Júlia, finalmente, poderá ter cirurgia
Depois de muita “briga” na Justiça e insônia dos pais, a garota de cinco anos embarca na sexta-feira, 30, para os Estados Unidos, onde passará por intervenção
O empresário Alexandre Ferraz, 42 anos, suspira aliviado. Mais que isso, já consegue dormir, depois de mais de um mês de insônia constante provocada por decisões judiciais adversas que não permitiam a cirurgia de sua filha, Júlia Marcheti Ferraz (Na foto com a mãe Ana Paula), de 5 anos, St. Louis Children's Hospital, no estado do Missouri, Estados Unidos.
Júlia, de Ribeirão Preto, foi diagnosticada com leucomalácia periventricular nível 3, um tipo de paralisia cerebral que causa rigidez muscular e compromete o movimento dos membros. O único tratamento capaz de resolver o problema é uma cirurgia na medula, ainda não oferecida no Brasil.
Para conseguir que o SUS pagasse a cirurgia, a família foi à justiça, obteve uma liminar, mas o Tribunal Regional Federal (TRF) anulou a decisão judicial e impediu a transferência do dinheiro, US$ 42,245 mil, para o hospital. Na semana passada, a desembargadora Alda Basco reconsiderou a decisão e o dinheiro, não sem burocracia em excesso, foi transferido para o hospital.
“Viajaremos dia 30 para os Estados Unidos e a cirurgia será feita no dia 5 de fevereiro. A previsão é que ela saia do hospital, após 30 dias, andando com uma muleta. Depois de 45 dias usará uma bengala especial e em quatro meses deve andar normalmente”, explica Alexandre Ferraz.
O SUS pagará a despesa da cirurgia, mas o empresário terá um custo de aproximadamente R$ 16 mil com passagens, hospedagem e locação de veículo. Ele próprio ficará nos EUA por dez dias, cinco após a cirurgia. Depois, a menina receberá os cuidados da mãe e da avó.
Luta pela cirurgia
A “briga” para conseguir que o SUS custeasse a cirurgia de Júlia começou no dia 10 dezembro do ano passado, após St Louis Children's Hospital aceitar a internação da criança para a cirurgia. No dia 25 de dezembro, uma liminar da Justiça Federal determinou que a União depositasse o dinheiro na conta do Hospital dos Estados Unidos.
O governo federal, no entanto não cumpriu o prazo estipulado pela justiça e a família pediu reapreciação da liminar. No dia 13 de janeiro, em nova decisão, a justiça determinou o depósito em 24 horas, o que não ocorreu.
Só no dia 19 o Ministério da Saúde informou que havia feito o depósito em juízo, ao mesmo tempo em que recorreu para que o dinheiro não fosse liberado.
Segundo Alexandre, no recurso, o Ministério da Saúde induziu a justiça a erro, ao informar que a cirurgia poderia ser feita no Brasil, tendo inclusive codificado os procedimentos como Rizotomia Percutânea com Balão e Rizotomia Percutânea com Radiofrequência, quando o tratamento correto é Rizotomia Dorsal Seletiva.
Levado o caso à desembargadora Alda Basto, esta reconsiderou decisão anterior para determinar o depósito na conta do hospital. "Diante de determinadas situações, como a presente, a escolha é decidir 'em favor da vida'”, registrou ela em sua sentença.
Na decisão, Alda Basto ainda registrou que “Júlia corre o risco de ter seus membros inferiores atrofiados ante a falta de mobilidade e, o tempo é seu aliado se urgentemente for encaminhada à realização de procedimento cirúrgico, somente disponível nos Estados Unidos".
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Fotos: Divulgação / Arquivo Pessoal