Judô

Judô

O objetivo do esporte é o aperfeiçoamento físico, mental e moral, além do uso dessas habilidades para o bem da sociedade

Algumas características da cultura oriental estão presentes em muitas lutas marciais. Entre elas, o judô tem bastante a contribuir com crianças, jovens, adultos e idosos de ambos os sexos, principalmente na atualidade, em que competitividade e individualismo são cada vez mais valorizados. Nas aulas de artes marciais, são intensamente trabalhados conceitos como respeito mútuo, cooperação, concentração e autocontrole. “Iniciar as aulas foi um grande desafio em minha vida, pois sempre tive receio do contato físico, típico das lutas”, lembra a advogada Milena Nagasako. De acordo com a praticante, as primeiras aulas foram desafiadoras e quase um pesadelo, com rolamentos, quedas e lutas corporais. Depois de um pouco de prática, Milena superou o medo e encontrou nas artes marciais condicionamento e agilidade. “Aprendi a adaptar os treinos aos limites do corpo e da mente, influenciando diretamente na minha autoestima”, complementa a esportista.

A prática
Segundo Jigoro Kano, o criador do Judô, o objetivo do esporte é o aperfeiçoamento físico, mental e moral, além do uso dessas habilidades para o bem da sociedade. “O judô é apoiado em dois princípios: o Jita kyoei, que é o bem estar mútuo, e o Seiryoku zenyo, é a máxima eficiência. Juntos, traduzem um dos principais valores desse esporte, que pretende ser um princípio unificador de todos os aspectos da vida. Apresentamos e explicamos as teorias na prática diária de aula”, explica o professor Paulo Chereguini, mestre e doutorando em educação especial pela Universidade Federal de São Carlos.

Práticas do ensino
Exemplos práticos dos princípios ensinados pelo judô podem ser observados de diversas maneiras
• Suave execução dos golpes, não contrapondo forças, mas usando da suavidade para ter êxito;
• Durante os treinamentos, os praticantes servem um ao outro para benefício mútuo. Nos treinos e nas lutas, os judocas tentam derrubar o adversário não com o objetivo de vencer o oponente, mas para oferecer dificuldade a fim de que o outro a supere, produzindo assim a cooperação.
• O nó da faixa, com as pontas do mesmo tamanho por seu entrelaçamento, indica a necessidade de interação recíproca e sinérgica para alcançar um objetivo comum.

O judô e as crianças
De acordo com Paulo Chereguini, as aulas de judô para os pequenos são excelentes ferramentas educacionais. “Procuro transmitir aos meus alunos alguns ensinamentos que aprendi com o meu pai, meu único sensei (professor) de judô. Mostro a eles que, para ter a formação de um judoca, é necessário ser um bom filho, um bom amigo e um bom estudante”, complementa o sensei. Lucas Salerno Santos, de nove anos, acredita que já aprendeu muito mais do que movimentos técnicos da modalidade. Para o estudante, as horas dedicadas ao judô também ajudaram a melhorar o convivívio social, a respeitar as pessoas e a ter disciplina.

Artes marciais
Uma nova proposta de aulas busca ensinar lutas adaptadas aos interesses de cada aluno. “Através de desafios condizentes ao interesse e à necessidade particular do praticante, é possível interagir em um ambiente agradável para melhorar a qualidade de vida, a concentração, a autoestima e a estética”, explica Paulo, que também é professor universitário. Sob a orientação de um profissional de Educação Física qualificado, todas as pessoas podem praticar artes marciais com o mínimo risco de lesão, independentemente do sexo, da idade, da condição motora ou da aptidão física

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