Laços de vida
Junho Vermelho incentiva doações de sangue em Ribeirão Preto; contribuições costumam diminuir em determinados períodos do ano, como feriados prolongados
A campanha Junho Vermelho, que estimula a doação de sangue em todo o país, já está em pleno vigor nos bancos de sangue de Ribeirão Preto. A ação dura o mês todo e é uma extensão do Dia Mundial do Doador de Sangue, data instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2004, e celebrada anualmente no dia 14 de junho. Na cidade, os centros de coleta de sangue já se preparam para receber mais doadores durante a campanha.

Eli Mendes, líder de captação do Banco de Sangue de Ribeirão Preto, responsável por acompanhar e planejar ações para chamar mais doações, conta que, em 14 de junho do ano passado, o número de doadores espontâneos quase dobrou. “De uma média de 40 bolsas que coletamos por dia, foram 77 doações no Dia Mundial do Doador de Sangue — um movimento superior a 92%”, diz Eli, relatando que de 15.098 visitas registradas em todo o ano passado, 10.934 foram de ribeirãopretanos. A entidade auxilia com bolsas de sangue cinco hospitais da cidade e outros quatro na região.

No Hemocentro, a responsabilidade é ainda maior: a instituição atua em cerca de 140 serviços de saúde de mais de 230 municípios do Estado de São Paulo. A gerente de captação do centro de coleta, Mirian Castanheira, afirma que, no ano passado, foram coletadas 105.966 bolsas (média de 8,5 mil bolsas por mês), número considerado insuficiente. “A quantidade é muito aquém da demanda de toda a rede, que necessita de 11 mil bolsas por mês para atendimentos”, detalha Mirian. Ambos os captadores relatam que a doação de sangue diminui muito nos períodos de férias e inverno. “Em feriados prolongados, como o dos dias 19 (aniversário de Ribeirão Preto) e 20 de junho (Corpus Christi), teremos uma queda brusca nas doações”, alerta Eli Mendes. Uma doação pode salvar até quatro adultos, já que o material coletado é separado em quatro diferentes unidades de hemocomponentes: os concentrados de hemácias (glóbulos vermelhos) e de plaquetas, o plasma sanguíneo e o crioprecipitado. Na rede Hemocentro RP, foram 189.919 unidades distribuídas em 2018. Luã de Oliveira, professor de capoeira, é doador de plaquetas desde 2014, e vai ao Banco de Sangue mensalmente para doar. “Sempre achei bonito ver meu pai e minha irmã doando sangue. Foi amor à primeira doação. Senti que fazia algo significativo para as pessoas. Traz uma tranquilidade, uma sensação de dever cumprido”, afirma.
Texto: João Pala || Fotos: Julio Sian