Leite Lopes em novos mercados

Leite Lopes em novos mercados

Internacionalizado, aeroporto Leite Lopes deve priorizar novos destinos de cargas

A internacionalização do aeroporto Leite Lopes, com o final das obras previstas para abril de 2015, precisará de um olhar para mercados diferentes dos tradicionais. A opinião é de David Barioni, ex-presidente da TAM e ex-vice-presidente da Gol, que fez palestra sobre o assunto na manhã desta terça-feira, dia 5 de novembro, em Ribeirão Preto.

No programa do seminário, a palestra do executivo seria sobre o impacto de aeroportos internacionais no desenvolvimento de regiões. Mas ele mudou o tema pouco antes do início de sua fala, após observar dados mostrados por palestrantes que o antecederam. Para ele, replicar o que os demais aeroportos fazem é “chover no molhado”.

“Se o aeroporto de Ribeirão Preto quiser olhar para os mercados da Ásia, Europa, ou seja para onde olham os aeroportos internacionais já estabelecidos, será muito difícil concorrer. Terá que seguir um novo nicho, com atenção na América Central e América do Sul”, disse Barioni, explicando que estes locais não estão muito assistidos.

Para ele, o aeroporto deve atrair empresas que buscam estes mercados, porque a exportação para a América do Sul, por exemplo, representa 9% do mercado. “Não é preciso olhar o mundo. Basta focar em uma parte”, afirmou.

Já Josmar Cappa, pós-doutor pelo Instituto de Geociências da Unicamp, com pesquisa sobre desenvolvimento regional e aeroportos, falou no seminário sobre o case Viracopos, que encontra-se em expansão, considera que há demanda suficiente para o aeroporto Leite Lopes, mas que ela está reprimida.

“Lá, (em Viracopos) conseguimos comprovar a existência da demanda reprimida com apenas uma empresa, a Azul. Hoje são dez milhões de passageiros e o aeroporto ocupa a segunda posição em exportação de cargas e a primeira em importação. E a movimentação de cargas cresce mais que a de Guarulhos, sem a criação de nenhuma nova rota”, apontou.

Ele acredita que se o processo for provocado, a demanda aparece, principalmente em função do potencial econômico de Ribeirão Preto. “Nenhum meio de transporte atende a todas as demandas. Quanto mais opções tivermos, mas rápido será o processo e maior a competitividade”, afirmou.

Para Guilherme Feitosa, diretor regional em Ribeirão do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), a região precisa ter um canal de distribuição adequado para ampliar exportações. “No mundo globalizado é tudo muito rápido. Os outros tipos de transporte não vão acabar, mas precisamos de agilidade, principalmente porque Ribeirão e região têm muitas indústrias de excelente qualidade tecnologia que exportam”, comentou.

Seminário

O seminário Comércio Exterior e Logística, organizado pelo Ciesp de Ribeirão Preto discutiu o tema em vários painéis, durante todo o dia. Participaram das palestras e debates representantes da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), do Derex Ciesop e Fiesp, Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Grupo Tead, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) etc.

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Texto: Guto Silveira
Fotos: Carolina Alves 

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