Constituição, pois, antes do termo “jovem” ser inscrito na carta, crianças, adolescentes e idosos tinham já seu espaço garantido pela legislação.
A juventude é um período marcado pela inserção do indivíduo no mercado de trabalho. Geralmente, é nesta época que os estudos avançam e o jovem encara a profissionalização de frente, decidindo pelo ensino técnico ou superior. Em qualquer dos casos, a porta de acesso mais comum ao mercado é através das vagas de estágio.
Sem vínculo empregatício, o estágio desempenha a função de ponte entre teoria e prática, completando a formação profissional iniciada na escola. Segundo Danielle Moro, gerente de Desenvolvimento Organizacional da Exame Auditores Independentes, a preparação recebida pelos jovens nos cursos é incompleta. Sem um preparo concreto, faltam à formação superior e técnica os elementos objetivos que compõem a atuação no mercado, tais como o trabalho em equipe, o gerenciamento de crises e comportamento, elementos estes que estão presentes no dia a dia das empresas.
“A ansiedade talvez seja o principal desafio a ser superado. Entrevistamos muitos jovens com posturas inflexíveis e pretensões acima da média para quem ainda sequer iniciou sua jornada de carreira”, explica Danielle. Com alguma atividade em vista, o candidato a uma vaga de estágio tem de ter foco e paciência, dois atributos muito valorizados pelos empregadores.
Desemprego
Segundo dados publicados pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, Ipea, os jovens registram a maior taxa de desemprego do país. Porém, o índice não reflete necessariamente a falta de vagas no mercado, pelo contrário, os números sugerem, antes, que a causa do desemprego se encontre na instabilidade característica das empresas para as quais os jovens são empurrados pela falta de experiência e qualificação.
“Realmente existe, como base nos cálculos que fizemos, uma rotatividade causada por características da idade, mas um componente importante é o setor de ocupação, pouca experiência e qualificação parecem empurrar o jovem para firmas de alta instabilidade”, explicou o diretor-adjunto de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Carlos Henrique Corseuil, em apresentação dos estudos preliminares sobre Juventude e Trabalho, realizada em março deste ano.
No mesmo evento, um estudo de Anne Posthuma, Especialista de Emprego da Organização Internacional do Trabalho, OIT, indicou uma diferença expressiva no nível de desemprego entre jovens brancos (13,9%) e negros (25,3%). O estudo de Anne apresentou, ainda, dados sobre os jovens que nem estudam, nem trabalham, conhecidos como “nem nem”. No Brasil, estes somam 5,3 milhões de jovens, com maioria de mulheres, as quais mais da metade (53,5%) estão inativas por motivos de gravidez precoce.
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Texto: Gabriel Gonçalves (colaborador)